quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Com base no real, com fé no ideal!

Por muito que isto possa chatear algumas pessoas, a verdade verdadinha é que Sócrates tem razão quando diz que não é com discursos miserabilistas que Portugal vai para a frente. Sempre que nos lamentamos da nossa triste sina, estamos afinal a perder o tempo que devíamos aproveitar para tentar mudar aquilo que nos desagrada. É sofrimento inútil.

Em contrapartida, uma atitude optimista ajuda a enfrentar adversidades e dá-nos força para alcançarmos as nossas metas. Porém, atenção: a força do optimismo não advém de ilusões ou de falsidades. A única atitude optimista com alguma probabilidade de sucesso é a realista, ou seja, aquela que está enquadrada na verdade. É bom que acreditemos que somos capazes, que tenhamos fé. Porém, para sermos capazes temos de, no mínimo, nos disponibilizar para lutar pelas coisas, corrigindo erros e suprindo lacunas. Posto isto, o optimismo que sobra – isto é, aquele que não satisfaz estes requisitos – é idiota e irresponsável. Quem fica à espera do bom sem mexer uma palha, normalmente sai-se mal. Como dizia Peter Drucker: "o maior defeito dos milagres é que não nos podemos fiar neles".

E é aqui que Sócrates perde a respeitabilidade. O optimismo que apregoa funda-se na intrujice. Tal como o Peter Pan parece recusar-se a crescer, preferindo um mundo de faz-de-conta – mas tremendamente consequente em aspectos nocivos – a dizer qualquer verdade que possa beliscar o seu narcisismo desmesurado. Se confrontado com ela reage com os rasgos de irritabilidade que lhe são peculiares, procurando de imediato eliminar o seu contendor através de um qualquer golpe baixo em geral alheio à crítica que lhe é dirigida, e fazendo com que o seu notável malabarismo verbal não possa ser considerado uma virtude.

A seu tempo Sócrates acabará por pagar caro por estas atitudes e, como dizia o outro, não havia necessidade. Na verdade, o Governo não é responsável por tudo quanto de mau nos acontece, até porque a capacidade deste para conduzir os destinos da nação é mais limitada – se bem que ainda significativa – que aquilo que a generalidade das pessoas pensa. Do mesmo modo, também apenas ocasionalmente pode reclamar como seus méritos que, muitas vezes, lhe são alheios. Exorbitando feitos que, ainda que positivos, não podem deixar de ser considerados medianos – como aconteceu recentemente com o computador "português" Magalhães (que, afinal, de português tem pouco e já existia desde 2006 noutros países que não o reclamaram como "seu") – acaba obtendo um efeito contrário ao ansiado.

Outro exemplo é a tão propagandeada redução episódica da taxa de desemprego numas míseras casas decimais. Sócrates só se esqueceu de referir que durante o seu governo cerca de 300 mil portugueses já emigraram.

1 Comentários:

Nuno Nogueira Santos disse...

Gostei da sua reflexão. Fica uma sugestão de leitura
http://avarinhamagicadevalentimloureiro.blogspot.com/

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