quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O Triunfo dos Porcos



Quando Eric Arthur Blair, sob o pseudónimo de George Orwell, escreveu a sua Animal Farm, provavelmente estaria longe de imaginar que o título da tradução portuguesa da sua obra, "O Triunfo dos Porcos", iria ter maior impacto que o título original. De facto, o título português remete-nos para a triste realidade do fim da história, enquanto o original nos mantém na doce inocência do início da mesma, ou seja, do fraterno entendimento entre iguais.


Concluída em Fevereiro de 1944, esta obra é frequentemente vista como uma representação simbólica da revolução soviética, em especial dos desvios da mesma em relação aos ideais originais, feita com a autoridade moral de quem combateu na Guerra Civil espanhola pelo lado dos republicanos.


Pela parte que me toca, não vou falar da revolução russa. No entanto, vou usar outros aspectos da mesma obra para caracterizar o mundo de aparências hipócrita que hoje caracteriza a fragilizada democracia portuguesa. Vou também usar como imagem alegórica outra criação de Orwell, o Big Brother, (lançada numa sua obra de 1948 denominada, trocando os últimos dois algarismos, "1984"), para descrever o clima de terror psicológico que se vive actualmente nas escolas.


Comecemos pela hipocrisia das aparências. Como diria o Mário Crespo, façamos de conta que a licenciatura de Sócrates obtida numa universidade privada (fechada depois da "missão cumprida") não constitui um péssimo exemplo para os alunos deste país. E que dizer das encenações em torno do Magalhães (com figurantes e tudo), as quais se revelam ainda mais vergonhosas quando vimos o Estado "premiar" uma empresa indiciada por fraude fiscal? Depois há o lastimável processo disciplinar lançado sobre o professor Charrua, em que este surge retratado a conversar para as paredes, como se de um tolinho se tratasse, em que pelo meio chamava nomes pouco apropriados ao nosso primeiro. Inenarrável. Já nem é necessária imaginação para tramar alguém neste país. Como autora moral deste processo inquisitório surge a figura napoleónica da directora regional da educação do norte. Já agora, será que foi por acaso que a polícia se interessou pelas manifestações dos professores? Finalmente, que dizer do relatório "da OCDE" encomendado a pedido para dizer bem da política educativa?


Tudo isto é triste. Lamento que se agrava quando constatamos que o Presidente da República se mostrou preocupado quando mexeram no "seu" poder, mas nem uma palavra disse em relação aos episódios mais deploráveis acima descritos.


Perante isto, sem protecção, sob o olhar do Big Brother, dos 130 mil professores em luta uma grande parte capitulou. Fizeram de conta que ia haver avaliação…


Foi com uma passividade semelhante que os porcos de Orwell triunfaram.

1 Comentários:

Calvin! disse...

Cada vez mais me assusta este pseudo-estado policial, que se está a formar. Parece que as pessoas cada vez têm menos liberdade(pelo menos os não ricos), a liberdade de expressão está a ser ameaçada, a educação está a ser ameaçada, cortam se os alicerces deste país, o futuro fica condenado. Só espero que o PS não volte a ter uma maioria absoluta, se não serão mais 4 anos de areia para os olhos....

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