quinta-feira, 28 de maio de 2009

Loucos geniais - histórias

Reza o ditado popular que "de génio e de louco todos temos um pouco". Alguns episódios recentes fizeram com que me lembrasse deste provérbio. Recordei-me também de uma anedota que se contava na minha juventude. Referia-se ela ao facto de terem fugido 500 malucos do manicómio. Iniciada a busca dos evadidos rapidamente apanharam 3000, só que… não era nenhum dos que lá estavam.

Às vezes não sei bem se malucos são aqueles que têm uma monumental pancada ou se neste conjunto devemos incluir todos aqueles que os rodeiam e que lhes alimentam as taras. Vou dar um exemplo. Conheci um sujeito que certo dia um colega de escola perguntou por ele ao seu pai. Como é natural, o amigo referiu-se ao jovem pelo seu nome próprio. O pai parece que não gostou que o filho fosse tratado de forma tão displicente (pelo nome próprio) já que este tinha acabado de se licenciar e respondeu: "o Dr. Fulano (referindo-se ao filho) está ali no Alentejano (um certo café numa terra alentejana que não a nossa) com o (e agora invento os nomes) Manuel, com o Joaquim e com o Rafael." Curiosamente, os três acompanhantes, aqui tratados pelos respectivos nomes sem qualquer vénia, eram, todos eles, personalidades de destaque naquele meio provinciano, tipo juiz, reitor de colégio e o regente da orquestra lá do sítio.
Anos mais tarde, este tal Dr. Fulano, dono de um ego desmesurado, depois de ter passado boa parte da sua vida a bajular os seus superiores, conseguiu ele, finalmente, um cargo público de reconhecido destaque. Iniciada a sua gestão, as coisas não lhe estavam a correr de feição. Então reuniu o seu staff e saiu-se com esta: "vocês não têm pedalada para mim!". Resumindo: a culpa era dos colaboradores que se limitavam a cumprir as suas orientações. Ora aí está uma saída genial típica dos incompetentes: a culpa é sempre de outros (e, efectivamente, é, mas apenas porque os aturam).


Friedrich Nietzsche, antes de (também) enlouquecer, escreveu uma frase que descreve bem este tipo de personagens: "Em todos os grandes impostores existe uma ocorrência notável à qual devem todo o seu poder: têm o génio de transmitir uma inabalável confiança em si próprios e no resultado das suas acções, que se afiguram de forma milagrosa e atraente aos que os cercam". Este fenómeno baseia-se num simples encadear de causas e efeitos: líder que acredite estar destinado a grandes feitos, tende a piorar sempre que aqueles que o rodeiam lhe dão crédito. Se num primeiro momento todos podemos ser apanhados de surpresa – afinal, se tais personagens estão tão confiantes devem ter alguma razão para isso – deixa de haver desculpas quando se percebe o embuste.

Não andamos nós a alimentar taras e manias a quem não merece?

Publicado na edição do Brados do Alentejo de 28 de Maio de 2009

terça-feira, 26 de maio de 2009

Na ponta da língua

Com as reformas da Milú em breve todas as nossas crianças serão assim.

Baby Girl on Jay Leno Show, Truly Astounding!

sábado, 23 de maio de 2009

As regras do espancamento




Andei por aqui a aprender umas coisas e concluí:

  1. Isto é assunto que deve ser resolvido entre marido e mulher e nunca, mas nunca mesmo, à frente das crianças;
  2. Não deve causar sangramento ou hematomas no corpo;
  3. Deve-se evitar atingir a cara ou outras partes sensíveis do corpo...

Posto isto, só vejo uma solução: umas palmadinhas no rabiosque, com suavidade (com algum carinho até) e, vai daí, as coisas até podem acabar bem... ainda que igualmente em pecado.


quinta-feira, 21 de maio de 2009

Euribor voltou a subir

Estou longe de saber se se trata de uma variação episódica ou se, pelo contrário, se trata de uma inversão de tendência. A minha opinião aponta (pelo menos, por ora) para a primeira das hipóteses.

A subida da cotação do petróleo e das taxas de juro são por alguns encaradas como "boas notícias a médio prazo". O problema é que nós vivemos em Portugal. Com o endividamento que já temos e com a dependência energética que evidenciamos, estas são sempre "más notícias, com tendência para agravar a médio prazo".

Enfim, vamos esperar para ver.

domingo, 17 de maio de 2009

Obstrução de caminhos na Serra d'Ossa

A propósito de um post do meu amigo Jorge Pereira no Estremoz "Revisited" remeti-lhe o seguinte comentário:

«Permitam-me que partilhe aqui convosco a minha opinião.
Em muitos países (com destaque para a Inglaterra) o conceito de propriedade privada sempre foi levado muito a sério. Pessoa que fosse apanhada a devassar ou invadir tal propriedade seria, no mínimo, presa. Talvez por isso mesmo, em contrapartida, proprietário que se apropriasse ou obstruísse um caminho público também ia preso. Lá, caminho público significa mesmo "público".
Face às condicionantes anteriores, resulta evidente que em tais países as pessoas que não são proprietárias apenas podem desfrutar dos prazeres do campo a partir dos caminhos públicos ou, se tiverem rendimentos suficientes para o efeito, aderindo a um country club, que mais não é que uma propriedade rústica comprada por um conjunto alargado de urbanos que franqueia (mediante franquia nada barata) o acesso ao mundo rural.
Em Portugal a tradição sempre foi diferente. Por propriedade privada apenas se entendia aquela que estava devidamente murada. No entanto, está a evoluir de forma acelerada no sentido anglo-saxónico do termo, facto que implicará necessariamente uma intervenção das autoridades públicas no sentido de repor um novo equilíbrio que resulta da alteração do paradigma inicial.
Assim, em concreto e relação à Serra d’Ossa, há que averiguar se:
1. os caminhos agora obstruídos são públicos ou privados;
2. se mesmo sendo privados, se sobre eles recai algum ónus de servidão.
Em qualquer das duas situações anteriores, qualquer pessoa (mas terá mais impacto se forem muitas mais) poderá reclamar junto das autoridades públicas a respectiva desobstrução. Mais: os prevaricadores deverão ser condenados pelo seu comportamento abusivo e, para além disso, sobre eles devem recair todos os encargos decorrentes da desobstrução das vias.
Verificando-se que tais caminhos são efectivamente privados e que, por conseguinte, os proprietários tiveram legitimidade legal para fazerem o que fizeram, penso, ainda assim, que as autoridades públicas, com especial destaque para a autoridade municipal, deverá encetar diligências no sentido de (re)criar corredores ou trilhos – seja por expropriação, seja pela imposição de servidão pública – que permitam aos cidadãos desfrutar deste imenso património natural que é de todos nós. Importa ter presente que o potencial turístico, em especial na área do turismo da natureza e de aventura, ficará seriamente comprometido na ausência de tal intervenção. Tal acção poderá ter custos não negligenciáveis – nomeadamente os que decorrem de indemnizações ou da mera obrigatoriedade de vedar as propriedades afectadas por tal iniciativa – porém, sou da opinião de que os benefícios irão compensá-los largamente.»

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Bloco Central

Tudo começou com Cavaco Silva quando disse, no dia 25 de Abril, que as "forças políticas devem ter presente que sobre elas recai a grande responsabilidade de encontrar soluções de governo". Dois dias depois, instada por Mário Crespo a comentar estas declarações, Manuela Ferreira Leite revelou uma autenticidade pouco comum nos dias que correm, ao responder, em tese e em abstracto, que se sentiria confortável com qualquer solução em que acreditasse, sem excluir, em concreto, um eventual entendimento com o PS. E pronto, desde então nunca mais se deixou de falar de um hipotético regresso do denominado Bloco Central, apesar de, no dia seguinte, a líder do PSD ter clarificado não desejar qualquer acordo com Sócrates.


Mais recentemente, também José Sócrates considerou o bloco central "uma ilusão". Para ele a única saída está numa maioria absoluta do PS, já que esta é "a melhor forma de garantir a estabilidade política", reeditando a mensagem de Cavaco, em 1991, quando pediu uma "maioria clara" como forma de assegurar a governabilidade do país. Ainda que noutro contexto, dizia há dias Adriano Moreira – aliás citando uma frase de Jonh Acton proferida ainda no séc. XIX – que "o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente". Se alguém tem dúvidas da exactidão desta frase, estou em crer que os tiques autocráticos que Sócrates tem revelado podem ajudar a desvanecê-las.


Por outro lado, a ideia de um eventual bloco central para evitar este cenário é igualmente deprimente. Se os partidos que habitualmente alternam no poder se aliarem, as alternativas que restam são os demais partidos que, por ora, não têm merecido a confiança da maioria dos portugueses. É como mandar apagar a luz ao fundo do túnel.


Posto isto, ficamos perante um dilema: o que preferimos nós, a estabilidade ou a instabilidade política? Pela parte que me toca, já o disse e escrevi por várias vezes, continuo a entender que a nossa arquitectura constitucional é a principal culpada de toda esta celeuma. Sem maiorias parlamentares não há estabilidade governativa e, em contrapartida, quando existem, não há freios e contramedidas que impeçam o poder absoluto de um só partido, quiçá de uma só pessoa, porque não existe uma efectiva separação dos poderes executivo e legislativo. Insisto: não havia necessidade de sermos forçados a esta escolha. No presidencialismo a estabilidade governativa estaria garantida. Cada mandato duraria 4 anos e nada nem ninguém impediria que assim fosse. Por outro lado, teríamos um parlamento que, sendo independente do governo, garantiria os direitos fundamentais do cidadão e preveniria os abusos de poder.


Elegendo o presidente em 2 voltas teríamos também direito à segunda escolha e, desse modo, a optar pelo menor dos males. Como Régio no "Cântico Negro" poderíamos dizer: «não sei por onde vou, sei que não vou por aí!»


Publicado na edição do Brados do Alentejo de 14 de Maio de 2009

All Rocky movies in five seconds

Vi e não resisti. Onde vi diziam que qualquer dia, face ao ritmo frenético a que vivemos o dia-a-dia, todos os filmes serão assim... com 5 segundos de duração... "mais coisa menos coisa" (como dizem os protagonistas de "As Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos")!

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