domingo, 10 de setembro de 2006

1. Águas furtadas II 2. Meias verdades

  1. Finalmente! Lá acertaram uma. Já não era sem tempo. Depois dos “sucessos” na apresentação das contas, na FIAPE ou na JUVEMOZ, (apenas para citar os exemplos de que a generalidade da população se apercebeu), os órgãos do Município de Estremoz – Câmara e Assembleia Municipais – lá tomaram uma decisão arrojada, em clara ruptura com um passado de indefinição de má memória. Refiro-me, naturalmente, à decisão de cortar em definitivo com a AMAMB e a posterior adesão ao sistema multimunicipal das Águas do Centro Alentejo.
    Curiosamente, uma das principais críticas dos opositores a esta solução traduz-se, afinal, na sua maior virtude: a relativa desmunicipalização dos serviços de águas e saneamento.
  2. “Para a mentira ser segura / e atingir profundidade / deve trazer à mistura / qualquer coisa de verdade” (António Aleixo). Não sei (nem tenho forma de saber) se o poeta cauteleiro – quando escreveu a quadra antes citada – pretendia avisar-nos do modo de operar dos trafulhas qualificados ou se, pelo contrário, nos estava a querer ensinar alguma “fórmula de sucesso”. (Não sei mesmo o que pensar.) De qualquer modo, isso agora não importa nada. O que importa é ter presente que uma “meia verdade” pode ser equivalente a uma “aldrabice completa” ou, no mínimo, a uma mentira piedosa. Vou dar dois exemplos: A) Andaram para aí a dizer-nos que a derrama municipal não ia produzir qualquer efeito prático para a generalidade das empresas sedeadas no concelho de Estremoz. De facto, até nos disseram que as empresas que não tinham lucros não iriam pagar qualquer derrama. Ora, acontece que a verdade (a verdadeira, sem truques) tem alguns detalhes que se esqueceram de nos dizer. Um deles é que actualmente as empresas pagam impostos mesmo sem terem lucros. Nuns casos, fazem-se os denominados “pagamentos especiais por conta”; noutros, as empresas são inseridas no “regime simplificado de tributação” onde, do mesmo modo, pagam impostos, tenham lucros ou não. O outro detalhe que se “esqueceram” de nos informar é que neste caso as empresas pagam também derrama municipal no valor mínimo de €75. B) Andaram para aí a fazer uns ajustes nos escalões da água para tornar mais justa a factura que cada um paga. O engraçado é que eu no tempo em que as facturas eram injustas pagava a água a cerca de €1,08 por m3. Agora que os escalões são justos pago a mesma água a €1,38, ou seja, 30% mais cara. Quem consome 5m3/mês antes pagava €0,35/ m3; agora paga €0,62. Ah, já esquecia, dizem-me que não houve agravamento no custo da água. Pois…

    [Publicado no Jornal "Brados do Alentejo" em 28 de Julho de 2006 (http://bradosdoalentejo.com.sapo.pt)]

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