domingo, 31 de janeiro de 2010

Euribor Janeiro 2010

Os indexantes para os contratos de financiamento cuja renovação ocorre durante o mês de Fevereiro são os seguintes:
  • Euribor a 3 meses: 0,680%
  • Euribor a 6 meses: 0,977%
Para saber a taxa de juro a aplicar  basta adicionar o spread.
Os efeitos da redução da taxa de juro só irão evidenciar-se a partir do mês de Março.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Mercado Municipal?


Devo confessar que fiquei surpreendido com questão formulada pela Redacção deste jornal. Melhor dizendo, não percebi sequer o seu alcance. "Concorda com a suspensão das obras do Mercado Municipal?" É claro que concordo, caso contrário não teria votado favoravelmente a interrupção dos trabalhos a pedido do empreiteiro.
Salvo melhor informação, a suspensão das obras justificou-se exclusivamente pelo facto das condições climatéricas actuais serem adversas. Ao que penso saber, a aplicação de estuque em paredes ensopadas de humidade é desaconselhada. Tal justificação é, para mim, suficiente. Ponto final.
Arrumada que está a questão aproveito a oportunidade para me pronunciar sobre outros temas conexos ao inicial. Para começar refiro que tenho fundadas dúvidas que a obra em referência venha algum dia a ser mercado municipal. Primeiro, porque os comerciantes que actualmente exercem a sua actividade no Rossio me transmitiram que, da parte deles, não há qualquer entusiasmo em virem a ocupar o novo espaço. Alegam que não foram ouvidos pelo anterior executivo municipal e que nem sequer notaram qualquer disponibilidade para o diálogo numa decisão que os deveria envolver. Depois, porque do que me foi dado ver no local da obra não me pareceu que esta reúna condições para o exercício das actividades a que supostamente se destina. Já alguém viu uma praça de peixe sem superfícies laváveis? Eu não!
Independentemente da obra em referência vir a ter, ou não, a utilização inicialmente prevista, um aspecto que reputo de muito importante é que não se desperdice o dinheiro de todos nós. Já ali se "enterraram" várias centenas de milhares de euros – seguramente mais de ½ milhão – e, por conseguinte, seja a utilização final de praça do peixe, de lugar de frutas ou de serviços municipais, o importante agora é garantir o adequado aproveitamento do investimento já realizado. Por outro lado, defenderei nova suspensão da obra se tal vier a ser necessário, nomeadamente para assegurar que esta não está concluída antes de ver aprovada a sua candidatura a fundos comunitários (condição indispensável para o seu financiamento).
Não sei se correspondi à expectativa da redacção do jornal, mas esta posição é a única que posso assumir nesta altura.

Publicado na rubrica "Mesa Redonda", na edição de 29Jan2010 do Jornal Ecos.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Acta n.º 1/2010 da CME (06Jan2010)


Já está disponível para download no sítio http://advalorem.antonioramalho.net a acta (oficial, aprovada) da reunião da Câmara Municipal de Estremoz realizada no dia 06 de Janeiro de 2010.
Para acesso directo ao artigo, clique nesta hiperligação.


domingo, 24 de janeiro de 2010

Comentário no blogue “A nossa terrinha”


Como contraponto a algumas das afirmações proferidas neste blogue – tanto no post original como na "actualização" e nos comentários subsequentes – gostaria de exprimir a minha opinião.

Antes de mais quero apresentar-me como cidadão estremocense (daqueles que nasceram, cresceram e passam pelo menos 300 dias por ano nesta terra).

Creio ser relativamente pacífica a ideia de que o nosso Rossio deveria ter uma utilização diferente daquela que tem hoje. Até aí estamos todos de acordo. Deixamos, todavia, de estar de acordo quando, ao invés de se procurar dar um contributo cívico de forma positiva e esclarecida, há pessoas que preferem proferir afirmações que eu consideraria, no mínimo, jocosas (com muito mais de trocistas do que propriamente de divertidas ou engraçadas).

Começando pelo princípio eu diria que há apenas duas vias (complementares entre si) para se promover a retirada de viaturas do Rossio, libertando-o para a sua vocação histórica de espaço de convívio entre as pessoas e, não menos importante, para as feiras e mercados que ali se realizam há séculos. A primeira tem a ver com a circulação viária e com a existência de parques de estacionamento alternativos. A segunda prende-se com a disponibilidade de transportes públicos.

Analisemos cada uma destas vertentes separadamente. No que concerne ao estacionamento importa em primeiro lugar referir que este terá de ser de grande dimensão. Não basta dizer que "Estremoz é uma cidadezinha com menos de oito mil habitantes", é preciso ter consciência que esta pequena cidade regista afluxos de visitantes muito significativos. Nos Sábados de manhã – dia do tradicional mercado semanal – o número de forasteiros transcende claramente o número de residentes, ficando todas essas pessoas concentradas no espaço a que desde sempre chamamos a nossa "sala de visitas", o Rossio. Logo, a primeira incógnita que está por determinar é quantificar os efeitos da eventual privação do acesso ao Rossio dos nossos visitantes, já que estes antes de partirem das suas origens sabem de antemão que, melhor ou pior, conseguem parar no Rossio.

Face ao que precede a solução mais óbvia seria fazer aquilo que se tem feito um pouco por todo o lado, ou seja, "enterrar" os carros em parques subterrâneos. Ora aí está, então porque não o fazemos? Não o fazemos porque Estremoz também é conhecida pela alvura dos seus mármores. O nosso subsolo é uma imensa jazida de mármore que, para além de tornar incomportáveis os custos de tal solução, iria implicar a abertura de uma imensa pedreira durante um período de tempo consideravelmente longo. Portanto, não creio que esta hipótese passe pela cabeça de alguém minimamente esclarecido.


A talhe de foice, aproveito para fazer uma referência a um estudo prévio desenvolvido pela equipa do Arquitecto Nuno Portas na década de 80 do século passado – que integrava, entre outros, Miguel Aragão e Luís Sá Pereira – o qual sugeria a criação de um anfiteatro a céu aberto no centro do Rossio, cujas bancadas seriam esculpidas no imenso banco de mármore ali existente. Defendia-se também a recriação (em diagonal da praça) do histórico ribeiro de cujas margens Nuno Álvares Pereira teria exortado os seus "alentejões" a juntarem-se a ele na Batalha dos Atoleiros. Mas lá está, tanto este estudo como aquele que veio a ser protagonizado pela equipa do Arquitecto João Luís Carrilho da Graça – o qual, sem qualquer nexo histórico ou mínima fundamentação, sugeria a criação de uma mata no Rossio – eram omissos na avaliação dos impactos ao nível do estacionamento e circulação viária. Em boa verdade, nenhuma destas equipas foi capaz de assegurar que a identidade histórica, cultural e económica do nosso Rossio se iria manter, preferindo as referências aos pontos de rotura e às novas realidades que daí emergem.

Apesar de todas estas contrariedades eu incluo-me entre aqueles que considera existir uma solução que poderá ir de encontro ao propósito de reservar uma das maiores praças do país para as pessoas. Mais: acredito nesta possibilidade sem colocar em causa a denominada civilização do automóvel, indo inclusivamente ao encontro das necessidades específicas dos automobilistas e articulando estas com as necessidades dos peões (que os primeiros também são). Por detrás do Convento dos Congregados existe um espaço que reúne o melhor de dois mundos: (1) é muito próximo do Rossio; e (2) é uma área que foi objecto de aterro (ou seja, os afloramentos marmóreos estão a cerca de 4 metros da actual superfície. No espaço do actual mercado abastecedor é tecnicamente possível, com custos aceitáveis, conceber uma área de estacionamento com dois pisos abaixo do nível do solo e mais dois (ou mesmo, três) pisos acima deste em silos. A volumetria do Convento dos Congregados comporta, sem chocar, uma edificação de grandes dimensões, deixando aos arquitectos a imensa responsabilidade de a compatibilizar com o enquadramento da envolvente.

Temos, todavia e ainda assim, um problema: é aí que a Câmara Municipal está a projectar edificar o novo edifício da biblioteca e arquivo histórico municipal. Não travar esse projecto será um erro colossal, já que é conflituante com a única alternativa verdadeiramente aceitável de resolver o problema do Rossio. Demais a mais, para a biblioteca o que não faltam são soluções alternativas, as quais até poderiam passar pelo restauro de imóveis de qualidade no próprio Rossio, como sejam a Casa Inglesa ou o Hotel Alentejano.

De uma coisa precisamos estar cientes: sem capacidade para receber os nossos visitantes, Estremoz perde as características que a tornam atractiva para aqueles e, desta forma, perde a sua identidade histórica, cultural e económica.

No que concerne aos transportes públicos a questão coloca-se do lado da viabilidade económica e financeira dos mesmos. Sendo uma cidade pequena, são também mais pequenas as economias de escalas potenciáveis. Ainda assim, sou de opinião que tal hipótese ainda não foi devidamente avaliada. Uma pequena frota de minibuses, preferencialmente ecológicos, poderia ser suficiente para suprir as necessidades de deslocação urbana dos residentes e daí colher o contributo necessário para descongestionar tanto o Rossio como também outras áreas críticas da cidade. Por paradoxal que possa parecer aos forasteiros, nós também temos "hora de ponta" em Estremoz.

Agora que já exprimi o meu julgamento sobre o tema central do post, não posso deixar de me manifestar igualmente sobre a atitude de algumas pessoas que se pronunciaram antes de mim, bem como sobre alguns erros nele existentes.

Começando pelos erros e excluindo aqueles que já foram devidamente assinalados pelo autor do Kruzes Kanhoto – blogue do qual me confesso admirador e através do qual cheguei aqui – devo dizer que o projecto constante na "actualização" não é aquele que foi o vencedor do concurso de ideias. Trata-se, afinal, daquele que ficou em segundo lugar e que, em minha modesta opinião, até é mais agradável que o vencedor.

No que concerne às atitudes devo dizer que não aprecio particularmente aqueles que se acham donos da verdade e que pretendem tratar os seus semelhantes como se de seres inferiores se tratassem. Ao longo de todo o post nota-se uma certa condescendência relativamente aos estremocenses, os quais se depreende não possuírem a necessária cultura para valorizarem o que têm. Muito obrigado pela preocupação, mas dispensamos tal atitude.

Depois vêm alguns comentadores:

"Todo esse espaço no coração da cidade seria algo completamente diferente noutro país (desenvolvido). Quando penso que o absurdo do que já presenciei neste país é inultrapassável, descubro que me enganei." Portanto, Vossa Excelência pertence ao grupo de pessoas que merece viver num país desenvolvido. Parabéns! Nem sabe como ficamos felizes por isso.

"Eh eh eh, grande post! Vocês são as melhores! Conseguirem fazer-nos rir com uma coisa tão triste..." Há outras coisas que são igualmente tristes…

"Pergunto: será que um espaço nobre como o Rossio de Estremoz não poderia ter um uso também ele nobre e que se constituísse numa mais-valia para a cidade?" Podia e deve tê-lo. Porém, é importante não esquecer também as mais-valias de que já dispomos e que estão na origem da atracção de visitantes a Estremoz…

"Não é a possibilidade de estacionamento que salva o comércio (basta ir ali ao lado a Espanha para perceber isso) ou que traz as pessoas ao centro. Os dias do mercado semanal são a prova disso: não se pode estacionar na placa central mas milhares de pessoas afluem ao centro." Era mesmo bom ter-se informado antes de ter feito esta afirmação.

"Mas Carlos, Espanha é primeiro mundo." A Lusa noticiou que, e cito, "Uma mulher morre em Espanha em cada cinco dias, em média, vítima de violência doméstica". Bonito primeiro mundo o seu.

Finalmente, excluindo a do estremocense Kruzes Kanhoto e sem qualquer desrespeito para com as demais, registei mais uma opinião esclarecida:

"O caso de estremoz conheço-o bastante bem. A minha opinião é um misto da tua com a do Kruzes Kanhoto. Concordo com a reabilitação da praça central por uma questão de beleza, mas terá de se construir um estacionamento daquele tamanho noutro sítio qualquer .(não sei se isso está contemplado no projecto). Não é a gente de Estremoz que ali estaciona, são as gentes das várias aldeias/montes vizinhas. Esses é muito natural que usem o carro para ir a Estremoz, na minha opinião. E sim, nos dias de mercado confirmo que a praça está aberta ao estacionamento, é onde todos estacionam para vir ao mercado."

Obrigado pela vossa atenção.
António J. B. Ramalho

sábado, 23 de janeiro de 2010

Crónica do tempo que passa



Se esta coluna fosse traduzida para uma língua estrangeira um francês diria certamente que o título correspondia uma "verdade de La Palice", um inglês mais fleumático diria tratar-se de um truísmo, enquanto um espanhol não perdoaria "tonterías de portuguesitos, todas las crónicas son del tiempo que pasa". Provavelmente, nenhum estrangeiro perceberia que estou a fazer uma alusão ao poema de Manuel Alegre intitulado "Trova do tempo que passa".
Aliás, a escolha de Portimão para o anúncio da intenção de candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República está carregada de simbolismo e não é menos evidente que o título deste artigo. Alegre quer ser o Manuel Teixeira Gomes do séc. XXI, ou seja, Presidente Poeta (se bem que o segundo se notabilizou mais pela sua prosa salpicada de erotismo…).
Para mim o que está em causa não é se Alegre vai dar, ou não, um bom Presidente da República. Se poderá vir a ser melhor que Cavaco Silva ou, se já fosse presidente, se teria deixado impune o episódio Charrua ("há sempre alguém que resiste"), se condenaria publicamente a vigilância policial exercida sobre os sindicatos ("há sempre alguém que diz não") ou se, pelo contrário, velaria "a noite mais triste, em tempo de servidão" passivamente, num clima de pretensa cordialidade institucional.
Para mim, e para mais ½ dúzia que concordam comigo, o que está em causa é o modelo constitucional vigente estar errado. Remete os presidentes para papéis pouco mais que simbólicos, ao mesmo tempo que permite, nos casos de maioria absoluta na Assembleia da República, o poder absoluto de um primeiro-ministro que subjuga quase tudo e quase todos impunemente. Se não houver maiorias parlamentares, é o oposto, aqui d'el Rei porque o país fica ingovernável. Em suma não há meio-termo, é 8 ou 80.
O facto de ter considerado simbólico o papel dos presidentes não significa, necessariamente, que o Presidente não tem poder. Tem poder e, do meu ponto de vista e em algumas situações, até tem demasiado. Um mau presidente (seja ele quem for) é um cancro para a democracia. Tem a capacidade de empatar (nada mais perturba quem trabalha que a presença de quem nada faz), tem o poder de minar a acção do Governo quando lhe é permitido dizer sem ter a responsabilidade de fazer (não queremos cá quem muito saiba mas sim quem faça melhor).
É tempo de os presidentes passarem a ser os líderes do Governo. É tempo de o actual papel cometido aos presidentes passar para um Senado. É tempo da Assembleia da República legislar de forma independente do Governo. É tempo de equilíbrio de poderes. É tempo de Presidencialismo.

Notas:

Publicado na edição de 21Jan2010 do Jornal Brados do Alentejo.
Escrevi outros artigos sobre esta temática, nomeadamente Bloco Central, A queda das máscaras, Democracia perversa e Estabilidade governativa só para citar alguns.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Reunião CME 20Jan2010



Estas são as minhas notas da reunião de Câmara de hoje.
Quem quiser consultar a documentação disponibilizada aos vereadores poderá fazê-lo aqui.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Acta n.º 27/2009 da CME


Já está disponível para download no sítio http://advalorem.antonioramalho.net a acta (oficial, aprovada) da reunião da Câmara Municipal de Estremoz realizada no dia 16 de Dezembro de 2009.
Para acesso directo ao download clique aqui.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Euribor a 3 meses bate recordes


Ao contrário do que muitos analistas previram as taxas de juro não recomeçaram a subir no início do novo ano. Aliás, conforme se pode constatar na imagem junta, as taxas não só continuaram a cair como até desceram de forma acentuada desde o último dia útil de 2009 (30 de Dezembro).
Isto só pode significar que os bancos continuam com liquidez abundante, situação que contrasta claramente com as dificuldades hoje existentes para se aceder ao crédito bancário. Depois do descalabro do mundo da finança que caracterizou a segunda metade do ano passado, os ajustes estão sendo feitos aos solavancos, sendo inclusivamente admissível que este excesso de liquidez no sistema bancário seja precisamente resultante da disciplina autoimposta na concessão de novos créditos.
Enfim, seja lá porque razão for, uma coisa é certa: a média mensal da Euribor a 3 meses já está abaixo dos 0,7% facto que poderá gerar - pela primeira vez (e talvez única nas nossas vidas) - que a taxa de juro efectiva dos empréstimos à habitação (indexados a esta) fique abaixo de 1% (mesmo considerando um spread de 25 pontos base (0,25%)).
Sexta-Feira passada, dia 15 de Janeiro, poderá tornar-se um dia histórico para os endividados deste país - que somos quase todos - já que foi o dia em que média mensal da Euribor3 ficou aquém dos 0,7%. A manter-se esta tendência até ao final do mês, aqueles que tiveram o bom-senso de alterar o indexante para esta taxa de referência (ao invés de se manterem na Euribor6, como é mais comum) colherão os benefícios de tal opção a partir de Março de 2010, nos contratos cuja revisão da taxa ocorra durante o próximo mês de Fevereiro.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Professor sofre...


Sem comentários

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A origem das expressões populares


Não sou o autor nem faço ideia quem seja. Recebi por e-mail e decidi compartilhar aqui.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O PSD está muito doente - Portugal - DN

Parafraseando Gabriel Alves eis um "remate rasteiro a meia altura por cima da barra"...

O PSD está muito doente - Portugal - DN

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Contradições

Vamos lá a um "suponhamos". Suponhamos que um pai ou uma mãe contraria o instinto natural de um filho, ainda criança, de comer em excesso doces ou outras guloseimas que, a prazo, sejam consideradas potencialmente perigosas para a sua saúde. Suponhamos agora que o outro progenitor – o pai ou a mãe, agora para o caso não interessa – não liga pevide às "esquisitices" do cônjuge e que, por regra, lhe faz todas as vontadinhas. Parece evidente que aos olhos da criança, pelo menos neste capítulo, o ascendente que dá resposta pronta aos seus anseios goza da sua preferência, enquanto o outro passa por "mau da fita". Certo?


Ok. Imagine agora uma localidade brasileira chamada Angra dos Reis. Imagine também o corredor da Prefeitura (Câmara Municipal lá do sítio) cheio de promotores imobiliários a quererem construir no morro sobranceiro à Praia do Bananal. Finalmente, imagine que o Prefeito (o Presidente da Câmara lá do sítio) é, como se diz por cá, um gajo porreiro. Conforme disse e volto a sublinhar agora, aquilo que afirmei atrás é só imaginação, na medida em que não faço a mais pequena ideia se a construção existente no morro onde ocorreu o deslizamento de terras era clandestina (resultado da permissividade do município) ou se era licenciada (resultante, portanto, do facilitismo autárquico). O que sei – aliás, agora que o cheiro a morte está impregnado no local, já todos sabem – é que aquelas construções jamais podiam existir naquele local.


Bom, onde é que esta conversa nos leva? Leva-nos à conclusão que a democracia também tem aspectos perversos. São frequentes os casos em que os "porreiros" ganham as eleições aos que se rebelam contra o porreirismo malévolo. Devem então os eleitores ser tratados como aquelas crianças que só querem comer o que lhes faz mal? Jamais! A minha experiência pessoal ensinou-me que, assim o queiram, todos podem aprender. Para alguns pode levar mais tempo, mas que lá que aprendem, isso aprendem. Digo mais: quando não aprendem a bem, aprendem a mal, com o tempo e com os desenganos da vida. Portanto, a minha fé na Democracia é inabalável. (Neste momento, em Angra dos Reis, já todos devem ter aprendido que o porreirismo tem consequências).

Por cá andamos mais uma vez às voltas com as contradições de alguns políticos. Todos se dizem democratas mas, na hora da verdade, chega-se à conclusão que há quem não vá à bola com petições, plebiscitos ou referendos. O curioso é que alguns dos opositores eram, até há bem pouco tempo, defensores da democracia directa exercida através de assembleias populares (daquelas de voto de braço no ar). Porque será que não querem referendos (a forma mais legitimada de democracia directa)? Será porque o voto secreto nos referendos inibe a coacção pessoal exercida nos plenários? Olha-me estes democratas!



Publicado na edição do Brados do Alentejo de 07Jan2010


Nota: Publiquei dois posts cujos conteúdos estão intimamente relacionados com os de hoje. Foram eles: Democracia Perversa e Democracia representativa.



As imagens foram colhidas nos locais para os quais apontam as respectivas hiperligações.

Reunião CME 06Jan2010


Estas são as minhas notas da reunião de Câmara de ontem.

Quem quiser consultar a documentação disponibilizada aos vereadores poderá fazê-lo aqui.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Frases... (VII)


Falar bem e proceder mal não é outra coisa senão condenar-se cada um pela própria voz.




Iacopo Passavanti

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