quinta-feira, 6 de março de 2008

Sinais de mudança


Para prevenir uma eventual invasão pelas tropas de Napoleão, os ingleses montaram junto à sua costa postos de vigilância que só vieram a extinguir um século após a morte do cônsul francês. Por aqui se pode concluir que a mudança, qualquer mudança, sempre oferece resistência. No entanto, se avançarmos que, sob ameaça, tais postos de vigilância foram montados em pouco tempo, então também poderíamos concluir que a mudança até pode ser rápida. Enfim, rápida ou lenta, ela é, indiscutivelmente, constante. Alterando-se as situações, as pessoas ajustam os seus comportamentos em busca de novos equilíbrios, ou seja, de novas rotinas. Não é para menos, são as rotinas que conferem estabilidade e previsibilidade pelo que, paradoxalmente, a mudança é simultaneamente desejada pelas oportunidades que cria, mas temida pela instabilidade e ameaças que, simultaneamente, gera. Esta aparente contradição está, afinal, muito bem explicada: sempre que insatisfeitas as pessoas clamam por mudança; no entanto, dificilmente aceitam que tudo mude muito rapidamente ou ao mesmo tempo. Geralmente, as reformas graduais são preferidas às revoluções radicais.
Dos Estados Unidos surgem sinais que auguram mudanças relevantes. No Partido Democrata, a mudança já aconteceu seja qual for o finalista vencedor para disputar a eleição presidencial (Hillary Clinton, a primeira mulher, ou Barack Obama, o primeiro negro). Do lado republicano a mudança será menos sensível mas, ainda assim, considerável, já que John McCain está, segundo dizem, a anos-luz do fundamentalismo primário que caracteriza George W. Bush.
Seja a mudança mais moderada (John McCain) ou mais expressiva (Barack Obama), pode dar-se como certo que os Estados Unidos irão evoluir mas, por muito que mudem, não se transfigurarão.
Cuba também está "madurinha" para a mudança. É certo que os cubanos continuam a não poder sair do seu país, nem sequer a aprenderem línguas estrangeiras para além do "My name is Paco". Todavia, os estrangeiros entram agora em cada vez maior número em Cuba proporcionando aos nativos contactos com outros mundos completamente diversos daquele que conhecem. Uns revoltam-se pelas suas baixas condições de vida (mais evidentes quando comparadas com as dos visitantes). Outros, pelo facto de viverem a milímetros do paraíso na terra e por serem os turistas estrangeiros a desfrutarem dele. Finalmente, a maioria, por não terem liberdade. O fim do consulado de Fidel constitui uma janela de oportunidade que um outro Castro poderá aproveitar para encetar uma mudança gradual.
Finalmente, em Portugal também há mudanças. Destaco uma que considero importante: pela primeira vez em muitos anos os partidos do centro do espectro eleitoral perdem intenções de voto em benefício da esquerda revolucionária. Pelos vistos, há já quem prefira o trotskismo, mesmo sem saber o que é a revolução permanente nem, afinal, o que é que tais movimentos têm para propor como alternativa. Só grandes desilusões poderão justificar tremendas mudanças.

Nota: A imagem é propriedade do autor.

1 Comentários:

LV disse...

http://laranjavicosa.blogspot.com/

Passem por qui, comentem e votem.

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