quinta-feira, 26 de junho de 2008

Breve história dos choques petrolíferos


Tudo começou com um ataque surpresa em duas frentes: o exército sírio atacou os Montes Golã; enquanto o exército egípcio atacou as posições israelitas na península do Sinai e em torno do Canal do Suez. Celebrava-se o feriado de Yom Kippur da religião judaica – Dia do Perdão – mas o que os árabes menos queriam mesmo era perdoar. Durante a primeira semana deste conflito israelo-árabe a vantagem esteve do lado dos atacantes, os quais ainda hoje celebram tal batalha por terem conseguido infligir algum sofrimento à nação judaica. Porém, durante a segunda semana do conflito Israel conseguiu equilibrar a contenda, para depois, na terceira e derradeira semana de guerra – e já com o apoio bélico dos Estados Unidos – acabar a humilhar novamente os árabes.

Em resposta ao apoio americano (e também europeu) a Israel, os países árabes produtores de petróleo encetam um embargo do qual resulta uma variação do preço do petróleo de $3, em Outubro de 1973, para $11, em Janeiro de 1974. Eis o primeiro choque petrolífero. O curioso da situação foi, conforme confessou o ministro saudita do petróleo na época, – Sheik  Ahmed Zaki Yamani – "o embargo era mais simbólico que outra coisa", já que os países árabes não podiam passar sem “as importações dos Estados Unidos”. Portanto, foi quase por acidente que descobriram a força que tinham e o impacto que podiam gerar na economia mundial.





Em 1979, a revolução islâmica em Teerão depôs do Xá da Pérsia e permitiu a ascensão ao poder do ayatollah Khomeni. De um momento para o outro a OPEP vê-se privada dos 13% da produção iraniana, facto que induziu uma subida da cotação do petróleo para $40 em Abril de 1980 (equivalente a $101 a preços actuais). É o segundo choque petrolífero.
As consequências destes dois choques petrolíferos foram avassaladoras para a economia mundial. No entanto, tiveram uma virtude: a busca de alternativas no mar do norte, na Rússia, na Venezuela, etc. É em reacção a este contexto que se dá o contra-choque petrolífero de 1986. Para impedir a exploração desses novos produtores, os árabes desta vez decidiram inundar o mercado com abundância levando a que o crude caísse para $10.


Entre 1986 e 1999 – ou seja, os dois momentos em que o petróleo esteve mais barato – só em 1990 se registou uma ligeira crise por ocasião da primeira guerra do golfo, na qual a cotação atingiu episodicamente a barreira dos $50.

Com a entrada no novo milénio tudo se alterou. Se por um lado o mundo ocidental reduziu ligeiramente a sua dependência do petróleo, as economias emergentes têm vindo a incrementar a procura ano após ano. Em 6 anos – entre 2002 e 2008 – a cotação do crude subiu 6 vezes. Vivemos o terceiro choque petrolífero. Este é, seguramente, o mais grave alguma vez vivido… mas também para este haveremos de arranjar solução.

Nota: Por qualquer razão que não compreendi, o segundo parágrafo deste artigo esteve "desaparecido" facto que lhe retirou o sentido. Hoje - 07Mai2012 - apercebi-me e voltei e repor o texto original.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Estado: uma pessoa de bem

Um estudo do Prof. Medina Carreira, de 2005, revelou que entre 1960 e 2005 a nossa economia cresceu 5,5 vezes (80% entre 1960 e 1970; 57% entre 70 e 80; 43% entre 80 e 90; 30% entre 90 e 2000; e, finalmente, 4% até 2005). Todavia, a nossa qualidade de vida não cresceu na mesma proporção. Desde logo, porque os impostos cresceram no mesmo período 13,8 vezes, ou seja, em termos relativos, quase 8 vezes mais. Por outro lado, o crescimento da despesa pública do Estado ainda foi superior (15,5 vezes). Será que alguém, em consciência, pode dizer que os serviços públicos de hoje são 15 vezes melhores que os existentes em 1960? São melhores, sem dúvida, mas não são 15 vezes melhores.

Aquele diferencial entre o crescimento da despesa pública e o crescimento dos impostos justifica aquele que tem sido eleito como o inimigo público n.º 1 da actualidade: o deficit. No entanto, apesar da guerra aberta ao mesmo desde o Governo de Durão Barroso, a verdade é que não só ainda não dominámos a fera, como agora chegámos ao ponto em que já não dá para sacrificar mais os contribuintes. O paradoxo agrava-se quando evidenciamos que entre 1960 e 1974 Portugal esteve envolvido num esforço de guerra imenso, o qual delapidou muitos dos seus recursos. Apesar de ser uma pequena Nação, Portugal tinha em 1974 a maior frota de helicópteros de combate da Europa. Como se justifica então que, terminada a Guerra do Ultramar, Portugal continuasse a fazer crescer a despesa pública sem retribuir benefícios aos cidadãos na exacta medida daquilo que lhes subtrai através dos impostos?

Este é daqueles mistérios em relação aos quais todos suspeitam ter uma resposta em geral. Porém – em detalhe – são poucos ou mesmo nenhuns os que conseguem explicar em concreto para onde tem ido o dinheiro. Por exemplo, vai sendo tempo de o Estado justificar porque gasta e como gasta tanto dinheiro em Estudos. No orçamento de 2006 a Presidência do Conselho de Ministros tinha inscrito no seu orçamento a módica quantia de 2,6 mil milhões de euros, enquanto o Ministério das Obras Públicas tinha orçamentado menos de 1/3 daquele valor para realizar obra visível. Como foi "distribuído" esse dinheiro em benefício das famílias portuguesas alguém sabe? Curioso foi que houve quem se apercebesse dessa cifra astronómica, pelo que no orçamento de 2008, a mesma rubrica foi reduzida para uns míseros 150 milhões de euros. Como se explica tremenda diferença?

É tempo do Estado passar a ser uma pessoa de bem.

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