segunda-feira, 27 de junho de 2011

Os Certificados de Aforro e a Inflação

Noticiava o Expresso deste fim-de-semana que os portugueses estão a abandonar os Certificados de Aforro enquanto produto de poupança. Não admira: quem poupa desta forma reúne fortes probabilidades de ficar... mais pobre.
As fórmulas que foram definidas para remunerar os Certificados de Aforro (CA) podem ser até muito bonitas mas esquecem quase sempre um factor fundamental: é preciso garantir que a renúncia temporária ao consumo no presente não se transforme numa renúncia definitiva pela perda de poder aquisitivo. Se episodicamente a mera indexação à Euribor pode até garantir tal desiderato; outros há, como o actual, em que o desfasamento entre a rendibilidade líquida de impostos e a inflação é demasiada.
A solução, a meu ver, passa por introduzir a variável inflação nos automatismos para a definição do rendimento - taxa base mais prémios de permanência - de forma a garantir que a remuneração líquida de impostos seja, no mínimo, igual à taxa de inflação média para os mesmos períodos.

sábado, 18 de junho de 2011

O fim do "eduquês"?

O primeiro artigo que escrevi na coluna ad valorem tinha o seguinte texto:
«O "Eduquês" em discurso directo. Este é o título do livro que li durante a pausa lectiva da Páscoa. Nele o autor, Nuno Crato – doutorado em Matemática Aplicada e docente no ISEG –, “disseca com rigor e impiedade os lugares‑comuns em educação.” Recomendo… muito mesmo!» (Publicado em 21 de Abril de 2006).
Eu sei que muitos não irão gostar... em especial a actual classe dirigente do Ministério da Educação. Pela minha parte, se em 2006 já defendia que deviam ser a Pedagogia e as Didácticas as únicas linhas orientadoras do Ensino, agora tal convicção está reforçada por força da passagem de certas pessoas pelo Ministério da Educação que de Educação, afinal, não percebiam nada.
Vai ser difícil combater os vícios instalados, mas tenho fé... Boa sorte Nuno Crato.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

PPC

A primeira vez que dirigi a palavra a Pedro Passos Coelho foi para discordar da posição que no momento assumia. Todavia, ao contrário dos demais que o acompanhavam, PPC foi o único que entendeu como pertinente a mensagem por mim veiculada e foi também o único que teve a humildade de rebater os meus argumentos, contrapondo a sua própria visão. Enfim, apesar de não termos concordado em tudo, ganhei respeito a alguém que não temia o debate político e que descia do pedestal para falar de igual para igual com quem o confrontava. Pelo contrário, de Manuela Ferreira Leite, também presente nessa ocasião, fiquei com uma impressão negativa… e ainda subsiste.
Pouco tempo depois PPC abandonou a política activa, permanecendo afastado das lides partidárias por vários anos. Regressou quando Marques Mendes assumiu a liderança do PSD. Mais uma vez estávamos em campos opostos. Eu não conseguia ter boa impressão de alguém que um dia disse – quando era Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros do Governo de Cavaco Silva – que as pensões de miséria em Portugal tinham acabado com o aumento de umas míseras centenas de escudos que acabava de anunciar. Mas enfim, apesar de Marques Mendes não merecer a minha simpatia, não deixei de reconhecer que havia naquela direcção do PSD uma pessoa que respeitava. Porém, por pouco tempo: em Janeiro de 2006 Passos Coelho abandonou o seu cargo de vice-presidente do PSD e voltei a não me sentir minimamente representado naquela direcção.
Com a demissão de Luís Filipe Menezes – que apoiei no confronto com Marques Mendes (segundo o princípio do “mal menor”) – Passos Coelho avançou pela primeira vez para a corrida à liderança do PSD. Para mim a escolha era óbvia: quem era o candidato que sempre rejeitou a prática de golpes indignos para minar o terreno dos adversários? Quem foi que preferiu apresentar-se a sufrágio suportado apenas pela força das suas ideias? Aceito muito bem as diferenças de opinião mas não tolero falhas de carácter.
Não foi à primeira, foi à segunda. Fui e voltei a ser o seu mandatário em Estremoz nas eleições internas do PSD, assim como participei nos eventos por ele promovidos com vista à conquista da liderança do partido. Da sua parte, por seu turno, contra ventos e marés, disponibilizou-se para vir apoiar a minha candidatura autárquica a Estremoz… evento que não se realizou (por razões que agora não vêm ao caso) mas que, mesmo que se tivesse realizado, também não seria por isso que as eleições locais teriam um desfecho diferente… de qualquer modo, registei com agrado o seu gesto.
Neste fim-de-semana, Pedro Passos Coelho ganhou as eleições legislativas. Vai ser o nosso próximo primeiro-ministro. Desejo que tenha muito sucesso… para bem de todos nós. Boa sorte Pedro! Boa sorte Portugal!

Publicado na edição de 09Jun2011 do jornal "Brados do Alentejo";
Também publicado em EstremozNet;
A imagem foi colhida no sítio para o qual aponta a respectiva hiperligação.

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