sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Imigrantes

Deverão ser mais de 500 mil os cidadãos estrangeiros a residir em Portugal, dos quais cerca de 410 mil têm a sua situação perfeitamente regularizada perante o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Infelizmente, o número de imigrantes começou a diminuir de forma drástica em 2005, apontando os últimos números disponíveis para uma redução de quase de 50 mil cidadãos estrangeiros em apenas 2 anos (2005 e 2006). Enfatizo o infelizmente, porque quando Portugal deixa de ser bom para os imigrantes dificilmente continuará a sê-lo também para os cidadãos nacionais.

Apesar de tudo aquela cifra de 500 mil estrangeiros é significativa: corresponderão, grosso modo, a 5% da população total e a 10% da população activa. É muita gente e é também, numa perspectiva demográfica e económica, gente muito útil ao país. Desde logo porque consomem, gerando um acréscimo na pressão da procura que alimenta, sobremaneira, a actividade económica. Depois, porque a estrutura demográfica do país apresenta sinais evidentes de envelhecimento e os imigrantes são, em geral, jovens activos que contribuem para a redução do coeficiente de dependência dos idosos em relação aos jovens e para o rejuvenescimento do tecido humano do país. Quem nos dera a nós que os imigrantes se sintam confiantes para por cá se radicarem e que as gerações vindouras queiram ser portuguesas.

O maior medo que os nacionais sentem está relacionado com um eventual contributo negativo dos imigrantes para o desemprego. Do nosso ponto de vista tal receio tem uma pertinência manifestamente marginal, na medida em que os imigrantes têm sido a solução para o preenchimento de postos de trabalho que, não obstante existentes, estavam vagos há imenso tempo. Depois porque quando não há emprego para os nacionais também não há emprego para os estrangeiros e rapidamente estes voltam a migrar para outras regiões mais promissoras, não criando por isso maior pressão sobre o desemprego. Preocupante sim é o facto de sem eles a economia em geral ficar mais deprimida e desta forma criarem-se condições para que voltem a ser os portugueses a emigrar só que agora, ao contrário de no passado, serem os mais habilitados a fazerem-no.

Para os portugueses o mais dramático é Portugal, ao invés de atrair pessoas, ter voltado a ser um país de repulsão demográfica. Isso, sim, é preocupante.

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