quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Avós do Facebook

Este é também um sinal dos tempos. São cada vez mais as avós – atenção: estou a excluir, deliberadamente, os avôs – que aderem às novas tecnologias de informação e comunicação e, em particular, às agora denominadas "redes sociais". As "avós do Facebook" são, a cada dia que passa, cada vez mais. Passam horas a fio ao computador, resistindo-lhe menos que à tentação de um bolo com creme. Não se pense, necessariamente, que são pessoas de há muito familiarizadas com a informática. Se bem que este factor seja, inequivocamente, facilitador, a verdade é que a ausência de tal background não constitui um verdadeiro impedimento. A motivação supera muitas contrariedades e esta não parece faltar às avós do Facebook. O que é então que as anima, que as impulsiona a aderirem à informática, às redes sociais e a estilos de vida e de convivência até aí completamente estranhos para elas?

Vou tentar responder as estas questões alertando, todavia, para o facto de este não ser um trabalho científico mas tão-somente uma croniqueta quinzenal de um jornal de província. Já agora devo também confessar que se penso saber a resposta, tal sapiência foi adquirida de uma forma involuntária numa primeira fase, e depois, na fase subsequente, fazendo bom uso de um apurado "ouvidinho bisbilhoteiro".

Entre chá e torradas duas avós relatavam – de forma suficientemente audível – a uma terceira – como as primeiras avó, mas que em matéria de informática ainda nem sequer debutante era – as suas proezas na Net. Falavam de forma tão empolgada que a terceira avó parecia estar a ficar contagiada e com aparente vontade de aderir. Uma relatava o número de cabeças de gado que possuía na sua Farmville, do trabalho que tinha com a apanha dos frutos e com os cuidados da horta. A segunda das primeiras avós colocava maior ênfase nos contactos que estabelecia com os filhos – subentendia-se que migrados noutras localidades – e com os netos. Em coro falavam ambas dos contactos estabelecidos com amigos e conhecidos, das fotografias e vídeos que viam, das recordações a que tinham acesso… até que uma rematou com a derradeira resposta: "Olha, é uma companhia!".

E é mesmo: uma companhia. Depois de uma vida de trabalho a dobrar – no emprego e em casa – onde tudo era feito em contra-relógio, a pouco e pouco as coisas começam a serenar. Os filhos saem de casa, a reforma acaba por chegar e, com ela, vem também o tempo livre que lhes faltou durante a maior parte da vida. Elas merecem.

As imagens foram colhidas nos locais para os quais apontam as respectivas hiperligações.

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