sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Perspectivas

Convido-vos a olharem para a imagem seguinte…

Certamente todos conseguiram ver duas coisas: um bando de aves e um rosto com o cabelo esvoaçante. Afinal a imagem é composta justamente por aves, as quais, em face da forma como foram desenhadas (arrumadas), compuseram um rosto feminino.
Mas não, o tema de hoje não é a Gestalt (termo intraduzível do alemão, utilizado para abarcar a teoria da percepção visual baseada na psicologia da forma). Recorri a este exemplo apenas para ilustrar que a mesma realidade pode ser interpretada de maneiras diferentes. É tudo uma questão de perspectiva.
Em muitos casos, a conflituosidade entre as pessoas resume‑se a isto: são incapazes de ver as coisas segundo a perspectiva dos outros. Havendo interesses em jogo, é no confronto que tudo se resolve. Tal como na selva, é a lei do mais forte que prevalece. Uns ganham, outros perdem, mas, no fim, todos lambem feridas.
Estas leis têm particular aplicação no domínio laboral. Se o patrão vir o empregado apenas como um recurso, facilmente será levado a pensar que quanto mais lhe pagar menos ele próprio ganha. Por sua vez, se o empregado vir o empregador como alguém que apenas pretende dele a sua força e criatividade, facilmente será levado a pensar que não deve oferecer à organização mais que o mínimo que lhe garanta a preservação do seu posto de trabalho. Se o fizer, está a ser parvo, ao permitir que outros engordem com o fruto da sua generosidade. Deste jogo de forças – em que uns querem muito trabalho a troco de pouco dinheiro; enquanto que os outros querem muito dinheiro a troco de pouco trabalho – estabelece‑se aquilo a que eu chamo “o equilíbrio fatal”, porque todos ganham o mínimo.
Mas as coisas não têm de ser, necessariamente, assim. Admitamos que ambos reconhecem que cada um quer o melhor que for possível para si próprio. Admitamos que o empregador está disponível a pagar mais se também ele ganhar mais. Admitamos finalmente que o empregado está disponível a dar o melhor contributo de si próprio se enriquecer em conjunto com o empregador. Que irá daqui resultar? A resposta é simples: todos ganham mais.
Esta é a essência do ad valorem.
[Publicado na edição do Jornal "Brados do Alentejo" de 03 de Novembro de 2006 (http://bradosdoalentejo.com.sapo.pt)]

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