sexta-feira, 11 de junho de 2010

Recordando Olivença


Los gobernantes son todos la misma merda. Confesso que esta frase me apanhou de surpresa. Não pelo conteúdo mas sim pelo facto de à última palavra faltar um "i" que não ouvi pronunciar. Reagi de imediato, interrompendo a dissertação do meu interlocutor espanhol, e perguntei-lhe porque razão tinha usado uma palavra portuguesa no meio de uma oratória em espanhol. Es porque soy de Olivenza, esclareceu ele acrescentando que tinha usado aquela palavra do português vernáculo para assegurar que eu o percebia bem. Então és tão português como eu, retorqui… No no, queda tranquilo, atalhou ele e depois enfaticamente, yo soy espanhol! Fiquei calado perante uma resposta tão categórica, talvez até um pouco desiludido, sentimento que o oliventino captou. Foi ele quem quebrou o silêncio – esquecendo por completo que antes estávamos a falar de política e de economia – dizendo: mi madre y mi abuela aún hablan portugués entre ellas en casa! Esta já gostei de ouvir. Os meus olhos devem ter brilhado novamente…
Confesso que achei fantástico que passados 209 anos de ocupação espanhola da Olivença Portuguesa ainda haja quem fale a língua de Camões no recato do lar. Já mo tinham dito, mas comprovado por um testemunho directo as coisas ganham outra força.
Em 1801, um valdevinos de 34 anos chamado Godoy – duque por usurpación, príncipe de iniquidad, general en la maldad, almirante en la traición, lascivo cual garañón, de rameras rodeado, con dos mujeres casado, en la ambición sin igual, en la soberbia sin par, y la ruina del Estado – comandou um poderoso exército de 30 mil efectivos e tomou, praticamente sem resistência, as praças de Olivença, Juromenha, Arronches, Portalegre, Castelo de Vide, Barbacena e Ouguela. Campo Maior resistiu por 18 dias e Elvas resistiu mesmo. Foi a chamada Guerra das Laranjas, assim denominada por o tunante ter enviado uma ramo de laranjeira para a sua amante, a Rainha Maria Luísa de Parma – uma cota de 50 anos, já desdentada mas ainda lasciva, que passou a vida a fazer filhos (15 no total), sendo a sua primeira descendência a infanta Carlota Joaquina (que casou com o nosso D. João VI) e o último o infante Francisco de Paula, um crápula que ao que parece saiu ao pai (o próprio Godoy) e que engravidou a irmã consanguínea (Carlota de Godoy). Agora vejam lá se este cromo não mereceu o título de Conde de Évora Monte que lhe foi concedido por D. João VI em 1797?
E agora querem saber a razão desta guerra? Pois bem, nenhuma ou, se quiserem, todas, se atenderem que os espanhóis se tinham metido com os franceses e tinham levado nas trombas. Daí a passarem a aliados foi um passo (não sem antes terem cedido a ilha de S. Domingos, actual República Dominicana e Haiti, a título de indemnização). O esforço agora era o de agradar a Napoleão, o qual não via com bons olhos a ligação de Portugal a Inglaterra, sua rival na hegemonia imperialista.
209 anos depois Olivença continua portuguesa… sob administração espanhola, é certo, mas ainda portuguesa.

As imagens foram colhidas nos sítios para os quais apontam as respectivas hiperligações.

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