sexta-feira, 24 de julho de 2009

O Feitiço da Lua


No início desta semana celebrou-se o 40.º aniversário da chegada do homem à Lua. Os americanos e a generalidade do mundo ocidental rejubilaram de alegria porque, desta forma, pensaram ter conseguido assegurar importantíssimas reservas de tout-venant (tuvenã) para as estradas e caminhos desse mundo fora. Afinal, bem vistas as coisas, mesmo naquela época em que as contas se faziam com o lápis atrás da orelha, já se sabia que era mais barato continuar explorar as pedreiras da Terra… Mas isso que importava? O importante foi que os astronautas americanos ganharam a corrida aos cosmonautas russos depois de, durante boa parte do tempo, terem estado em desvantagem. Hoje é ponto assente que se a corrida à Lua foi usada como manobra de propaganda em tempos da guerra fria, não é menos verdade que, sem tal fútil justificação, a exploração científica do espaço não teria acontecido ou, no mínimo, teria acontecido com muito menos recursos e de uma forma assinaladamente mais lenta.




Pois é, a Lua tem este poder, este encanto, este fascínio. A ela se associam algumas realidades – como a evolução das marés – e ainda mais mitos, que incluem lobisomens, loucos lunáticos, assassinos em série e amantes apaixonados. Mas, enfim, realidade ou mito, que importa? O que conta verdadeiramente é que o feitiço da lua faz, de facto, as coisas acontecerem, mesmo que tais coisas não sejam exactamente as que se anunciaram, nem que as justificações dadas para estas correspondam às verdadeiras motivações que as originaram.




Por cá, temos o nosso presidente do concelho, perdão, do conselho (de ministros) de novo embalado com o feitiço da lua. Novas promessas aí estão para os próximos quatro anos sem que – utilizando a linguagem do cronista do Correio da Manhã, António Ribeiro Ferreira – "neste sítio pobre, deprimido, manhoso, cheio de larápios e cada vez mais mal frequentado" ainda tenham sido cumpridas as anteriores, as de há quatro anos atrás. Cá para mim acho um tanto confrangedor que se queira fazer as pessoas passarem por parvas novamente, voltando a prometer um "el dorado" de realizações fantásticas que ficam, invariavelmente, por realizar. Mas enfim, é a vida, se Sócrates e os socretinos não tiverem o que merecem nas próximas eleições, então é porque o povo português não merece mesmo mais.




Paralelamente, relativamente ao processo autárquico em curso, por esse país fora voltam a ouvir-se novas promessas, que agora é que é, que até aqui tivemos de semear e que agora, no próximo mandato, é vai ser colher à fartazana. Só vos digo, caiam nessa caiam… Porque cargas de água é que aqueles que vos prometeram lua cheia (e vos mostraram o lado oculto da mesma) é que agora vão fazer aquilo que não fizeram? Até mesmo o feitiço da lua tem limites!




Boas férias!



Publicado na edição do Brados do Alentejo de 24 de Julho de 2009

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