quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Valor e reconhecimento

Nem sempre as pessoas valorosas podem contar com o reconhecimento daqueles com quem interagem. Outros há que, passada a resistência inicial, vêem não só os seus méritos reconhecidos como chegam inclusivamente a conquistar a imortalidade na memória das gerações seguintes. Vou dar alguns exemplos destes últimos casos.

Winston Churchill. O seu professor da instrução primária disse um dia que ele nunca haveria de ser grande coisa. Enganou-se. Por sua vez, a professora de Albert Einstein qualificou-o de "lerdo" e de "perdido" em devaneios tolos. O General MacArthur, comandante das tropas das Nações Unidas na Coreia, foi reprovado por duas vezes na admissão à Academia Militar. Michael Jordan, talvez o mais famoso basquetebolista de sempre, não conseguiu integrar a equipa da sua escola. Maria Callas, considerada a melhor cantora lírica de sempre, foi rejeitada numa audição no Metropolitan de Nova Iorque. Shakira, a colombiana sensual que mais discos já vendeu no mundo, integrou em criança um coro no qual conseguia irritar o respectivo maestro por causa… da sua voz esganiçada.
Enfim, os exemplos dados referem-se a pessoas que, apesar de injustiçadas em alguns momentos das suas vidas, conseguiram, por mérito próprio e posterior reconhecimento, alcançar o estrelato. Mas atenção: de uma maneira geral são pessoas que vieram a ser consideradas "especialistas" nas respectivas áreas, facto que pressupõe, naturalmente, o acesso a formação… especializada. Falemos agora de cidadãos comuns. Daqueles com quem nos cruzamos na rua. Poderão eles ser valorosos sem que nos apercebamos disso? Eu acho que sim! Bem, enfim, tenho a certeza que não me cruzo diariamente com génios, mas continuo a achar que sim. O melhor exemplo disso poderá ser o de António Aleixo, que era alguém que se definia a si próprio assim…

Fui polícia, fui soldado

estive fora da Nação

vendo jogo, guardei gado

só me falta ser ladrão

O que poucos conseguiram perceber neste anónimo cidadão, para além do jeito para as rimas, é que era uma personalidade notável, de uma imensa sabedoria talhada na crueza da vida. Aliás, mesmo nas rimas, nem sequer foi considerado notável a avaliar pelo 4.º lugar obtido nos jogos florais de Faro de 1937. Um exemplo esclarece a sua força de carácter: abandonou a polícia, ao fim de pouco mais de 2 anos por não conseguir apagar do seu cérebro a imagem da criança presa, pela sua corporação, por roubar flores para depor na campa da mãe.

Um dos seus últimos poemas, constante do incompleto Auto do Ti Jaquim, falava de reconhecimento… talvez falasse de si próprio…

Se consciente resolvi morrer

foi por saber e ser também consciente

que morrer custa menos que viver

morrendo aos poucos num mundo indiferente.

As imagens foram colhidas nos locais para os quais apontam as respectivas hiperligações.

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