quinta-feira, 12 de julho de 2007

Preconceitos e “santos de pau carunchoso”

"Contigo em contradição

Pode estar um grande amigo,

Duvida mais dos que estão

Sempre de acordo contigo"

António Aleixo in Este livro que vos deixo


Há quem entenda que uma crítica é sempre destrutiva e que quem critica deve ser considerado inimigo. Há quem pense que tudo quanto de mal acontece é culpa dos outros. Há quem considere preferível a passividade perante as injustiças à existência de pessoas que as denunciem. Há quem prefira o culto das aparências à humildade da sua verdadeira condição. Há quem pense que mudando as palavras se transforma a realidade. Há quem acredite que para se ter sucesso basta parecer bem sucedido.

Nesta coluna já foram tecidas imensas críticas – alguns elogios também, mas reconheça-se que as primeiras foram em maior número – logo, o seu autor, à luz das teses enunciadas no primeiro parágrafo, só pode mesmo ser maldizente e, necessariamente, inimigo público a abater. Neste contexto, como é evidente, se alguma coisa correr mal, então o culpado está encontrado. De facto, não se devia ter escrito que o executivo usou e abusou da "pesada herança" para não aprovar as contas da autarquia, que ao fazer uma auditoria até Outubro de 2005 andava a procurar um "bode expiatório", que plagiou descaradamente a carta educativa do concelho e que a apresentou como "nova" ao Conselho Municipal da Educação desprezando o contributo deste, que os impostos e tarifas locais subiram (em alguns casos cerca de 78%), jamais se deveria ter denunciado o autismo daqueles que andaram a fazer de conta que estavam zangados com um jornal que dominam integralmente, também não se devia ter feito referência ao abate ilegal e imoral de árvores que constituíam parte integrante do nosso património urbanístico, foi incorrecto dizer que havia um "polvo" que corrompia a dignidade de pessoas sérias mas economicamente dependentes… ufa, já chega!

Afinal, aquilo que noutras circunstâncias poderia ser interpretado como um contributo cívico, aqui, para algumas pessoas, não passa de maledicência que de algum modo belisca a imagem que alguns gostariam de ver projectada. Daqui não se deve inferir que a autarquia está a fazer tudo mal. Apenas se deve inferir que não está a fazer tudo bem. A crítica, para pessoas com autoconfiança, fá-las serem melhores, porquanto constitui um incentivo às boas práticas e a maiores realizações. Só mesmo pessoas de outra índole é que vêem mal nisso.

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