terça-feira, 3 de abril de 2007

O Engenhêro

Não, não se trata de um erro de ortografia! Escrevi engenhêro deliberadamente. No entanto, ao contrário do que – à primeira vista – possa parecer, não vou falar do personagem que estão a pensar. Vou antes pronunciar-me vagamente sobre o significado simbólico de certas acções e, em especial, sobre os valores subjacentes a certas atitudes, nomeadamente quando uma pessoa exibe, ostensivamente, um título para enaltecer a sua imagem pública.

A mensagem que pretendo transmitir é a de que as pessoas não devem ser avaliadas pelos títulos que exibem. Pelo contrário, devem ser avaliadas por aquilo que são e, fundamentalmente, por aquilo que fazem. Na verdade, quem aposta nas aparências são, afinal, as pessoas que substancialmente pouco têm para mostrar ou, no mínimo, que acham que sem a ajuda do título exibido as pessoas com quem interagem não lhes vão reconhecer o valor que pensam ter (ou que gostariam de ter). As aparências estão associadas ao culto da imagem, ou seja, à convicção de que parecer é, pelo menos, tão importante como ser.

Este culto das aparências tem – felizmente para os que o praticam e infelizmente para os que o rejeitam – alguma razão de ser. Na verdade, ainda vai dando resultados… pelo menos, por algum tempo. Enquanto a cultura dominante não premiar devidamente o mérito, os menos capazes podem continuar, impunemente, a recorrer a este expediente. "É a vida!" como dizia o outro.

Não deve inferir-se das minhas palavras que rejeito em absoluto o uso de títulos. Se eles foram criados foi, justamente, para serem usados… porém, nas circunstâncias adequadas. O que para mim é preocupante é quando se usam prefixos académicos em contextos que nada têm que ver com as funções que, no momento, estão a ser desempenhadas. Quando este exemplo provém de pessoas que já atingiram notoriedade pública, pior. Isto é, já detêm cargos públicos da maior importância, por conseguinte, já detêm "títulos" públicos, e ainda assim pensam que evidenciar os respectivos prefixos académicos continua a ser importante. É um mau exemplo. Dá a sensação que crêem mais no "faz-de-conta" que no cabal desempenho das respectivas funções. Até parece que – conforme assinam na correspondência – ser "Dr.", "Eng." ou "Lic." é mais importante que ser Vereador ou Ministro.

Quando vejo isto a única coisa que me ocorre é uma frase que li algures num serviço público regional que dirigia a seguinte mensagem aos chefes: "Não queremos cá quem muito saiba, mas sim quem faça melhor!".


1 Comentários:

morski pas disse...

Nem é preciso comentar, pois nao???? eheheheh

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