quinta-feira, 25 de junho de 2009

A ousadia no embuste

Sabiam que houve um sujeito – Victor Lustig de seu nome – que em 1925 conseguiu vender a Torre Eiffel? A história conta-se em… algumas palavras. O nosso herói convidou os mais ricos sucateiros de Paris para uma reunião sigilosa no Hotel Crillon que, à época, era só o mais distinto e luxuoso da capital francesa. O propósito da reunião apenas seria revelado no decurso da mesma, já que o encarregado de missão do governo francês catalogou o encontro de matéria classificada de interesse nacional. Prestes a explodirem de curiosidade os convidados ficaram siderados com o que ouviram: "o Governo vai ter de desmontar a Torre Eiffel!". "Porquê?", perguntaram alguns… e seguiu-se a explicação: a torre tinha sido projectada como estrutura temporária – para a Exposição Universal de Paris de 1889 (que também assinalava os 100 anos da Revolução Francesa) – e agora o município estava a revelar-se incapaz de suportar os custos de manutenção. Como é evidente, os sucateiros a partir daquele momento ficaram com uma determinada zona do cérebro completamente bloqueada: sete mil toneladas de aço divididas por 15 mil peças a x o quilo… Concluindo: os sucateiros ficaram de licitar e o trapaceiro de escolher a melhor vítima para a sua jogada. O eleito foi aquele que se mostrou mais sensível às queixas do "alto funcionário" que andava a negociar milhões e tinha um salário de miséria, "pondo-se a jeito" para ser "subornado". Resultado, o pato perdeu duas coisas: o suborno (uns trocados de milhares); e mais uns quantos milhões de sinal pela adjudicação do negócio.


Resta interpretar esta história e justificar o seu propósito. Por muito que tentemos contrariar esta tendência, o nosso primeiro instinto vai no sentido de confiar nas aparências. Para vencer a resistência dos mais desconfiados há um truque adicional: ser ousado. Como a História demonstrou, houve pelo menos um dos sucateiros que achou que ninguém se lembraria de vender a Torre Eiffel se não fosse mesmo verdade... era assunto demasiado sério para brincar. Pois foi… caiu na mesma.


Paradoxalmente, o charlatão não pode abusar, saltitando de sucesso em sucesso, se não for comedido, deixa que as suas artimanhas pareçam aquilo que são: fraudulentas. Em 1934, Victor Lustig acabou preso em Alcatraz, onde fez companhia a Alphonse Capone, "amigo" que também já havia burlado, ousadamente (quem iria lembrar-se de burlar um assassino impiedoso como Capone?).


Por cá temos um primeiro-ministro que nos prometeu 150 mil empregos, não subir os impostos, manter as SCUT sem portagens e que agora faz voz de falsete nas entrevistas para dar ares de virgem imaculada. Agora já nos fala de Keynes, dos benefícios do desmesurado investimento público e diz-nos que é graças a ele que vamos, finalmente, atingir o Nirvana.


Oh Victor, perdão, José, não achas que estás a abusar?

Publicado na edição do Brados do Alentejo de 25 de Junho de 2009

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