segunda-feira, 17 de maio de 2010

Estão preparados?


Se não estão então é melhor que se preparem, porque é cada vez mais provável que venha a haver uma subida significativa de impostos. Quem já trabalhava em 1983 sabe perfeitamente ao que me refiro. Nesse ano, mas já em Setembro, o presidente Eanes recebeu para promulgação um decreto da Assembleia da República que previa, entre outras maldades, a arrecadação de 25,2% do 13.º mês desse ano. Como se sabe, pagar impostos não constitui propriamente uma actividade prazenteira, mas enfim, a gente habitua-se e depois já nem estranha. Quando esse imposto é extraordinário já dói bastante mais… mas caramba, quando tal tributo apanha a maior parte das pessoas desprevenidas, isso já tem alguns requintes de puro sadismo. Em 1983, houve quem ficasse com as calças na mão porque já tinha comprometido o subsídio de Natal com que estava a contar. Como se essa maldade não bastasse, o imposto extraordinário sobre o rendimento, como então foi baptizado, veio ainda revestido duma mentirinha piedosa que o tornou ainda mais odioso: o governo disse que a taxa de imposto era de 2,8%... sobre todos as remunerações certas e permanentes auferidas entre Janeiro e Setembro desse ano. Chiça, nem sequer foram capazes de dizer que mais de ¼ do subsídio de Natal ia à vida.
Portanto, meus amigos, faço votos para que desta vez não sejam apanhados de surpresa. Até pode nem acontecer – até porque agora a moda é aumentar o IVA e outros impostos sobre a despesa – mas se o fisco atacar de novo pelo lado do rendimento que ao menos estejam preparados.
Como qualquer cidadão comum, sinto que não tenho culpa nenhuma pelo estado a que o país chegou e também me sinto tentado a fazer coro com todos quantos acham que quem o estragou que pague o arranjo. Porém, a realidade é um pouquinho mais complexa e, pensando bem, não o vou fazer. Primeiro, porque não vale a pena perder tempo com choradinhos: é certo e sabido que quem se lixa sempre é o mexilhão. Depois, porque se tiver que prescindir agora de parte do subsídio de Natal isso poderá ser um mal menor comparado às consequências da descredibilização internacional da minha moeda, o €uro. Se o Euro desvalorizar, tudo quanto vem da Ásia, de África e das Américas vai ficar mais caro. A inflação é um imposto escondido que nos come vivos quase sem darmos por isso. Atrás da inflação vêm as subidas das taxas de juro. Cada subida de 3 pontos percentuais da Euribor correspondem a 100 euros de imposto extraordinário que a maior parte das famílias endividadas irão pagar todos os meses enquanto a crise durar. E, meus senhores, se a crise se instalar na zona Euro não só vai permanecer por muito tempo como as taxas de juro não irão subir apenas 3 pontos percentuais. Comparado com este cenário, prefiro claramente pagar um imposto extraordinário só uma vez.
O meu único desejo é: que valha a pena!

Publicado na edição de 13 de Maio do Jornal Brados do Alentejo.
As imagens foram colhidas nos sítios para os quais apontam as respectivas hiperligações ou são do autor.

Nota final: Devo esclarecer que apesar de o Brados ter sido publicado no mesmo dia em que a demais imprensa de âmbito nacional noticiou o surgimento de novos impostos, este artigo foi escrito antes, ou seja, em data em que ainda não havia a circular qualquer notícia concreta sobre este assunto. O que havia no início da semana eram especulações, característica que este artigo também assumiu.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

FIAPE 2011

De há muitos anos para cá que em Estremoz existem (existiam) 3 feiras:
1. A Feira de S. Tiago, que tinha lugar de 25 a 27 de Julho;

2. A Feira de Santo André (também conhecida no passado por Feira das Passas) de 30 de Novembro a 3 de Dezembro;

3. E a Feira de Maio, criada em 1925 por José Lourenço Marques Crespo, a qual tinha lugar no 2.º Sábado e no 2.º Domingo do mês de Maio.

Esta última feira foi criada já com o propósito de “estabelecer em Estremoz um centro de transacções de máquinas e alfaias agrícolas e exposições de espécies pecuárias”. Foi nesta primeira feira de Maio que teve lugar a 1.ª Feira Exposição da Agricultura de Estremoz.

Sessenta anos mais tarde, mais concretamente no fim-de-semana que terminou a 12 de Maio de 1985, voltou a ser ensaiada uma versão singela daquela Feira-Exposição. No ano seguinte, em 1986, a ideia de reeditar uma feira temática ganhou novo fôlego e maiores recursos e voltou a ser reeditada com maior força aquela que terá sido para uns a III Feira-Exposição da Agricultura de Estremoz enquanto para outros terá sido a IV. Enfim, pouco importa. Novidade destas feiras de Maio de 85 e 86: foram alargadas a 3 dias. Certo, certo, foi que no ano seguinte se pensou enterrar definitivamente as Feiras Exposição de Agricultura e, mercê da recente geminação com Zafra, criar uma nova feira de cariz internacional que veio a receber a designação de FIAPE (Feira Internacional Agro-Pecuária de Estremoz). Estávamos em 1987. Mas lá está, cumpriu-se a tradição da feira fundada por Marques Crespo e ela teve lugar no segundo fim-de-semana de Maio, desta feita de 8 a 10 de Maio.

Este ano celebrou-se a XXIV edição da FIAPE. Nunca como antes esta foi tão ofuscada pela sua concorrente directa OVIBEJA. Foi para que lá que foram os ministros, foi para lá que foi a imprensa, nomeadamente radiofónica e televisiva, enfim Estremoz e a nossa feira apenas mereceu uma nota de rodapé.

Há anos que ouço falar que foi a OVIBEJA que aproximou a data da sua realização da nossa FIAPE. Enfim, até pode ser que seja verdade, porém não deixa de ser igualmente verdade que a FIAPE, como há pouco demonstrei, também alterou o seu calendário original (que seguiu o originalmente instituído em 1925). E tal antecipação já chegou a ser de cerca de duas semanas (varia de ano para ano). Uma coisa vos garanto: Estremoz não ganha nada em manter esta teimosia, este braço de ferro com Beja, em especial num momento em que a nossa antagonista tem mais força. A FIAPE não teria passado despercebida se tivesse sido realizada na sua data tradicional, terminando no próximo fim-de-semana, o segundo fim-de-semana do mês de Maio.

Se no ano da fundação da FIAPE (e nas edições subsequentes mais imediatas) foi esta que ofuscou a OVIBEJA, que já existia desde 1983, agora tal já não irá acontecer. Por essa altura, era a FIAPE que concentrava todas as atenções mercê do sucesso que à época teve o golpe de marketing da nossa feira ser “internacional”. Na época, a prioridade do Ministro da Agricultura era vir a Estremoz e não a Beja (em 1987, recordo-me perfeitamente, foi Álvaro Barreto quem passou “revista” à feira sem nunca ter deixado de falar da “irresponsabilidade” dos partidos da oposição que nesse ano tinham acabado de fazer cair o I Governo de Aníbal Cavaco Silva). Hoje, a internacionalidade da nossa FIAPE já não cola nem convence ninguém, a OVIBEJA tem manifestamente mais recursos, maior criatividade e, por maioria de razão, tem claramente mais sucesso. Só não vê quem não quer ver. Hoje a irresponsabilidade é continuar a querer partilhar o palco com a nossa concorrente. A FIAPE precisa de se destacar novamente e agora para o fazer terá de ser noutra data.

Se houver um pouquinho de juízo a FIAPE 2011 realizar-se-á em Maio.


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terça-feira, 4 de maio de 2010

Eu também não percebi...

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Euribor Abril 2010

Os indexantes para os contratos de financiamento cuja renovação ocorra durante o mês de Maio são os seguintes:
• Euribor a 3 meses: 0,645% (Exactamente o mesmo valor do mês passado e -0,035% que no trimestre anterior);
• Euribor a 6 meses: 0,955% (Mais 0,003% que no mês anterior e -0,062% que no semestre anterior).

Para saber qual a taxa de juro a aplicar basta adicionar o spread.
Os efeitos desta redução da taxa de juro só irão evidenciar-se a partir do mês de Junho.
Alerto, todavia, que os efeitos no valor das prestações são manifestamente desprezíveis (redução de 1,34  e 2,31 euros/mês, respectivamente, por cada 100 mil euros de empréstimo por um prazo de 25 anos).

A nota mais evidente do comportamento da Euribor deste mês foi o facto de, pela primeira vez desde o final do 3.º trimestre de 2008, a tendência ter sido invertida e já se estar a assistir a uma subida das taxas de juro. O mês passado, os valores registados foram os mais baixos de sempre desde que existe o Euro.

É melhor ires à bruxa

Confesso que não estava à espera que a minha recomendação fosse objecto de divulgação pública.
Por isso esclareço: o facto de me solidarizar com alguém que apanhou uma valente chuvada não quer necessariamente dizer que esse alguém não seja responsável por ter saído quando chuvia ou por tê-lo feito sem guarda-chuva. Isto também não quer dizer que quem se encharcou "estava a pedi-las"; quer tão-somente dizer que, independentemente de ser previsível ou devido a uma brusca mudança do estado do tempo, "quem anda à chuva, molha-se".

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A Lição do Creoula



Cumpri o serviço militar já tarde. Depois de ter feito a instrução
militar básica na Escola de Fuzileiros, em Vale de Zebro, fui colocado na Administração Central de Marinha, ali à Ribeira das Naus, juntinho ao Terreiro do Paço da nossa capital. Com 27 anos, já casado e pai, senti necessidade de equilibrar o orçamento familiar, pelo que aceitei trabalhar à noite numa empresa no Feijó, onde realizei uma auditoria contabilística. Criei então uma rotina a partir das 17:30 que passava por comer uns rissóis de berbigão na Baixa, depois dirigia-me à Doca da Marinha, apanhava a vedeta para a Base Naval do Alfeite, jantava na messe de oficiais às 19, autocarro para o Feijó às 20, (re)começava a trabalhar das 20:30 à meia-noite e meia e iniciava o percurso de retorno: autocarro até Cacilhas, cacilheiro para o Cais do Sodré, eléctrico para Alcântara, até que chegava (por volta das 2 da manhã) às instalações militares da Praça da Armada, onde pernoitava. Na manhã seguinte apanhava o eléctrico às 8:30, chegava à Direcção da Fazenda Naval pelas 9, fazia o turno da manhã, almoço, turno da tarde, e assim fechava o ciclo.
Porém, houve um dia que quebrei a rotina. Fui desafiado por uns camaradas, que habitualmente jantavam comigo, a ir visitar o navio-escola Creoula. Aquele que eu queria mesmo ver era o navio-escola Sagres, mas esse andava em viagem de longo curso e, portanto, tive de me contentar com o antigo bacalhoeiro que, à vela, percorreu as costas da Terra Nova na sua juventude. Como em tantas outras coisas na vida, o possível sobrepôs-se ao desejável, mas dei o tempo por bem empregue: aprendi uma lição valiosa.
Ali aprendi que um bom timoneiro, pelas decisões que toma, pode fazer a diferença entre o sucesso e o infortúnio… mas ouvi também da boca de um comandante que este sem a tripulação de nada valia. São tantas as tarefas a bordo que só sob uma rigorosa organização, num quadro de cooperação, de disciplina, de responsabilidade, de entreajuda e de harmonia entre os membros da equipa é possível levar um veleiro a bom porto. Ali aprendi que os méritos individuais são importantes e, como tal, são desejados. Podem mesmo fazer a diferença, porém, por muito bons que sejam, são sempre insuficientes. Um veleiro de 4 mastros exige sempre trabalho de coordenação em equipa e jamais deve sair do porto de abrigo sem estar imbuído de um forte espírito colectivo, já que o todo é sempre maior que a mera soma das partes.
Lembrei-me desta lição recentemente quando soube que Zeinal Bava e António Mexia haviam sido considerados entre os melhores CEO da Europa (gestores, para não complicar), elevando-os assim à condição de deuses do Olimpo. A avaliar pelo que ganham, é-me fácil acreditar que seriam capazes de navegar no Creoula sem guarnição… Ou não?
Notas:
Publicado na edição de 29Abr2010 do Jornal Brados do Alentejo;
As imagens foram colhidas nos sítios para os quais apontam as respectivas hiperligações.

sábado, 24 de abril de 2010

John Philip Sousa - a diáspora portuguesa no mundo

Há muitas formas de aprender e uma delas estava quase esquecida para mim: a rádio. De facto, há muito que reservo à rádio apenas duas tarefas: ouvir notícias; e ouvir música (em geral quando viajo de carro). Ontem, enquanto percorria canais de rádio durante uma pequena viagem ouvi uma reprodução duma marcha militar que já havia ouvido dezenas de vezes: Stars and Stripes Forever.
O que eu não sabia e só ontem fiquei a saber é que o autor desta marcha era luso-descendente. John Philip Sousa nasceu em Washington em 1854, mas era filho de um português nascido em Espanha e, portanto, neto de portugueses de origem açoriana, os quais, segundo a nota biográfica que li, se refugiaram no país vizinho.
John Sousa apelidava-se a si próprio "The March King" (O Rei das Marchas) e compôs inúmeras marchas militares, operetas e até os hinos de 4 universidades americanas. A ele se deve a criação do Sousafone, uma imensa tuba carregada ao ombro do músico, a qual visava o reforço dos graves nas suas marchas; e, bem assim, foi também um dos responsáveis pela grande divulgação do piccolo, um flautim que toca uma oitava acima da flauta comum e cujo som recorda o cantar de um rouxinol. (Na marcha abaixo reproduzida - uma reedição de 1931 de uma obra datada de 1909, inicialmente editada pela Thomas Edison Records - é bem audível o som do piccolo).
Enfim, isto pode não interesse nenhum mas achei curioso e... por pouco racional que isto possa parecer, fiquei de certa forma orgulhoso por o John Philip Sousa ser neto de portugueses que, por alguma razão que não descortinei, tiveram que se pisgar de Portugal. É o mesmo tipo de orgulho que sinto quando o Cristiano Ronaldo marca um golo pelo Real Madrid ou quando um estremocense - que não conheço nem conheço ninguém que conheça - vai treinar uma equipa rival da minha preferida.
O bairrismo e o nacionalismo pode ser irracional mas lá que existe, existe.



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quinta-feira, 22 de abril de 2010

I Encontro de Bloggers, Webmasters e Facebookers do Concelho de Estremoz

Para conhecer os detalhes desta iniciativa clique aqui.

Nota: A imagem foi colhida no local para o qual aponta a respectiva hiperligação.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Passos de Mudança


Vi e ouvi a entrevista a Pedro Passos Coelho no programa Sinais de Fogo de Miguel de Sousa Tavares. Embora admita que outros tenham interpretado de forma diversa as palavras proferidas, devo dizer que, para mim, a prestação do entrevistado foi magistral, brilhante. Teve o dom de nos permitir ver para além da bruma, conferindo-nos a esperança de que há outros caminhos (ainda não trilhados) para sairmos da desconfortável situação em que nos encontramos. Por outro lado, teve também o mérito de ter conseguido desmistificar o papão liberal, como se alguma vez ele tivesse preconizado um Estado lassez-faire, do tipo salve-se quem puder. Pelo contrário, defendeu clara e energicamente um Estado regulador, um Estado Social no apoio a quem verdadeiramente precisa e, bem assim, assumiu-se um firme opositor aos monopólios artificiais criados pelo Estado, bem como às negociatas escandalosas que a actual situação de penumbra sempre permite.
Depois de ter tomado contacto com algumas reacções de amigos e conhecidos, confesso que fiquei surpreendido com a surpresa de alguns. Vou explicar-me melhor: algumas dessas pessoas ficaram agradavelmente surpreendidas com a prestação de Passos Coelho, reconhecendo-lhe pela primeira vez alguns dos méritos que, em boa verdade, sempre teve. A mim, o que me surpreendeu foi justamente só terem percepcionado tais qualidades agora e não antes, por exemplo, há dois anos atrás. No entanto, bem vistas as coisas, até faz sentido: Passos Coelho é também vencedor por ter conseguido sobreviver a uma das mais violentas campanhas descredibilizadoras alguma vez movidas contra um político dentro do seu próprio partido. Valeu tudo: apontaram-lhe incongruências no discurso (que nunca existiram); que era plástico como a Barbie (bonito por fora e oco por dentro); disseram que estava acompanhado de gente de má índole e, finalmente, quanto todos os outros argumentos falhassem, restava sempre o anátema de liberal, procurando com este rótulo fazer dele o maior reaccionário de Portugal.
O curioso é que apesar das más intenções da acusação, Passos Coelho não se deixou descaracterizar e, a par de se considerar social-democrata e reformista, nunca recusou o rótulo de liberal. E porquê? Porque o conceito europeu de liberal – conceito que foi corrompido do lado de lá do Atlântico – é primeiro político e humanista (decorre da liberdade humana) e só depois é também económico. E ser liberal em termos económicos (na Europa) apenas significa isto: ao Estado o que é do Estado; aos privados o que é dos privados. O que não cabe dentro desta definição é o Estado proporcionar bons negócios a meia dúzia de bons amigos para que estes enriqueçam à custa de todos nós.
Pedro Passos Coelho, com elevação e integridade de carácter, resistiu a tudo. Não cedeu à tentação de querer parecer bem ou dizer apenas aquilo que era politicamente mais conveniente. Merece confiança.
Notas:
A foto foi obtida no sítio para o qual aponta a respectiva hiperligação.
Publicado na edição de 15 de Abril do Jornal Brados do Alentejo

NABUCCO

Sinais de Fogo - Pedro Passos Coelho

quarta-feira, 14 de abril de 2010

"Estremoz" a 25%

Depois de ter visionado a RTP Memória em que ouvi uma alusão a uma locomotiva denominada “Estremoz”, a minha curiosidade ficou espicaçada pelo meu (pouco racional, mas real) bairrismo. Vai daí escrevi para a CP a tentar obter mais dados sobre a referida locomotiva. A resposta que obtive foi a seguinte:

“A locomotiva que refere é a 02049 que estava à data do documentário na secção museológica de Nine. Este dado terá de ser confirmado junto da Fundação do Museu Nacional Ferroviário, com sede no Entroncamento.

A locomotiva 02049 não é a primeira locomotiva em Portugal, mas sim a locomotiva mais antiga existente em Portugal. A locomotiva em questão, foi adquirida após a inauguração e não se encontra no estado original. Quanto às locomotivas da inauguração em 1856 nenhuma sobreviveu.

Por outro lado, nada garante que aquela em particular seja a que em 1857 teve o nome ESTREMOZ, pois fazia parte de uma série de 4 unidades iguais (denominadas ALEMQUER, ESTREMOZ, LEIRIA e VILLA FRANCA). Sabe-se que aquela locomotiva, quando foi vendida pela CP para o Minho e Douro recebeu o nome ESTE, alusivo ao Rio Este, e alguém se lembrou de fazer uma associação que tal teria a ver com anteriormente chamar-se ESTREMOZ. No entanto, tal opinião não é suportada por nenhuma evidência histórica, tanto mais que na época da venda ao MD a locomotiva há muito que já não tinha o nome original.

Os fundamentos do nome, derivam simplesmente do facto de ser habitual naquela época identificar as locomotivas por nomes e não por números como viria a ser o caso poucos anos depois. Esses nomes eram escolhidos de cidades, rios, personagens ilustres, etc. No caso português, adoptaram-se nomes de cidades e vilas importantes na época (para além das já mencionadas, outras locomotivas da mesma época foram designadas LISBOA, PORTO, AZAMBUJA, SANTARÉM, ELVAS, MADRID e CAMÕES).

Não houve qualquer padrinho ou madrinha na atribuição do nome. Era um acto puramente administrativo e técnico para permitir identificar os veículos”

Alguns dias mais tarde solicitei também à Associação Portuguesa dos Amigos do Caminho de Ferro que informassem daquilo que soubessem sobre o assunto. A resposta obtida vai exactamente no mesmo sentido da anterior, ou seja, a probabilidade de que a mais antiga locomotiva a vapor que chegou até nós ser a "Estremoz" é de 25%. A resposta foi a seguinte:

"A locomotiva que aparece no documentário da RTP tem o número 02049 e está preservada na secção museológica de Nine.

Fazia parte de uma série de quatro locomotivas iguais, fabricadas no Reino Unido pela empresa William Fairbairn & Sons e adquiridas em 1857 pela Administração do Caminho-de-Ferro de Lisboa a Santarém, para serviços mistos naquela linha, hoje integrada na linha do Norte. Nessa época as locomotivas daquele caminho-de-ferro eram identificadas por nomes e não pela mais generalizada prática da atribuição de números, tendo recebido os nomes “ALEMQUER, “ESTREMOZ, “LEIRIA” e “VILLA FRANCA. Esta era uma prática meramente administrativa e técnica, destinando-se unicamente a permitir distinguir as locomotivas, não havendo qualquer padrinho ou madrinha.


Em 1874 já só restavam duas delas, tendo sido ambas vendidas pela Companhia Real (antecessora da CP) ao Caminho-de-Ferro do Minho e Douro (MD) para auxiliar na construção daquelas linhas. Nesta empresa sabe-se apenas que em 1882 já só havia uma delas, com o número 17 e o nome “ESTE”, alusivo ao Rio Este, como era prática habitual naquela empresa.

Posteriormente foi significativamente modificada para o aspecto com que chegou até hoje, com a numeração 02049 atribuída em 1931 na sequência da exploração do MD pela CP.

Será de salientar que não existe qualquer fonte histórica fidedigna que possa sustentar a tese de alguns, de que a 02049 seja a que em 1857 era designada “ESTREMOZ, tese essa que se baseia unicamente numa alegada semelhança (!) de nomes entre ESTE e ESTREMOZ. Tal é, na nossa opinião, tanto mais inverosímil, na medida em que quando as locomotivas foram vendidas para o Minho e Douro já não tinham o nome por que eram identificadas no início da sua circulação em Portugal, sendo apenas identificadas pelos números já referidos.

Assim, pese embora as dúvidas que se acabaram de afirmar, julgamos que a locomotiva em questão tem pleno cabimento no “bairrismo” que o caro interlocutor assume na sua questão, desde que devidamente enquadrada na dúvida histórica existente e nos 25% de probabilidade de que a locomotiva em questão se tenha chamado “ESTREMOZ."

Notas:

  • A foto divulgada é propriedade da CP;

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terça-feira, 13 de abril de 2010

Brilhante, sem aparatos

Eu sei que sou suspeito, apoiei Pedro Passos Coelho há dois anos, voltei a apoiá-lo agora, fui ao lançamento do seu livro a convite directo e pessoal dele, enfim, sou suspeito. Todavia, fazendo o exercício de distanciamento possível, considerei a sua prestação nos "Sinais de Fogo" sóbria, franca, sem falsas promessas e, portanto, nada demagógica. Provavelmente ouvimos coisas que preferíamos não ter ouvido, em especial quando se referiu à muito débil situação económica do país. Falou-nos verdade, sem rodeios, porém, ao contrário do que até aqui acontecia, consegui ver sinais claros de esperança para além das nuvens negras mais imediatas.
Foi Brilhante, sem aparatos.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A propósito da locomotiva "Estremoz"...

Tendo sido questionado sobre as fontes da informação veiculada no post anterior, esclareço: o vídeo seguinte constitui um resumo de um documentário produzido pela RTP (da autoria de Paulo Silva Costa) a propósito das comemorações dos 150 anos dos caminhos-de-ferro em Portugal. Neste resumo, a partir do minuto 05:25 vem a resposta à questão formulada.


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terça-feira, 6 de abril de 2010

Sabia que...

... a mais antiga locomotiva portuguesa que chegou até nós - a vapor, de 1857 - foi denominada "Estremoz"?

Notas:

  • A imagem foi colhida no sítio para o qual aponta a respectiva hiperligação;

  • Também publicado em estremoznet.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Sensibilidade e bom senso II


Em Fevereiro de 2007 publicou este jornal uma crónica minha intitulada "Sensibilidade e bom senso", a qual versou sobre o abate injustificado de árvores no espaço urbano de Estremoz. Passados 3 anos e, curiosamente, na mesma semana em que a RTP 2 inicia a difusão de mais uma adaptação televisiva de uma obra de Jane Austen (desta feita, "Emma"), volto ao mesmo tema pelas piores razões: o abate criminoso de árvores continua.
Classifiquei de "criminoso" o abate de árvores mesmo sem ter a certeza se, do ponto de vista jurídico-legal, se trata efectivamente de um crime ou de uma mera violação das normas de conduta social (de uma contra-ordenação, portanto). Enfim, a classificação jurídica do acto pouco importa agora, para mim é um crime e ponto final. De facto, não vejo qualquer similitude entre um estacionamento proibido – o qual basta remover o carro e o problema fica resolvido – e destruir o património arbóreo (com dezenas, quiçá centenas, de anos de vida) que integra a nossa paisagem. Neste último caso, é toda uma memória colectiva que é banida da nossa vivência e cuja reposição da situação anterior ao "crime" só ocorrerá, na melhor das hipóteses, quando a maior parte de nós já estiver na quinta dos pés juntos a fazer tijolo.
Há 3 anos vi tudo o que se estava a passar, ao vivo e a cores, com estes que a terra há-de comer; desta vez só quase 2 anos depois vim a saber do crime e… através de terceiros. Há 3 anos, o crime foi cometido dentro da cidade de Estremoz; desta vez, o crime foi cometido na antiga estrada N4, a seguir à passagem de nível da Fonte do Imperador. No dizer de Alejandro Casona "as árvores morrem de pé"… pois mas isso é quando morrem de causas naturais; desta vez as árvores foram assassinadas de pé, através de uma poda excessiva deliberadamente feita com a intenção de as matar. Ora aí está uma daquelas coisas que me chateiam: quem ordenou, quem consentiu, quem não agiu, fê-lo de forma dissimulada com o claro propósito de matar e ao mesmo tempo com a intenção de dar ares de "acidente", facto que torna ainda mais hediondo este crime com recurso à tortura. Só de uma coisa os criminosos não podem ser acusados: da ocultação dos cadáveres. Os restos mortais das árvores continuam lá… de pé.
A minha veia romanesca leva-me a chamar "túnel verde" às estradas circundadas de árvores de grandes dimensões, por sempre ter visto neles a simbiose perfeita da intervenção do Homem em harmonia com a Natureza. Ali, no antigo caminho para Lisboa havia um… que alguém se encarregou de destruir de forma irremediável. Esse alguém havia de ser condenado, no mínimo, a repor aquilo que destruiu. Já não seria para proveito daqueles que hoje integram o mundo dos vivos, porém, tenho a certeza que os nossos netos ainda se iriam deliciar com o túnel verde.
Notas:
Publicado na edição de 01Abr2010 do Jornal Brados do Alentejo;
Também publicado em EstremozNet;
As imagens são do autor ou foram colhidas nos locais para os quais apontam as respectivas hiperligações.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Euribor Março 2010

Os indexantes para os contratos de financiamento cuja renovação ocorra durante o mês de Abril são os seguintes:

• Euribor a 3 meses: 0,645% (-0,067% que no trimestre anterior);

• Euribor a 6 meses: 0,952% (-0,088% que no semestre anterior).

Para saber qual a taxa de juro a aplicar basta adicionar o spread.

Os efeitos desta redução da taxa de juro só irão evidenciar-se a partir do mês de Maio.

Alerto, todavia, que os efeitos no valor das prestações são reduzidos (cerca de 4 euros/mês por cada 100 mil euros de empréstimo por um prazo de 25 anos).



terça-feira, 30 de março de 2010

EstremozNet – Um blogue colectivo


A convite de Hernâni Matos integro o grupo fundador do blogue colectivo EstremozNet e colaborei (com propostas de emendas, de supressões e de aditamentos) na elaboração do respectivo estatuto editorial. A criação deste blogue colectivo insere-se num projecto mais vasto, o qual inclui, entre outras iniciativas, a realização do I Encontro de Bloggers, Webmasters e Facebookers de Estremoz.
Mas falemos, apenas e por ora, do EstremozNet. Um blogue colectivo tem inequívocas vantagens: tem maior dinamismo, mais visitas e, por maioria de razão, um maior interesse que decorre do facto de com múltiplos autores, múltiplas sensibilidades, múltiplas opiniões é sempre possível comparar o verso e reverso, o ponto e o contraponto. Mais: tudo isto será feito por estremocenses (por nascimento ou por opção) e… sempre por estremocenses devidamente identificados.
Por via de regra o debate sério, construtivo e responsável faz-se através de opiniões com assinatura. Logo, a crítica fácil, maldizente, mal intencionada e cobarde (porque não dizê-lo), não vai ter espaço neste blogue. Como é evidente, este facto vai afastar aqueles que, beneficiando de total impunidade e sem qualquer respeito pela Ética na Comunicação, vêem na Web uma via de conspurcar outros com a sua má formação e baixos instintos. Vai também afastar aqueles que têm o mórbido prazer de ver salpicos de sangue… de outros.
Esta opção tem, todavia, um reverso que se traduz num inconveniente. Nem todos os anónimos são pessoas mal formadas. Alguns haverá – e já citarei exemplos – que podem estar compelidos a não poderem assumir a sua identidade, sob pena de ficarem sujeitos a represálias pelo seu grito de liberdade. Curiosamente, eu – que, em abono da verdade, nem sequer sei se me posso considerar um verdadeiro blogger – até fui muito influenciado para entrar nesta aventura da blogosfera por um blogue (que ainda hoje muito admiro) cujo(a) autor(a) até era anónimo(a) (Semiramis). O(A) autor(a) era anónimo(a) porque ocupava uma posição de destaque na hierarquia da Administração Pública e corria riscos efectivos se assinasse as suas opiniões, as suas denúncias. Aliás, sempre que alguém depende hierarquicamente de uma pessoa intolerante e sem escrúpulos, temos que o reconhecer, tal pessoa fica cerceada na sua liberdade. Às vezes, o anonimato é a única via… e tanto assim é que a moderna Corporate Governance de algumas empresas já admite o recurso a linhas anónimas como forma de ficar a saber quem anda a roubar quem, o quê e como.
Chegados aqui alguns se interrogarão: porque subscreves então um estatuto editorial que bane o anonimato? A minha resposta é: não confundamos as coisas. Uma coisa é denunciar injustiças a coberto do anonimato; outra bem diferente, é usar o anonimato para lançar anátemas sobre pessoas inocentes, corajosas ou, pura e simplesmente, de quem não se gosta por esta ou aquela razão. Não confundamos coragem com cobardia reles.
Que fazer então se alguém quiser denunciar, anonimamente, uma injustiça neste espaço? A resposta é simples: todos os autores deste blogue disponibilizam uma caixa de correio electrónico. Mande uma mensagem privada, conte o que lhe vai na alma… se o destinatário tiver condições de verificar (comprovar) as suas alegações, se se revir nelas, então será ele quem irá fazer a denúncia pública… mas, como é óbvio, com ASSINATURA.
Notas:

  • As imagens são do autor ou foram colhidas nos locais para as quais apontam as respectivas hiperligações;

  • Também publicado em EstremozNet.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Que coisa mais idiota

Este é dos comentários mais idiotas que já alguma vez li vindo de pessoas, supostamente, da área política do PSD.

Resumindo, esta lógica arrasadora diz o seguinte:"votem em Paulo Rangel, porque isso é que vai irritar os socialistas. Se depois o PSD continuar na oposição isso não tem importância, porque o PSD está cá para irritar os socialistas e não, jamais, para encontrar alternativas de futuro para os portugueses".

Brilhante, piramidal ou... perfeitamente idiota esta declaração?

A imagem foi colhida no sítio para o qual aponta a respectiva hiperligação.

terça-feira, 23 de março de 2010

Se isto se tivesse passado em Portugal...

Esta é uma das notícias do dia na RTP. Enfim, vejam o vídeo (se não o viram já) e depois falamos. OK?





O que a mim me choca é o seguinte: se isto se tivesse passado em Portugal, era bem provável que o vídeo não fosse sequer admitido como prova em Tribunal. Tinha sido gravado sem autorização da visada. Logo, não só não era presa como quem a filmou se arriscava ainda a ser penalizado.
Cá liga-se mais à forma que à substância. É isso que me choca.

Alguém se esqueceu de recolher o lixo

A imagem que junto justificou da minha parte o envio de uma mensagem de e-mail para a Câmara Municipal.
O texto da mensagem foi o seguinte:
Senhor Presidente


De acordo com a imagem que hoje captei e que aqui anexo fico com a sensação de que alguém não está a cumprir a sua obrigação.

Tudo leva a crer que os sacos de lixo que (provavelmente, antes não couberam nos contentores por estes estarem cheios) não foram recolhidos deste local, apesar dos contentores terem sido despejados.

De facto, à hora a que hoje passei no local os contentores estavam longe de estarem cheios, facto que sugere que os RSU terão sido recolhidos destes, o que não terá acontecido com os sacos que a imagem documenta.

Assim, solicito a V. Exa. se digne dar instruções ao pessoal responsável pelo sector com o propósito de impedir que episódios semelhantes se repitam no futuro.



Cumprimentos



António J. B. Ramalho

sábado, 20 de março de 2010

A mocidade dos cotas... VIII - One love - Bob Marley - Exodus 1977



Veja também o vídeo oficial desta melodia (não dá para incorporar aqui e é muito bonito).

sexta-feira, 19 de março de 2010

Porque vou votar PPC


Há muitos que pensam que as eleições directas no PSD constituem um tema que só a este partido (e aos seus militantes) diz respeito. Permitam-me que discorde desta perspectiva. Escolher o líder do PSD poderá significar também, se bem que sem qualquer garantia, escolher o próximo primeiro-ministro de Portugal. Não importa se alguns dos nossos concidadãos se revêem, ou não, no PSD, nos seus dirigentes ou no seu líder eleito em particular. O que importa, isso sim, é ter consciência que se o PSD chegar ao poder – hipótese que está longe de ser remota – a forma como vierem a ser conduzidos os destinos do país irá afectar a todos, incluindo aqueles nunca votaram nesta força política.
Feita a introdução clarifico desde já a minha opção enquanto militante do PSD: vou votar em Pedro Passos Coelho! Não tenho que estar de acordo com ele em tudo (e não estou), assim como não me sinto compelido a discordar de tudo quanto dizem os seus principais adversários nesta corrida eleitoral interna do PSD. Centrei-me no essencial e procurei descortinar em qual dos candidatos existia um maior denominador comum em relação à minha própria ideia sobre o rumo que este país deve seguir. Noutro ângulo, olhei também para o lado humano de cada um dos candidatos, para a consistência das suas ideias, para a coerência demonstrada ao longo do tempo e, finalmente, para a valia e autenticidade das atitudes evidenciadas no exercício da Política. Feito o exercício, fiquei sem dúvidas.
Ao contrário de outros candidatos – que, no essencial, representam uma linha de continuidade em relação à actual direcção do PSD –, Passos Coelho apresenta uma visão substancialmente diferente, a qual assenta na devolução de Portugal aos portugueses, na responsabilização da sociedade civil e dos representantes desta no exercício de funções no Estado. Reparem bem: como é possível que tendo Portugal beneficiado de ajudas muitos milhares de milhões de euros da União Europeia ao longo dos últimos 15 anos continuemos, em termos relativos, tão pobres e tão distantes da média comunitária? Pior que isso, como se explica que outros países, chegados à UE depois de nós, à partida mais pobres e que beneficiaram de menores ajudas, já apresentem níveis de rendimento superiores? Como se explica que tendo Portugal um nível de asfixia fiscal dos mais elevados da Europa, ainda tenham de ser os cidadãos cumpridores a pagar a factura do desequilíbrio das contas públicas?
Passos Coelho tem-se rebelado contra isso e promete um Estado regulador que combata mordomias e benesses completamente injustificadas. Antes de me aumentarem os impostos, alguém vai perder os "prémios" que nunca mereceu em empresas do Estado. Antes de me aumentarem os impostos, as concessões de estradas com lucro garantido vão terminar. Antes de me aumentarem os impostos, as negociatas no seio do Estado vão acabar.
Passos Coelho não promete facilidades nem cede à tentação de dar respostas agradáveis. É-me mais fácil acreditar em pessoas assim.
Publicado na edição de 18Mar2010 do Jornal Brados do Alentejo.
As imagens foram colhidas nos sítios para que apontam as respectivas hiperligações.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Bullying

Ao ler um artigo da autoria de Emídio Guerreiro, publicado hoje no Diário de Coimbra, intitulado "Coisas de Criança", suscitou-me a seguinte reacção que publiquei na página do autor.

"Caro Emídio, o meu amigo pôs o dedo na ferida quando escreveu isto (e agoro cito-o):



"Juntam-se hoje, no mesmo espaço, crianças com 10 anos e jovens com 17, 18 anos (2º e 3º ciclo, respectivamente)."



Não sei se vai concordar comigo, mas a minha experiência de 29 anos de ensino diz-me que as escolas 2,3 deveriam ser erradicadas do nosso sistema de ensino. É desprezível o fenómeno do bullying em escolas escundárias, 3 (com 3.º ciclo). Há uma regulação natural que é feita pelos próprios alunos e eu testemunho-o praticamente todos os dias. Os mais velhos do secundário (com 17, 18 e 19 anos) protegem os mais novos (de 12, 13 anos) das arbitrariedades dos alunos "desajustados" que agridem os mais novos. Não raras vezes, são eles, os agressores, que acabam levando um ou dois sopapos e a coisa acaba sempre por aí.



De facto, é preciso compreender o fenómeno do bullying que se explica em poucas palavras: quem agride os mais novos fá-lo por duas ordens de razões:



1.ª porque pode! e porque pode fazê-lo com impunidade;



2.ª porque a transição da puberdade para a adolescência é caracterizada por uma fase TRANSITÓRIA de agressividade que decorre de alterações hormonais e de outros fenómenos psicossomáticos.



De nada adianta culpar pais e professores por um fenómeno natural que se for devidamente enquadrado não chega a constituir um problema. O problema só existe, é real e exige preocupação pela falta do tal enquadramento.



Explico: não raras vezes, os agressores são crianças APARENTEMENTE normais, que exercem a violência sobre os mais novos em contextos de grupo ou de relativo isolamento. É por isso que o fenómeno escapa a muita gente: aos professores; aos auxiliares de acção educativa e mesmo aos PAIS, os quais, quando vêm a saber, quase sempre ficam incrédulos, primeiro, e surpreendidos e revoltados, depois. Mas lá está, escapa a adultos mas não escapa aos colegas do secundário. São eles quem quase sempre resolvem o problema antes mesmo dele chegar a existir.



Acabar com escolas 2,3 é acabar com mais de 90% dos casos de bullying."

A imagem publicada foi obtida no sítio para o qual aponta a respectiva hiperligação.

terça-feira, 16 de março de 2010

Segunda intervenção de PPC no XXXII Congresso do PSD

segunda-feira, 15 de março de 2010

Fernando Costa: o discurso que "incendiou" o Congresso do PSD

Para quem gosta de discursos onde não há margem para segundas leituras, aqui vai um...

sexta-feira, 12 de março de 2010

Orçamento Municipal 2010


Perguntou-nos o Ecos:
"Justifica-se um orçamento de 30 milhões de euros para o concelho de Estremoz?"
Há quem faça do orçamento uma ferramenta de Gestão. Em contrapartida, há quem olhe para o orçamento como o mero cumprimento de uma formalidade legal sem qualquer significado em termos práticos. Há quem procure estimar com rigor, objectividade e prudência as receitas para depois saber até onde pode ir na realização de despesas sem comprometer o futuro. Em contrapartida, há também quem crie "margens" ou "almofadas orçamentais" nas despesas para depois inventar receitas que – claramente e, por vezes, de forma despudoradamente assumida – se sabe à partida que nunca irão existir.
Em Estremoz a realidade tem estado alinhada com o segundo critério antes enunciado. A CDU – ao tempo capitaneada pelo actual Presidente da Câmara – passou a vida a empolar orçamentos mas a verdade é que as receitas nunca aumentaram por isso. O que aumentou, sim, foram os compromissos assumidos para o futuro e a degradação da situação financeira do Município, quer nos prazos de pagamento a fornecedores quer no endividamento municipal. Veio o PS para o poder e… mais do mesmo. Até parece que aprenderam pela mesma cartilha.
Este ano, depois de termos realizado despesas na ordem dos 12 milhões de euros em 2009, temos um orçamento de 30 milhões. Um aumento de 150%. Não é piada, mas esta situação é equivalente a dizer que um miúdo que hoje mede 1 metro de altura irá medir 2,5 m no final do ano. Para ilustrar o ridículo desta situação, dou-vos um exemplo:
Elvas apresentou este ano um orçamento de 23 milhões; em Estremoz foram aprovados os já referidos 30 milhões. Em 2009, Elvas apresentou um orçamento de 22 milhões, mas depois realizou uma despesa do mesmo valor; em Estremoz trabalhou-se com um orçamento de 28 milhões mas a receita e a despesa ficaram-se pelos 12 milhões. Elvas prevê vender terrenos por 40 mil euros, nós vamos vender uma pastagem nos Arcos por 4,5 milhões. Elvas tem passado vários anos consecutivos sem pedir empréstimos; em Estremoz pedem-se novos empréstimos todos os anos.
Há um destes dois orçamentos que é uma fantasia. Qual pensam que é? Não era preferível trabalhar com um orçamento realista que impusesse a concentração de esforços naquilo que é prioritário? Para este representante do PSD a resposta é inequívoca: seria muito mais vantajoso realizar investimentos na ordem dos 6 milhões de euros por ano num orçamento comedido, que realizar investimentos de apenas 2 milhões no orçamento de 30.
Daqui a um ano, veremos quem é que, afinal, tem razão.
Publicado na rubrica "Mesa Redonda", na edição de 12Mar2010 do Jornal Ecos.
A imagem foi colhida no sítio para o qual aponta a respectiva hiperligação

segunda-feira, 8 de março de 2010

Isabel Allende conta histórias de paixão

Numa mais que provável alusão - se bem que indirecta - ao Dia Mundial da Mulher, remeteram-me este vídeo que suscita alguma reflexão.
Dele faço a minha homenagem às Mulheres...

sábado, 6 de março de 2010

Dos Alpes para uma estação ferroviária perto de si

Neste caso The sound of music foi exibida na Estação Central de Antuérpia (Bélgica)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Tão amigos que nós éramos…


Quem não sentiu ainda o travo de uma amizade traída? Dado que a deslealdade não parece compatível com a amizade, muitos são aqueles que concluem, depois, que a pessoa tida por amiga, afinal, não o era verdadeiramente. Não é?
Todavia, esta pode ser uma conclusão precipitada. As relações humanas são complexas e o conceito de amizade não é entendido do mesmo modo por todos. Não só o antigo amigo pode nem sequer achar que foi desleal; como podem não existir razões objectivas para duvidar de todo um passado de amizade até ao momento da… alegada traição.
Há quem diga que "os amigos são para as ocasiões", expressão que, quando devidamente interpretada, denuncia a existência de interesse no cultivo das amizades. Outros, quando não os mesmos, já dizem "amigos amigos, negócios à parte", expressão que recomenda prudência quando se misturam relações pessoais com interesses de outra natureza. Nesta linha, houve quem recomendasse uma clara separação de águas: "guarde os amigos para a amizade; para o trabalho prefira os competentes e capazes".
Por vezes, confundem-se alianças tácticas na prossecução de interesses comuns com aquilo que habitualmente se considera a verdadeira amizade, a qual assenta muito mais em afinidades pessoais. São as amizades maçónicas, fundadas na mera troca de interesses. Dá-se agora para se receber depois, em suma, investe-se. O problema reside no facto de que quanto maior for o favor, maiores são os "encargos futuros" que oprimem os destinatários e, neste sentido, menor gratidão receberá em troca, já que estes, percebendo a lógica do sistema, acabam por sentir-se desobrigados de retribuir se também eles não acreditarem vir a colher os benefícios de tal retribuição.
Os "companheiros de luta", ou seja, aqueles que trilham connosco determinados percursos das nossas vidas, a quem confidenciamos anseios e com quem partilhamos angústias, poderão ser, afinal, aliados e não necessariamente amigos. Não confundir: perante adversários e objectivos comuns as pessoas tendem a unir-se. Porém, esquecemo-nos muitas vezes que eles poderão não estar exactamente na mesma situação que nós... nesse caso, a relação de proximidade pode criar condições propícias para que ambicionem aquilo que nós já temos ou então aquilo que também nós ambicionamos e estamos mais próximos de conseguir. Sempre que haja lugar à aplicação do princípio da exclusão, ou seja, sempre que o objecto do desejo não seja susceptível de satisfazer de igual modo – e em simultâneo – duas ou mais pessoas, cuidado, muito cuidado, a traição pode estar iminente.
Pergunta final: deverá Aguiar Branco sentir-se traído por Paulo Rangel? Resposta: não sei nem me interessa. A minha amizade política vai para alguém que José Sócrates teme e que, por isso mesmo, finge deliberadamente ignorar: Pedro Passos Coelho.

Publicado na edição de 04Mar2010 do Jornal Brados do Alentejo
As imagens foram colhidas nos sítios para os quais apontas as respectivas hiperligações.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Pedro Passos Coelho VS Paulo Rangel

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Euribor Fevereiro 2010

Os indexantes para os contratos de financiamento cuja renovação ocorra durante o mês de Março são os seguintes:
  • Euribor a 3 meses: 0,662%;
  • Euribor a 6 meses: 0,965%.
Para saber qual a taxa de juro a aplicar basta adicionar o spread.
Os efeitos de (mais esta) redução da taxa de juro só irão evidenciar-se a partir do mês de Abril.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Mais um cartoon de Picalima

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Relações de Poder


A maioria das pessoas procura evitar situações de confronto com as chefias de uma forma quase intuitiva. Intuitiva sim, se bem que não inocente. Estar bem com os chefes proporciona um certo conforto, já que o seu oposto – a hostilidade da hierarquia – se traduz sempre em ameaça. Porém, alguns pretendem mais que meramente fugir ao desconforto. Pretendem sentir segurança, ou seja, procuram deliberadamente agradar para serem vistos como aliados. Mesmo que não apreciem todos os atributos dos superiores, preferem engolir em seco e disponibilizam-se para cooperar. Finalmente, há ainda aqueles que vêem na relação com os seus superiores o caminho mais óbvio para a sua própria ascensão. Estes vão mais longe: bajulam, esforçam-se para exibirem os seus talentos (se os tiverem) e, se necessário for, prontificam-se para cumplicidades pouco louváveis.
Do lado da hierarquia também há um pouco de tudo. Há os que ganharam a sua posição graças aos seus próprios méritos, por vezes remando contra a mediocridade e, invariavelmente, sofrendo os revezes decorrentes de ressentimentos e invejas dos que não evidenciam idênticas aptidões. Por regra, estes tendem a desprezar a mediocridade disfarçada de faz-de-conta; a apreciar o talento e qualidades genuínas dos seus subordinados; e preferem a competência crítica à bajulação hipócrita. Noutro patamar, existem chefes que combinam dois tipos de atributos: competência técnica (o que não implica, necessariamente, genialidade); e inteligência emocional (que lhes permitiu subirem na hierarquia sem fazerem muitas ondas e, fundamentalmente, sem hostilizarem as respectivas chefias). Normalmente desempenham de forma minimamente capaz os respectivos cargos mas revelam uma séria limitação: sentem-se inseguros quando alguém ousa brilhar mais do que eles, tendendo a atacar os subordinados que evidenciam talento ou instinto de liderança que os possa ofuscar. Finalmente, existem aquelas chefias que nunca o deveriam ser. Enquanto subordinados integraram o grupo dos bajuladores, dos sem escrúpulos ou dos que realizaram trabalhos sujos por conta de anteriores chefes. Normalmente não se destacam pelos seus atributos técnicos, mesmo que os tenham, mas sim por se revelarem sobredotados a montar ardis, a desenvolverem teias de cumplicidades e a executarem golpadas. Para eles, os fins sempre justificam os meios, por mais odiosos que sejam.

Em Portugal já tivemos estes três tipos de lideranças. A um nível superior tivemos alguém que, em duplo paradoxo, ascendeu à liderança por sucessão dinástica mas que, tal como a pescada, antes de ser Rei já o era e muito teve de fazer para preservar tal condição: D. João II. A um nível intermédio podemos enumerar Cavaco Silva. Desempenhou razoavelmente o seu cargo de Primeiro-Ministro, mas correu com todos quantos ousaram discordar ou fazer-lhe sombra: Miguel Cadilhe, Álvaro Barreto, Santana Lopes e Teresa Patrício Gouveia. Como líder que nunca o deveria ter sido temos… Sócrates.

Notas:

As imagens foram colhidas nos sítios para os quais apontam as respectivas hiperligações;
Publicado na edição de 19Fev2010 do Jornal Brados do Alentejo.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Uma atençãozinha do Sr. Presidente

Perguntou-nos o Ecos:
"A Câmara Municipal de Estremoz contratou mais dois assessores jurídicos.
Concorda?"

Não. É óbvio que não concordo. Foi por não concordar que votei contra esta decisão na Reunião de Câmara, assim como denunciei outra similar ocorrida recentemente no Município de Estremoz.
O Sr. Presidente da Câmara está a corresponder às expectativas nele depositadas e a comportar-se como arauto do "municipal porreirismo". Com o dinheiro de todos nós vai distribuindo favores pelas amizades e cumplicidades, sem qualquer fundamento técnico ou económico. Foi assim com as avenças jurídicas – completamente injustificáveis atendendo a que a autarquia já dispõe de juristas, assim como dispõe ainda de acesso, gratuito, aos pareceres da CCDR –, foi assim com os contratos de seguro e estará certamente a ser assim – é-nos absolutamente legítima esta presunção – com muitas outras situações das quais dificilmente saberemos por serem decisões tomadas no âmbito da competência, exclusiva, do Sr. Presidente da Câmara.
No actual contexto, há só uma situação que pode justificar a contratação externa de advogados por parte da autarquia: a representação do Município em processos judiciais em que seja interveniente. Todavia, esta situação só poderia justificar uma avença jurídica permanente se o número de processos fosse elevado, o que não é manifestamente o caso. Ora se nem uma avença se justifica, muito menos se conseguem justificar duas.
"Encostado às cordas", já sem defesa plausível, o Sr. Presidente teve uma tirada notável que se traduz mais ou menos da seguinte forma: toda a vida assim foi; é assim em todo o lado! Lapidar. Assumem-se despudoradamente os actos vergonhosos, justificando-os com a impunidade da falta de vergonha de outros. Enfim, lá que é verdade, infelizmente, é… porém, não é essa verdade que vai transformar uma pouca-vergonha num acto louvável. Tenho pena, mas não tenho outra forma de dizer isto.
O problema do municipal porreirismo é que ele nunca chega para todos os que contam beneficiar com ele. Muitos continuam na fila à espera que chegue a sua vez… muitos haverá que no fim irão concluir que se iludiram com as promessas que lhe foram feitas. Para o cidadão comum, que cumpre com as suas obrigações, é bom que vá tendo consciência que está no fim da fila. Pode reclamar os seus direitos, mas ainda assim, caso seja atendido, haverá quem lhe faça sentir que lhe fizeram um favor… porque, afinal, toda a gente o sabe, o nosso presidente é, como se costuma dizer, um gajo porreiro.

Publicado na rubrica "Mesa Redonda", na edição de 12Fev2010 do Jornal Ecos.
A imagem foi colhida no sítio para o qual aponta a respectiva hiperligação.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O pior que nos envergonha (II)

Cada dia que passa me convenço mais que há por aí uma certa imprensa que está, já estava, sempre esteve, desejosa de ser controlada por Sócrates.
Por muito menos, vi ser crucificado um primeiro-ministro que não fez - nem teve tempo para isso - uma 1/5 parte do que este já fez e todos os dias era apodado de "trapalhão".

Então, isto (a que temos vindo a assistir) não é uma trapalhada?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Acta n.º 2/2010 da Reunião CME de 20Jan2010 - Documentação das Reuniões de 2009

Já está disponível a acta (oficial, aprovada) n.º 2/2010 da Reunião CME de 20Jan2010.
Os interessados poderão consultar e transferir este documento aqui.

Entretanto, já que se encontra também disponível a documentação distribuída aos vereadores nas 4 reuniões, deste mandato, realizadas em 2009.
Para consulta e transferência, siga esta hiperligação.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Auto-estima colectiva


Esta história ocorreu nesse mundo virtual a que vulgarmente se dá o nome de blogosfera, no qual apenas parte dos intervenientes têm rosto e são identificáveis, enquanto os demais permanecem a coberto do anonimato (umas vezes apenas conveniente, outras tantas indispensável para que a verdadeira natureza das pessoas se evidencie).
Há dias insurgi-me contra umas pessoas que se consideram… (bom vamos lá ver qual há-de ser o adjectivo mais adequado…) especiais num mundo em que os seus semelhantes são… (e agora como hei-de dizer isto…) menos cultos, menos informados e talvez… talvez não, decididamente, tugas. Para quem não sabe o que é ser tuga informo que é o diminutivo de portuga, que é aquele português que envergonha os seus pares por ser tosco, grosso, preguiçoso, oportunista, fingido, pato-bravo, analfabruto, que gosta de futebol, que não sabe os nomes dos arquitectos, pintores, escultores e poetas mais eruditos e que percebe mais de minis e de caracóis do que vodka e de caviar.
Insurgi-me, esclareço, mais por estarem a ser condescendentes com os estremocenses – do género, "benza-os Deus, nem sabem valorizar o que têm…" – do que propriamente pelas razões de fundo que os levou a criticarem o estacionamento no nosso Rossio Marquês de Pombal. Como é óbvio, o meu comentário suscitou reacções variadas, deslocando o debate do tema original – o estacionamento no Rossio – o qual, a partir de determinada altura, ficou reduzido a mero pretexto para serem tecidas considerações de outra natureza e que eu classificaria de lapidares… sobre as diferenças culturais e de atitude que caracterizam, grosso modo, a sociedade portuguesa.
De um lado estavam os que defendiam a tese do (e agora cito uma expressão ali utilizada) "lá fora é que é"; do outro estavam aqueles que, sem deixarem de reconhecer que em Portugal há do melhor que nos orgulha e do pior que nos envergonha, defendiam abordagens diferentes para os mesmos problemas, as quais, invariavelmente, incorporavam uma auto-aceitação das características dos portugueses. Embora eu não tivesse voltado a pronunciar-me naquele blogue, é evidente que me perfilo do lado deste segundo grupo.
Aliás, sem a auto-aceitação (a que antes me referi) não há espaço nem condições para poder emergir a auto-estima, mazela que afecta de forma relevante os portugueses em relação ao Eu colectivo que é Portugal. Este fenómeno é tão grave que, conforme evidencia um estudo de 2009 do Reputation Institute, chegámos ponto de Portugal ter melhor reputação junto dos estrangeiros que junto dos portugueses.
Isto não significa que não devamos reconhecer os nossos erros nem procurar encontrar soluções para os resolver. Significa somente que não é atacando as pessoas, sem tentar compreendê-las, que se atraem adeptos para os nossos pontos de vista. Afinal, é com os portugueses que vamos ter de fazer deste país um lugar melhor para se viver.
Notas:

  1. As imagens foram colhidas nos sítios para as quais apontam as respectivas hiperligações;

  2. Publicado na edição de 04Fev2010 do Jornal Brados do Alentejo;

  3. Artigos relacionados:

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