quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Change. Yes, we can!

A presente crónica está a ser escrita a apenas algumas horas da cerimónia de tomada de posse de Barack Obama como 44.º Presidente dos Estados Unidos. Bem, alguns dirão que temos por cá temas que nos devem preocupar mais. E eu concordo. Porém, não posso deixar de enaltecer o significado simbólico da mensagem transmitida em título, a qual deveria ser inspiradora para nós, especialmente num momento em que a nossa capacidade de acreditar nas mensagens dos políticos vai ficando progressivamente diminuída.

Isto porque o "we can" que Barack Obama transmite não se refere a um "nós" colectivizado e abstracto, logo, sem sentido de individualidade. Refere-se sim ao apelo a cada um dos cidadãos para que acredite nas suas próprias capacidades e ponha em prática a sua energia criativa. Afinal, a mensagem central não era que acreditassem nele, na sua capacidade política e de liderança, mas sim no somatório das capacidades individuais dos cidadãos, já que estes são, agora e sempre, os verdadeiros agentes da mudança, aqueles que a põem em prática quotidianamente.

Por cá tivemos uma mensagem similar, transmitida por António Sérgio, que dizia "Para o portuguesinho valente, a culpa é sempre dos governos!". Como é óbvio, esta mensagem não "passou". Se bem que na essência seja parecida à de Barack Obama, a verdade é que o foco é diferente. Sérgio responsabilizou as pessoas pelo seu próprio destino, quase que as culpando pelos seus infortúnios. Obama, pelo contrário, diz às pessoas que têm valor e que devem fazer uso dele. Afinal são apenas palavras – cuja mensagem central, como já vimos, é no essencial a mesma – a grande diferença está em que uma das frases anima enquanto a outra deprime.

Há, todavia, uma outra razão, bem mais profunda, para a generalidade dos portugueses não aceitarem serem responsabilizados pelos infortúnios do país. Trata-se de uma questão de imagem pelo exemplo. Da imagem dos políticos que, alegadamente, nunca erram e, logicamente, nunca assumem responsabilidades. Para eles, em sentido contrário ao veiculado por António Sérgio, a culpa também nunca é dos próprios. Pode ser de outros, políticos ou não, mas nunca dos protagonistas em exercício de funções públicas. Campos e Cunha, que agora verbera contra o seu antigo chefe, defendeu, e bem, o princípio da sustentabilidade da Segurança Social. No entanto, beneficiava de uma pensão majestática sem qualquer correspondência, em termos de matemática financeira, em relação aos seus próprios descontos. Constâncio tem um dos maiores vencimentos de governador de banco central do mundo. Questionado sobre o assunto, a culpa não era obviamente dele, mas sim de quem, antes dele, estabeleceu aquele pacote remuneratório. Enfim… podíamos continuar, mas preferimos questionar: então a culpa é do Zé?

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