quinta-feira, 25 de junho de 2009

A ousadia no embuste

Sabiam que houve um sujeito – Victor Lustig de seu nome – que em 1925 conseguiu vender a Torre Eiffel? A história conta-se em… algumas palavras. O nosso herói convidou os mais ricos sucateiros de Paris para uma reunião sigilosa no Hotel Crillon que, à época, era só o mais distinto e luxuoso da capital francesa. O propósito da reunião apenas seria revelado no decurso da mesma, já que o encarregado de missão do governo francês catalogou o encontro de matéria classificada de interesse nacional. Prestes a explodirem de curiosidade os convidados ficaram siderados com o que ouviram: "o Governo vai ter de desmontar a Torre Eiffel!". "Porquê?", perguntaram alguns… e seguiu-se a explicação: a torre tinha sido projectada como estrutura temporária – para a Exposição Universal de Paris de 1889 (que também assinalava os 100 anos da Revolução Francesa) – e agora o município estava a revelar-se incapaz de suportar os custos de manutenção. Como é evidente, os sucateiros a partir daquele momento ficaram com uma determinada zona do cérebro completamente bloqueada: sete mil toneladas de aço divididas por 15 mil peças a x o quilo… Concluindo: os sucateiros ficaram de licitar e o trapaceiro de escolher a melhor vítima para a sua jogada. O eleito foi aquele que se mostrou mais sensível às queixas do "alto funcionário" que andava a negociar milhões e tinha um salário de miséria, "pondo-se a jeito" para ser "subornado". Resultado, o pato perdeu duas coisas: o suborno (uns trocados de milhares); e mais uns quantos milhões de sinal pela adjudicação do negócio.


Resta interpretar esta história e justificar o seu propósito. Por muito que tentemos contrariar esta tendência, o nosso primeiro instinto vai no sentido de confiar nas aparências. Para vencer a resistência dos mais desconfiados há um truque adicional: ser ousado. Como a História demonstrou, houve pelo menos um dos sucateiros que achou que ninguém se lembraria de vender a Torre Eiffel se não fosse mesmo verdade... era assunto demasiado sério para brincar. Pois foi… caiu na mesma.


Paradoxalmente, o charlatão não pode abusar, saltitando de sucesso em sucesso, se não for comedido, deixa que as suas artimanhas pareçam aquilo que são: fraudulentas. Em 1934, Victor Lustig acabou preso em Alcatraz, onde fez companhia a Alphonse Capone, "amigo" que também já havia burlado, ousadamente (quem iria lembrar-se de burlar um assassino impiedoso como Capone?).


Por cá temos um primeiro-ministro que nos prometeu 150 mil empregos, não subir os impostos, manter as SCUT sem portagens e que agora faz voz de falsete nas entrevistas para dar ares de virgem imaculada. Agora já nos fala de Keynes, dos benefícios do desmesurado investimento público e diz-nos que é graças a ele que vamos, finalmente, atingir o Nirvana.


Oh Victor, perdão, José, não achas que estás a abusar?

Publicado na edição do Brados do Alentejo de 25 de Junho de 2009

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Reacção indigna

Numa anterior entrada que intitulei "Reacção ácida" disse que me faltava falar com uma pessoa.
Pois bem, já falei. Por duas vezes até. A pessoa em questão era - identificando-a pelo respectivo cargo - o Senhor Director do Jornal Ecos.
Posso resumir a nossa primeira conversa - directa, presencial e cordial - na questão central que lhe coloquei: quem conduziu a entrevista (não assinada) em que fui visado pelo entrevistado? Resposta (em discurso indirecto): ia averiguar.
A segunda conversa foi telefónica. A pergunta, a mesma. A resposta, aquela que já esperava: foi a Redacção! Ora aí está um interessante substantivo colectivo que, sem rosto, representa um conjunto de substantivos comuns com idênticos atributos (os jornalistas). Acontece que, salvo melhor informação, aquele jornal apenas dispõe de 2 jornalistas - excelentes profissionais, frise-se - os quais, cientes do código deontológico que rege as suas profissões, não terão qualquer problema em assinar os respectivos trabalhos... assim sejam eles a fazê-los.
Face à resposta dada, estão legitimadas todas e quaisquer presunções que se queiram fazer, quer em relação à "espontaneidade" daquela entrevista improvável quer em relação aos propósitos que a mesma visou.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O outro lado



Isto para mim foi uma novidade. Nunca tinha respondido a perguntas deste tipo.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Reacção ácida

Todos os que me conhecem e estão a par das notícias da terra sabem exactamente do que estou a falar. Enfim, os actos ficam para quem os pratica.

Pela parte que me toca, a reacção não irá ser ácida. Será serena, sem grandes alaridos. Mas sou uma pessoa determinada. Por isso, quando agir – e vou agir certamente – quero estar certo daquilo que suspeito... só me falta falar com uma pessoa. Espero que tal pessoa me responda à pergunta que lhe vou fazer. Quando o fizer, se o fizer, fica desde logo tudo esclarecido. Se não o fizer, por não o querer fazer, vai ficar tudo esclarecido na mesma.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Citando La Finestra del Mondo

Com a devida vénia, e por subscrever o afirmado em La Finestra del Mondo pelo meu amigo Nuno Gato, transcrevo na íntegra o post hoje colocado naquele blogue.


"Era eu que tinha que pensar nisso?"
"Não era eu que tinha de fazer isso."

O vídeo que está em baixo mostra o Governador do Banco de Portugal a responder a algumas perguntas do deputado Nuno Melo. As frases em cima são o resumo daquilo que se passou no BPN nos últimos anos.

Nesta sequência de perguntas Vitor Constâncio diz que um CEO (Chief Executive Officer), pelos vistos é assim que ele gosta de ser chamado (o tipo da responsabilidade que não é responsável por nada... um pouco à CEO Americano do último ano e meio), não tem de pensar em coisas de pequena importância como o AS400.

É certo que o chefe máximo de uma organização não tem de saber tudo, mas no mínimo deve assumir a responsabilidade da escolha de determinadas equipas para acompanhar os trabalhos de fiscalização que são feitos. Agora, nem saberem o que é o AS400? Não perguntaram o que era? Um portátil?

Eu diria que uma entidade fiscalizadora deve ser céptica e não acreditar em tudo o que lhe dizem, no BP pelos vistos não é assim.

Processos de crédito que desde 2002 não respeitavam as "boas práticas", sem evidência da sua aprovação ou avaliação de risco. Que é isto? A amostragem serve sim, e é usada por todas as auditoras e entidades fiscalizadoras, mas digo eu, por experiência própria, que as amostragens são seleccionadas criteriosamente, ora com base em métodos estatísticos aleatórios ou então (quando são relevantes), pelos montantes que envolvem. No BP não é esta a prática.

E dava para escrever mais.

Para terminar, não percebo a irritação do Governador.

Não era ele que tinha de pensar nisso, nem era ele que tinha de fazer aquilo.

Mas posso lembrar-lhe, somos nós que vamos pagar tudo!!!!

"E o burro sou eu?!"

Apontamento de NFG às 8:47 AM



Fonte: http://lafinestradelmondo.blogspot.com/2009/06/era-eu-que-tinha-que-pensar-nisso.html

domingo, 14 de junho de 2009

Chicken a la Carte


Penso saber que este vídeo foi produzido em 2005. Porém, só hoje soube da sua existência... e também hoje contribuo para a sua divulgação.


sexta-feira, 12 de junho de 2009

Haja Esperança!

Os resultados eleitorais do passado fim-de-semana suscitam-me três comentários.



Primeiro: as sondagens. Errar em cerca de 10 pontos percentuais no resultado final é algo de desolador e nada abonatório. As instituições que realizam sondagens, enquanto centros de matemática aplicada, têm uma imagem e um prestígio a defender. Não o fizeram nestas eleições, tal como já não o tinham feito em eleições anteriores. Se a inferência estatística é uma técnica consolidada que, invariavelmente, conduz a resultados precisos, tais erros só podem ser explicados por partirem de amostras que não são representativas do universo que se pretende estudar. O erro, como está bem de ver, não advém da Matemática, como prova o facto de as sondagens feitas "à boca das urnas" não terem errado. O que não pode continuar a aceitar-se é que as empresas de sondagens limitem as suas consultas a telefonemas para a rede fixa. Ficou por demais demonstrado que as pessoas que estão em casa, às horas dos telefonemas, não representam fidedignamente o universo eleitoral.



Segundo: os resultados nos meios rurais. O concelho de Estremoz constitui um bom exemplo de como, qualquer que seja o ângulo de análise, a pressão social exercida sobre os habitantes das comunidades rurais é deveras mais opressiva que aquela que igualmente existe nos meios urbanos. Na política, nos meios pequenos, as pessoas têm maior dificuldade em exercitar o voto consciente, preferindo, inúmeras vezes, a tranquilidade do voto conveniente ou o sossego da abstenção. Teme-se pelos empregos, teme-se pelo evoluir dos pequenos negócios, chega a temer-se a mera desconformidade com aquilo que se pensa ser a onda dominante. Se juntarmos a isto o olhar "controleiro" dos caciques locais, onde se insinuam ameaças veladas, então o desvio entre aquilo que se intimamente se sente e a opinião que se expressa pode atingir dimensões consideráveis.



Terceiro: a Esperança. Creio que a Esperança foi, afinal, a única vencedora destas eleições. Uma vez mais ficou provado que, em Democracia, a opinião das pessoas conta verdadeiramente. Sócrates, o homem que, qual imperador romano, não recebe lições de ninguém e se diverte a atirar certos grupos sociais às feras, sentiu na pele que os seus tiques salazarentos já não rendem como renderam no início do seu mandato. O eleitorado fartou-se de tanta arrogância, da bazófia e da governação de faz-de-conta. E fez muitíssimo bem. Afinal, tal permitiu às pessoas perceberem novamente que têm força para correr com as figuras políticas que consideram detestáveis. Sócrates diz que não vai mudar nada e que ainda ficará mais determinado. OK. Espero pois que o eleitorado, agora que já sabe a força que tem, também fique determinado em lhe dar o pontapé na massa da albarda que ele merece.



Nota final: repararam na voz embirrante de Lurdes Rodrigues? "Deixem-me passar…". Deixamos sim… para a rua.

Publicado na edição do Brados do Alentejo de 12 de Junho de 2009

quinta-feira, 11 de junho de 2009

"CARTA AOS ELEITORES DO CIRCULO DE CINTRA" - 1858 - Alexandre Herculano

A carta de Herculano é, como era norma naqueles tempos, muito longa... Longa em demasia para um blogue. Ainda assim, há passagens daquilo que se escreveu há 151 anos que permanecem actuais... em especial em Estremoz.

CARTA AOS ELEITORES DO CIRCULO DE CINTRA - 1858
Alexandre Herculano

«Senhores eleitores do circulo eleitoral de Cintra. Acabaes de me dar uma demonstração de confiança, escolhendo-me para vosso procurador (...): sinto que me não seja permittido acceitá-la.

Se tal escolha não foi um daquellas inspirações que vem ao mesmo tempo ao espirito do grande número, o que é altamente improvavel, porque o meu nome deve ser desconhecido para muitos de vós; se alguem, se pessoas preponderantes nesse circulo, pelo conceito que vos merecem, vos apresentaram a minha candidatura, andaram menos prUdentemente, fazendo-o (...) e promovendo uma eleição Ínutil.

(...)

Duas vezes nos comicios populares, muitas na imprensa tenho manifestado a minha intima convicção de que nenhum circulo eleitoral deve escolher para seu representante individuo que lhe não pertença; que por larga experiencia não tenha conhecido as suas necessidades e miserias, os seus recursos e esperanças; que não tenha com os que o elegerem communidade de interesses, interesses que variam, que se modificam, e até se contradizem, de provincia para provincia, de districto para districto, e ás vezes de concelho para concelho.

(...)

E isto que vi perspicuamente, apesar de uma observação transitoria, vêem-no todos os dias, palpam-no, e, o que mais é, padecem-no centenares de homens honestos e intelligentes que vivem obscuramente por essas villas e aldeias de Portugal. Como os seus vizinhos, elles são victimas da nossa absurda organisação; disso a que por antiphrase chamamos administração e governo. É entre taes homens que os circulos deveriam escolher os seus representantes: é entre elles que os escolherão por certo no dia em que comprehenderem que o direito eleitoral é uma espada de dous gumes com que os cidadãos estão armados para se defenderem a si e a seus filhos, mas com que tambem podem assassinar-se e assissiná-los.

(...)

Fortes tendencias para a eleição da localidade se manifestam já por muitas partes, e os governos e as parcialidades vêem-se constrangidos a transigir com esse instincto salvador. Se não me é licito gloriar-me de ter contribuido para elle se desenvolver, ser-me-ha licito, ao menos, applaudi-lo. É o primeiro passo dado no caminho do verdadeiro progresso social: cumpre não recuar.

Mas, pensando assim, como poderia eu, sem desmentir a minha consciência e as minhas palavras; sem trahir a verdade, sem vos trahir a vós proprios, acceitar em silencio o vosso mandato? É honroso merecer a confiança dos nossos concidadãos, mas é mais honroso viver e morrer honrado.

Não haverá no meio de vós um proprietario, um lavrador, um advogado, um commerciante, qualquer individuo, que, ligado comvosco por interesses e padecimentos communs, tenha pensado na solução das questões sociaes, administrativas e economicas que vos importam; um homem de cuja probidade e bom juizo o tracto de muitos annos vos tenha certificado? Ha, sem dùvida. Porque, pois, não haveis de escolhê-lo para vosso mandatario?

(...)

Aconselho-vos, como acabaes de ver, uma cousa para a qual os estadistas de profissão olham com supremo desprezo, a eleição de campanario, só a eleição de campanario, a eleição de campanario, permitti-me a expressão, até a ferocidade.

(...)

Quando algum vos mendigar de porta em porta, e com o chapéu na mão, os vossos votos, respondei-lhe, como os eleitores dos diversos circulos do reino lhe responderiam, se o são juizo fosse uma cousa desmesuradamente vulgar:

«Somos uma pobre gente, que apenas conhecêmos as nossas necessidades, e querêmos por mandatario quem tambem as conheça e que n'ellas tenha parte; quem seja verdadeiro interprete dos nossos desejos, das nossas esperanças, dos nossos aggravos. Se os deputados dos outros círculos procederem de uma escolha analoga, entendemos que as opiniões triumphantes no parlamento representarão a satisfação dos desejos, o complemento das esperanças, a reparação dos aggravos da verdadeira maioria nacional, sem que isto obste a que se attenda aos interesses da minoria, que ahi se acharão representados e defendidos como se representa e defende uma causa propria. Na vulgaridade da nossa intelligencia, custa-nos a abandonar as superstições dos nossos páes: cremos ainda na arithmetica, e que o paiz não é senão a somma das localidades. Homem do absoluto, das vastas concepções, se a vossa abnegação chega ao ponto de sollicitar a deputação do campanario, fazei com que vos elejam aquelles que vos conhecem de perto, que podem apreciar as vossas virtudes, o vosso caracter. Certamente vós habitaes n'alguma parte. Se não quereis abater-vos tanto, arredae-vos da sombrado nosso presbyterio, que offusca o brilho do vosso grande nome. Sêde,como é razão que sejaes, deputado do paiz. Não temos para vos dar senão um mandato de campanario.»

(...)

A eleição de campanario é o symptoma e o preambulo de uma reacção descentralisadora, a descentralisação é a condição impreterivel da administração do paiz pelo paiz, e a administração do paiz pelo paiz é a realisação material, palpavel, effectiva da liberdade na sua plenitude, sem anarchia, sem revoluções, de que não vem quasi nunca senão mal. Para obter este resultado, é necessario começar pelo principio; é necessário que a vida pública renasça.

(...)

Os partidos, sejam quaes forem as suas opiniões ou seus interesses, ganham sempre com a centralisação. Se não lhes dá maior numero de probabilidades de vencimento nas luctas do poder, concentra-as n'um ponto, simplifica-as, e obtido o poder, a centralisação é o grande meio de o conservarem.

Nunca esperem dos partidos essas tendencias. Sería o suicidio. D'ahi vem a sua incompetencia, a nenhuma auctoridade do seu voto n'esta materia. É preciso que o paiz da realidade, o paiz dos casaes, das aldeias, das villas, das cidades, das provincias acabe com o paiz nominal, inventado nas secretarías, nos quarteis, nos clubs, nos jornaes, e constituído pelas diversas camadas do funccionalismo que é, e do funccionalismo que quer e que ha de ser.

(...)

Quereis encontrar o governo central? Do berço á cova encontrae-lo por todas as phases da vossa vida, raramente para vos proteger, de continuo para vos incommodar.

(...)

Não receeis que a descentralisação seja a disgregação. O governo central ha de e deve ter sempre uma acção poderosa na administração pública; há de e deve cingi-la; mas cumpre restringir-lhe a esphera dentro de justos limites, e os seus justos limites são aquelles em que a razão pública e as demonstrações da experiencia provarem que a sua acção é inevitavel. O ambito desta não deve dilatar-se mais.

(...)

Não me consentindo a brevidade do tempo e a urgencia de outras occupações expôr-vos todos os motivos por que dou tanta importancia á doutrina eleitoral que submetto á vossa consideração, não tenho direito a insistir em que a sigaes com a inabalavel firmeza com que intimamente creio que a deverieis seguir. N'essa hypothese, se vos apresentarem candidaturas de individuos extranhos ao vosso circulo, cujo caracter não possaes avaliar por vós mesmos, consenti em que vos lembre um arbítrio para não serdes ludibriados. Consultae aquelles que pessoalmente os conhecerem, mas só aquelles, que, pagando tributos, e não disfructando-os, viverem no meio de vós ha longos annos do producto do seu trabalho ou da sua propriedade, e que gosarem de solida reputação de intelligencia e de probidade. Como homens de bem, e como tendo interesses analogos aos vossos e confundidos com os vossos, elles não podem enganar-vos. Escolhei o que elles escolherem; regeitae o que elles regeitarem. Vença qual partido vencer, tereis ao menos um procurador honesto; porque todos os partidos tem no seu seio gente honrada. Escusado é dizer-vos o que n'isso haveis de ganhar.

(...)

Depois, quando alguem, que accidentalmente se ache no meio de vós, sem casa, sem bens, sem familia, sem industria destinada a augmentar com vantagem propria a riqueza commum, e só porque o seu talher na mesa do tributo ficou posto para esse lado, se mostrar demasiado sollicito em nobilitar o vosso voto pela escolha de algum celebre estadista, em que nunca talvez ouvistes falar, ou em livrar-vos de elegerdes algum mau cidadão, cujas malfeitorias escutaes da sua bôca pela primeira vez, voltae-lhe as costas. Padre, militar, magistrado, funccionario civil, seja quem for, esse homem que tanto se agita, afflicto pela vossa honra eleitoral, pelos vossos acertos ou desacertos politicos, póde ser um partidario ardente e desinteressado; mas é mais provavel que seja um hypocrita, um miseravel, que já tenha na algibeira o preço do vosso ludibrio, ou que, por serviços abjectos, espere obter, ou dos que são governo, ou dos que querem fazer o immenso sacrificio de o serem, a realisação de ambições que a consciencia lhe não legitima, e ácerca das quaes só podeis saber uma cousa: é que as haveis de pagar.

Permitti-me, senhores eleitores, que termine esta carta, já demasiado extensa, reiterando-vos os protestos da minha gratidão pela vossa bondade para comigo, e assegurando-vos que, se me fallece ambição para acceitar os vossos votos contradizendo as minhas opiniões, sobeja-me avareza para buscar não perder jámais um ceitil da vossa estima.»

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Curiosidades


Hoje ouvi o Senhor Primeiro-Ministro dizer algo muito interessante:


"A avaliação política dos mandatos faz-se no final dos mesmos!"


Lembram-se de ouvir tal prosápia a este sujeito em 2004?

O pior que nos envergonha




Já o disse por várias vezes: este país tem do melhor que nos orgulha e do pior que nos envergonha.



Hoje vou falar do pior que nos envergonha.



Há cerca de 16 anos o Estado português recusou uma pensão à viúva do Cap. Salgueiro Maia. Desconheço as razões que levaram a que ela fosse requerida, assim como também não estou a par das razões que justificaram a sua recusa. A única coisa que sei é que, nesse mesmo ano, dois inspectores da ex-PIDE/DGS foram abonados com pensões, penso que, similares.



Hoje, podem-se render homenagens a Salgueiro Maia, mais ou menos simbólicas, mais ou menos solenes, porém não vai ser isso que vai mitigar a vergonha nacional que foram os actos praticados naquela altura...

Obstrução de caminhos na Serra d'Ossa II

Na entrada anterior sobre este tema ficou por referir um aspecto deveras importante. Em abono da verdade, no momento em que produzi o texto nem sequer me ocorreu. Foi necessário que uns amigos do Facebook me tivessem alertado para o problema.

Entretanto, surgiu o incêndio da Serra d'Ossa (aquela pessoa parecia que estava a advinhar...), mas, felizmente, ainda não foi desta que ficou demonstrada a sua razão.

A questão é esta: quem, deliberadamente, obstrui caminhos na serra, corre o risco da aranha que fica presa na própria teia. Afinal, se a sua propriedade estiver a arder, não são só as viaturas "indesejáveis" que não passam, as dos bombeiros também ficam retidas.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Frases II_2

A pedido de várias famílias, apresento seguidamente a tradução do texto de Albert Einstein reproduzido na anterior entrada.



Sobre a Crise, por Albert Einstein

Não podemos esperar que as coisas mudem se continuarmos a fazer sempre o mesmo. As crises podem ser a melhor bênção para qualquer pessoa, assim como para qualquer nação. As crises são fontes de progresso.

A criatividade nasce da angústia, assim como a aurora brota das trevas da noite. É na crise que emergem a criatividade, as descobertas e as grandes estratégias. Quem supera a crise supera-se a si mesmo, sem se deixar superar. Quem culpa a crise pelos seus fracassos está, afinal, a desprezar o seu próprio talento e dar mais atenção aos problemas que às soluções. A verdadeira crise radica na incompetência.

O maior inconveniente das crises está no facto de estas atentarem contra o nosso conforto, porém, só no desconforto é que se buscam as soluções para os problemas. Sem crise não há desafios. Sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que desabrocha o melhor de cada um, porque sem crise todo o vento é carícia. Falar da crise é promovê-la e calar-se na crise é exaltar o conformismo. Em vez disto, trabalhemos no duro.

Acabemos de vez com a única crise ameaçadora: a tragédia de não querer lutar para a superar.

Albert Einstein

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Frases II

Let's not pretend that things will change if we keep doing the same things.
A crisis can be a real blessing to any person, to any nation. For all crises
bring progress.




Creativity is born from anguish, just like the day is born form the dark night. It's in crisis that inventive is born, as well as discoveries, and big strategies. Who overcomes crisis, overcomes himself, without getting overcome. Who blames his failure to a crisis neglects his own talent, and is more respectful to problems than to solutions. Incompetence is the true crisis.


The greatest inconvenience of people and nations is the laziness with which they attempt to find the solutions to their problems. There's no challenge without a crisis. Without challenges, life becomes a routine, a slow agony. There’s no merit without crisis. It's in the crisis where we can show the very best in us. Without a crisis, any wind becomes a tender touch. To speak about a crisis is to promote it. Not to speak about it is to exalt conformism. Let us work hard instead.


Let us stop, once and for all, the menacing crisis that represents the tragedy of not being willing to overcome it.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Convergências e divergências…



No primeiro de Janeiro de 1986, Portugal aderiu à então CEE, Comunidade Económica Europeia. Nos termos do acordo de adesão, Portugal beneficiou de importantes transferências financeiras destinadas a combater o atraso endémico que caracterizava o nosso país.



Nos primeiros anos da adesão – os quais coincidiram com o período em que a gestão do país esteve cometida ao PSD – o impacto foi significativo. Por essa altura, mais precisamente entre 1986 e 1995, à linguagem do cidadão comum foi acrescentada uma nova expressão: convergência. Tal expressão era bem entendida na altura por todos, já que significava que estávamos a crescer mais que os outros países no seu conjunto. Por exemplo em 1986 crescemos 4%, enquanto o resto da CEE cresceu cerca de 2,7%; no ano seguinte Portugal cresceu 6,5% enquanto os restantes países cresceram menos de metade; e assim sucessivamente, em 1988, nós 7,5%, os outros 4,1%; em 1989, nós 5%, os outros 3,5%...



Enfim, resumindo, durante a gestão de Cavaco Silva, apenas o ano de 1993 nos foi adverso e logo num contexto em que toda a Europa estava em crise. Com a chegada do PS ao poder, os primeiros anos de Guterres ainda beneficiaram da embalagem antes conseguida. Curiosamente, ou não, enquanto Sousa Franco foi ministro das finanças ainda houve convergência real, se bem que bem mais modesta do que nos anos anteriores. O descalabro dá-se no período pós Sousa Franco, ou seja, quando Pina de Moura, Oliveira Martins e outros que tais tomaram conta da gestão económica e financeira do país. Aí, Portugal começou a divergir claramente do resto da Europa.



Nunca mais Portugal voltou a entrar nos eixos. O mau desempenho económico do país esteve (e está) associado às políticas de faz-de-conta dos socialistas. O PS bem que tenta atirar areia para os olhos das pessoas dizendo que após 2000, também o PSD esteve no poder (pouco mais de dois anos). Pois é, mesmo nesse curto período se revelou a diferença e se iniciou um inverter de tendência de afastamento do resto da Europa, ainda que ainda em divergência.



Com a chegada de Sócrates a história está contada e nem é preciso desculpas de crises internacionais porque antes também as houve. Continuem a votar neles e depois queixem-se!



Cada país tem os políticos que merece.



Publicado na edição de 04Mai2009, na secção "Mesa Redonda", do Jornal Ecos.

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