quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Breve história do “Brados”

No dia 1 de Fevereiro de 1931 saiu a 1.ª edição do jornal Brados do Alentejo. Na véspera tinham sido comemorados os 40 anos da revolta republicana do Porto. Coincidência? Talvez. O que não deixa de ser curioso é que o grupo fundador deste jornal – Marques Crespo, Niny Mexia, Goucha de Almeida, Acácio Palmeiro da Costa e Joaquim Ribeiro Gomes – eram todos adeptos da 1.ª República e comemoraram, até 1951, o aniversário do Brados a 31 de Janeiro e não, como seria de esperar, a 1 de Fevereiro. Este facto está comprovado através de gravações numa coluna em mármore na Tipografia Brados do Alentejo, Lda. – empresa constituída por dois sócios, Artur Assunção e António José Parelho, pela mesma altura.

O Brados surge num contexto em que o Estado Novo começava a dar sinais de ter vindo para ficar (ao contrário das inúmeras escaramuças que caracterizaram a 1.ª República). Marques Crespo tinha sido Presidente da Câmara de Estremoz e foi o golpe de Gomes da Costa e de Óscar Carmona que levou à sua substituição em 1926. Entretanto, um nome emergia da penumbra: Salazar. Em 1931, já não era Gomes da Costa quem metia medo… nem sequer Carmona… e a página 3 do Brados lá tinha a menção “Tem Visto da Censura”.

Marques Crespo dirigiu o jornal que fundou durante 20 anos, até Fevereiro de 1951. Interinamente foi o dono da tipografia, António José Parelho, quem lhe sucedeu na direcção no mês seguinte, para em Março entrar em cena, por 1 ano e ½, um novo director: João Falcato. O Brados estava a mudar. A 1.ª república estava cada vez mais longe... A exaltação do Alentejo continuava presente, o Brados continuava a ser uma referência cultural e literária – o último texto de Sebastião da Gama foi publicado 4 dias antes da sua morte – mas a inspiração política original estava a dissipar-se com a entrada de novas sensibilidades…

Em Outubro de 1952, André Brito Tavares iniciou o mais longo período à frente da direcção do Jornal. Foram quase 23 anos, atravessando os períodos do Rock ‘n’ Roll, da irreverência dos Teddy Boys, da revolução hippie e do Twist. A todos estes movimentos o jornal resistiu sem perder a sua identidade… só não resistiu ao Verão Quente de 1975. A edição do jornal entra num período letárgico, ressurgindo episodicamente numa 2.ª série, entre 1978 e 1979, da qual sobram dedos de uma mão para contar as edições publicadas. Director: novamente António José Parelho.

É no final de 1979 que surge a actual 3.ª série deste jornal que, entretanto, passou a ser propriedade da Casa da Cultura de Estremoz. O novo Director foi José Emílio Guerreiro, o qual deixou o cargo, em 1982, quando se candidatou à presidência da Câmara de Estremoz. Sucedeu-lhe outro futuro presidente de Câmara, entre 1982 e 1994, que dava pelo nome de José Dias Sena. Curioso: na fundação saía-se da Câmara para o Brados; depois passou-se a sair do Brados para Câmara.

Desde 1994 o jornal é dirigido por Inácio Grazina cujo mandato já leva 17 anos. Neste período o Brados foi-se transformando, sendo hoje um jornal verdadeiramente plural e um incómodo para os poderes pouco tolerantes. Está no bom caminho. Vida longa ao Brados.
Notas:
 
 

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