quinta-feira, 26 de julho de 2007

Secessão ou sucessão?

Nota prévia

As opiniões expressas nesta coluna apenas vinculam o seu autor.

Os desaires de Mendes

Presumo que Marques Mendes não se sinta, politicamente falando, um homem feliz. De facto, as coisas têm-lhe corrido mal desde que, na sequência do desaire eleitoral do seu antecessor, Santana Lopes, se afirmou como alternativa à liderança do PSD. Logo nesse dia, o impacto gerado não foi exactamente aquele que se pretendia. Ao invés de se transmitir a ideia de que o seu partido se autoregenerava, o que conseguiu foi veicular uma imagem de alguma falta de decoro por não ter deixado "baixar a poeira", chocando a sensibilidade daqueles que ainda carpiam as mágoas pela derrota eleitoral sofrida. Não controlando a sua ansiedade, não esperando que Santana anunciasse que iria sair para então se afirmar como candidato à sucessão, Mendes entrou com o pé torto.

Já antes tinha tido "saídas" infelizes, nomeadamente aquela em que – sucedendo a Fernando Nogueira no anúncio das decisões do Conselho de Ministros – tornou público que o aumento da pensões de reforma iria acabar de vez com "as pensões de miséria em Portugal" (!). Ora aí está como se consegue, em segundos, transformar uma medida positiva do Governo em objecto de chacota e até de indignação por parte daqueles que sabiam da "ginástica" a que eram obrigados para fazer o dinheiro chegar.

Chegado à liderança, Mendes fez da credibilidade a sua palavra-chave. Mais uma vez teve azar. Sem pôr em causa a sua honestidade ou idoneidade pessoal, a verdade é que decorridos mais de dois anos a sua credibilidade continua em deficit. Mais: teceu uma teia de conceitos e de princípios nos quais acabou enredado. Com arguidos para aqui e impolutos para ali, mais de metade do eleitorado do PSD em Lisboa, que votou, preferiu dar a sua confiança aos arguidos. Caramba, esta deve ter doído mesmo.

E Menezes?

Será Menezes a alternativa? O homem que, no Coliseu, acusou a candidatura de Durão Barroso de ser elitista, sulista e liberal, gerando a mais monumental vaia alguma vez ouvida em Congressos do PSD? Não faço futurologia e, portanto, não excluo nenhuma possibilidade, no entanto, mesmo que Luís Filipe Menezes chegue à liderança não lhe vai ser fácil conseguir unir o Partido em seu redor.

Haverá terceira via?

Para já, não sei. Agora que existe, disso não tenho a mais pequena dúvida, assim como tenho a certeza que o próximo primeiro-ministro do PSD irá ser alguém mais apostado em unir do que em fracturar. Ou seja, irá ser um líder, isto é, alguém que, respeitado por todos, irá estar acima de correntes e sensibilidades. Era bom é que avançasse já. Portugal merece uma liderança alternativa CREDÍVEL. E o PSD tem-na!




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