quarta-feira, 14 de abril de 2010

"Estremoz" a 25%

Depois de ter visionado a RTP Memória em que ouvi uma alusão a uma locomotiva denominada “Estremoz”, a minha curiosidade ficou espicaçada pelo meu (pouco racional, mas real) bairrismo. Vai daí escrevi para a CP a tentar obter mais dados sobre a referida locomotiva. A resposta que obtive foi a seguinte:

“A locomotiva que refere é a 02049 que estava à data do documentário na secção museológica de Nine. Este dado terá de ser confirmado junto da Fundação do Museu Nacional Ferroviário, com sede no Entroncamento.

A locomotiva 02049 não é a primeira locomotiva em Portugal, mas sim a locomotiva mais antiga existente em Portugal. A locomotiva em questão, foi adquirida após a inauguração e não se encontra no estado original. Quanto às locomotivas da inauguração em 1856 nenhuma sobreviveu.

Por outro lado, nada garante que aquela em particular seja a que em 1857 teve o nome ESTREMOZ, pois fazia parte de uma série de 4 unidades iguais (denominadas ALEMQUER, ESTREMOZ, LEIRIA e VILLA FRANCA). Sabe-se que aquela locomotiva, quando foi vendida pela CP para o Minho e Douro recebeu o nome ESTE, alusivo ao Rio Este, e alguém se lembrou de fazer uma associação que tal teria a ver com anteriormente chamar-se ESTREMOZ. No entanto, tal opinião não é suportada por nenhuma evidência histórica, tanto mais que na época da venda ao MD a locomotiva há muito que já não tinha o nome original.

Os fundamentos do nome, derivam simplesmente do facto de ser habitual naquela época identificar as locomotivas por nomes e não por números como viria a ser o caso poucos anos depois. Esses nomes eram escolhidos de cidades, rios, personagens ilustres, etc. No caso português, adoptaram-se nomes de cidades e vilas importantes na época (para além das já mencionadas, outras locomotivas da mesma época foram designadas LISBOA, PORTO, AZAMBUJA, SANTARÉM, ELVAS, MADRID e CAMÕES).

Não houve qualquer padrinho ou madrinha na atribuição do nome. Era um acto puramente administrativo e técnico para permitir identificar os veículos”

Alguns dias mais tarde solicitei também à Associação Portuguesa dos Amigos do Caminho de Ferro que informassem daquilo que soubessem sobre o assunto. A resposta obtida vai exactamente no mesmo sentido da anterior, ou seja, a probabilidade de que a mais antiga locomotiva a vapor que chegou até nós ser a "Estremoz" é de 25%. A resposta foi a seguinte:

"A locomotiva que aparece no documentário da RTP tem o número 02049 e está preservada na secção museológica de Nine.

Fazia parte de uma série de quatro locomotivas iguais, fabricadas no Reino Unido pela empresa William Fairbairn & Sons e adquiridas em 1857 pela Administração do Caminho-de-Ferro de Lisboa a Santarém, para serviços mistos naquela linha, hoje integrada na linha do Norte. Nessa época as locomotivas daquele caminho-de-ferro eram identificadas por nomes e não pela mais generalizada prática da atribuição de números, tendo recebido os nomes “ALEMQUER, “ESTREMOZ, “LEIRIA” e “VILLA FRANCA. Esta era uma prática meramente administrativa e técnica, destinando-se unicamente a permitir distinguir as locomotivas, não havendo qualquer padrinho ou madrinha.


Em 1874 já só restavam duas delas, tendo sido ambas vendidas pela Companhia Real (antecessora da CP) ao Caminho-de-Ferro do Minho e Douro (MD) para auxiliar na construção daquelas linhas. Nesta empresa sabe-se apenas que em 1882 já só havia uma delas, com o número 17 e o nome “ESTE”, alusivo ao Rio Este, como era prática habitual naquela empresa.

Posteriormente foi significativamente modificada para o aspecto com que chegou até hoje, com a numeração 02049 atribuída em 1931 na sequência da exploração do MD pela CP.

Será de salientar que não existe qualquer fonte histórica fidedigna que possa sustentar a tese de alguns, de que a 02049 seja a que em 1857 era designada “ESTREMOZ, tese essa que se baseia unicamente numa alegada semelhança (!) de nomes entre ESTE e ESTREMOZ. Tal é, na nossa opinião, tanto mais inverosímil, na medida em que quando as locomotivas foram vendidas para o Minho e Douro já não tinham o nome por que eram identificadas no início da sua circulação em Portugal, sendo apenas identificadas pelos números já referidos.

Assim, pese embora as dúvidas que se acabaram de afirmar, julgamos que a locomotiva em questão tem pleno cabimento no “bairrismo” que o caro interlocutor assume na sua questão, desde que devidamente enquadrada na dúvida histórica existente e nos 25% de probabilidade de que a locomotiva em questão se tenha chamado “ESTREMOZ."

Notas:

  • A foto divulgada é propriedade da CP;

  • Também publicado em EstremozNet

 

terça-feira, 13 de abril de 2010

Brilhante, sem aparatos

Eu sei que sou suspeito, apoiei Pedro Passos Coelho há dois anos, voltei a apoiá-lo agora, fui ao lançamento do seu livro a convite directo e pessoal dele, enfim, sou suspeito. Todavia, fazendo o exercício de distanciamento possível, considerei a sua prestação nos "Sinais de Fogo" sóbria, franca, sem falsas promessas e, portanto, nada demagógica. Provavelmente ouvimos coisas que preferíamos não ter ouvido, em especial quando se referiu à muito débil situação económica do país. Falou-nos verdade, sem rodeios, porém, ao contrário do que até aqui acontecia, consegui ver sinais claros de esperança para além das nuvens negras mais imediatas.
Foi Brilhante, sem aparatos.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A propósito da locomotiva "Estremoz"...

Tendo sido questionado sobre as fontes da informação veiculada no post anterior, esclareço: o vídeo seguinte constitui um resumo de um documentário produzido pela RTP (da autoria de Paulo Silva Costa) a propósito das comemorações dos 150 anos dos caminhos-de-ferro em Portugal. Neste resumo, a partir do minuto 05:25 vem a resposta à questão formulada.


Também publicado em EstremozNet

terça-feira, 6 de abril de 2010

Sabia que...

... a mais antiga locomotiva portuguesa que chegou até nós - a vapor, de 1857 - foi denominada "Estremoz"?

Notas:

  • A imagem foi colhida no sítio para o qual aponta a respectiva hiperligação;

  • Também publicado em estremoznet.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Sensibilidade e bom senso II


Em Fevereiro de 2007 publicou este jornal uma crónica minha intitulada "Sensibilidade e bom senso", a qual versou sobre o abate injustificado de árvores no espaço urbano de Estremoz. Passados 3 anos e, curiosamente, na mesma semana em que a RTP 2 inicia a difusão de mais uma adaptação televisiva de uma obra de Jane Austen (desta feita, "Emma"), volto ao mesmo tema pelas piores razões: o abate criminoso de árvores continua.
Classifiquei de "criminoso" o abate de árvores mesmo sem ter a certeza se, do ponto de vista jurídico-legal, se trata efectivamente de um crime ou de uma mera violação das normas de conduta social (de uma contra-ordenação, portanto). Enfim, a classificação jurídica do acto pouco importa agora, para mim é um crime e ponto final. De facto, não vejo qualquer similitude entre um estacionamento proibido – o qual basta remover o carro e o problema fica resolvido – e destruir o património arbóreo (com dezenas, quiçá centenas, de anos de vida) que integra a nossa paisagem. Neste último caso, é toda uma memória colectiva que é banida da nossa vivência e cuja reposição da situação anterior ao "crime" só ocorrerá, na melhor das hipóteses, quando a maior parte de nós já estiver na quinta dos pés juntos a fazer tijolo.
Há 3 anos vi tudo o que se estava a passar, ao vivo e a cores, com estes que a terra há-de comer; desta vez só quase 2 anos depois vim a saber do crime e… através de terceiros. Há 3 anos, o crime foi cometido dentro da cidade de Estremoz; desta vez, o crime foi cometido na antiga estrada N4, a seguir à passagem de nível da Fonte do Imperador. No dizer de Alejandro Casona "as árvores morrem de pé"… pois mas isso é quando morrem de causas naturais; desta vez as árvores foram assassinadas de pé, através de uma poda excessiva deliberadamente feita com a intenção de as matar. Ora aí está uma daquelas coisas que me chateiam: quem ordenou, quem consentiu, quem não agiu, fê-lo de forma dissimulada com o claro propósito de matar e ao mesmo tempo com a intenção de dar ares de "acidente", facto que torna ainda mais hediondo este crime com recurso à tortura. Só de uma coisa os criminosos não podem ser acusados: da ocultação dos cadáveres. Os restos mortais das árvores continuam lá… de pé.
A minha veia romanesca leva-me a chamar "túnel verde" às estradas circundadas de árvores de grandes dimensões, por sempre ter visto neles a simbiose perfeita da intervenção do Homem em harmonia com a Natureza. Ali, no antigo caminho para Lisboa havia um… que alguém se encarregou de destruir de forma irremediável. Esse alguém havia de ser condenado, no mínimo, a repor aquilo que destruiu. Já não seria para proveito daqueles que hoje integram o mundo dos vivos, porém, tenho a certeza que os nossos netos ainda se iriam deliciar com o túnel verde.
Notas:
Publicado na edição de 01Abr2010 do Jornal Brados do Alentejo;
Também publicado em EstremozNet;
As imagens são do autor ou foram colhidas nos locais para os quais apontam as respectivas hiperligações.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Euribor Março 2010

Os indexantes para os contratos de financiamento cuja renovação ocorra durante o mês de Abril são os seguintes:

• Euribor a 3 meses: 0,645% (-0,067% que no trimestre anterior);

• Euribor a 6 meses: 0,952% (-0,088% que no semestre anterior).

Para saber qual a taxa de juro a aplicar basta adicionar o spread.

Os efeitos desta redução da taxa de juro só irão evidenciar-se a partir do mês de Maio.

Alerto, todavia, que os efeitos no valor das prestações são reduzidos (cerca de 4 euros/mês por cada 100 mil euros de empréstimo por um prazo de 25 anos).



terça-feira, 30 de março de 2010

EstremozNet – Um blogue colectivo


A convite de Hernâni Matos integro o grupo fundador do blogue colectivo EstremozNet e colaborei (com propostas de emendas, de supressões e de aditamentos) na elaboração do respectivo estatuto editorial. A criação deste blogue colectivo insere-se num projecto mais vasto, o qual inclui, entre outras iniciativas, a realização do I Encontro de Bloggers, Webmasters e Facebookers de Estremoz.
Mas falemos, apenas e por ora, do EstremozNet. Um blogue colectivo tem inequívocas vantagens: tem maior dinamismo, mais visitas e, por maioria de razão, um maior interesse que decorre do facto de com múltiplos autores, múltiplas sensibilidades, múltiplas opiniões é sempre possível comparar o verso e reverso, o ponto e o contraponto. Mais: tudo isto será feito por estremocenses (por nascimento ou por opção) e… sempre por estremocenses devidamente identificados.
Por via de regra o debate sério, construtivo e responsável faz-se através de opiniões com assinatura. Logo, a crítica fácil, maldizente, mal intencionada e cobarde (porque não dizê-lo), não vai ter espaço neste blogue. Como é evidente, este facto vai afastar aqueles que, beneficiando de total impunidade e sem qualquer respeito pela Ética na Comunicação, vêem na Web uma via de conspurcar outros com a sua má formação e baixos instintos. Vai também afastar aqueles que têm o mórbido prazer de ver salpicos de sangue… de outros.
Esta opção tem, todavia, um reverso que se traduz num inconveniente. Nem todos os anónimos são pessoas mal formadas. Alguns haverá – e já citarei exemplos – que podem estar compelidos a não poderem assumir a sua identidade, sob pena de ficarem sujeitos a represálias pelo seu grito de liberdade. Curiosamente, eu – que, em abono da verdade, nem sequer sei se me posso considerar um verdadeiro blogger – até fui muito influenciado para entrar nesta aventura da blogosfera por um blogue (que ainda hoje muito admiro) cujo(a) autor(a) até era anónimo(a) (Semiramis). O(A) autor(a) era anónimo(a) porque ocupava uma posição de destaque na hierarquia da Administração Pública e corria riscos efectivos se assinasse as suas opiniões, as suas denúncias. Aliás, sempre que alguém depende hierarquicamente de uma pessoa intolerante e sem escrúpulos, temos que o reconhecer, tal pessoa fica cerceada na sua liberdade. Às vezes, o anonimato é a única via… e tanto assim é que a moderna Corporate Governance de algumas empresas já admite o recurso a linhas anónimas como forma de ficar a saber quem anda a roubar quem, o quê e como.
Chegados aqui alguns se interrogarão: porque subscreves então um estatuto editorial que bane o anonimato? A minha resposta é: não confundamos as coisas. Uma coisa é denunciar injustiças a coberto do anonimato; outra bem diferente, é usar o anonimato para lançar anátemas sobre pessoas inocentes, corajosas ou, pura e simplesmente, de quem não se gosta por esta ou aquela razão. Não confundamos coragem com cobardia reles.
Que fazer então se alguém quiser denunciar, anonimamente, uma injustiça neste espaço? A resposta é simples: todos os autores deste blogue disponibilizam uma caixa de correio electrónico. Mande uma mensagem privada, conte o que lhe vai na alma… se o destinatário tiver condições de verificar (comprovar) as suas alegações, se se revir nelas, então será ele quem irá fazer a denúncia pública… mas, como é óbvio, com ASSINATURA.
Notas:

  • As imagens são do autor ou foram colhidas nos locais para as quais apontam as respectivas hiperligações;

  • Também publicado em EstremozNet.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Que coisa mais idiota

Este é dos comentários mais idiotas que já alguma vez li vindo de pessoas, supostamente, da área política do PSD.

Resumindo, esta lógica arrasadora diz o seguinte:"votem em Paulo Rangel, porque isso é que vai irritar os socialistas. Se depois o PSD continuar na oposição isso não tem importância, porque o PSD está cá para irritar os socialistas e não, jamais, para encontrar alternativas de futuro para os portugueses".

Brilhante, piramidal ou... perfeitamente idiota esta declaração?

A imagem foi colhida no sítio para o qual aponta a respectiva hiperligação.

terça-feira, 23 de março de 2010

Se isto se tivesse passado em Portugal...

Esta é uma das notícias do dia na RTP. Enfim, vejam o vídeo (se não o viram já) e depois falamos. OK?





O que a mim me choca é o seguinte: se isto se tivesse passado em Portugal, era bem provável que o vídeo não fosse sequer admitido como prova em Tribunal. Tinha sido gravado sem autorização da visada. Logo, não só não era presa como quem a filmou se arriscava ainda a ser penalizado.
Cá liga-se mais à forma que à substância. É isso que me choca.

Alguém se esqueceu de recolher o lixo

A imagem que junto justificou da minha parte o envio de uma mensagem de e-mail para a Câmara Municipal.
O texto da mensagem foi o seguinte:
Senhor Presidente


De acordo com a imagem que hoje captei e que aqui anexo fico com a sensação de que alguém não está a cumprir a sua obrigação.

Tudo leva a crer que os sacos de lixo que (provavelmente, antes não couberam nos contentores por estes estarem cheios) não foram recolhidos deste local, apesar dos contentores terem sido despejados.

De facto, à hora a que hoje passei no local os contentores estavam longe de estarem cheios, facto que sugere que os RSU terão sido recolhidos destes, o que não terá acontecido com os sacos que a imagem documenta.

Assim, solicito a V. Exa. se digne dar instruções ao pessoal responsável pelo sector com o propósito de impedir que episódios semelhantes se repitam no futuro.



Cumprimentos



António J. B. Ramalho

sábado, 20 de março de 2010

A mocidade dos cotas... VIII - One love - Bob Marley - Exodus 1977



Veja também o vídeo oficial desta melodia (não dá para incorporar aqui e é muito bonito).

sexta-feira, 19 de março de 2010

Porque vou votar PPC


Há muitos que pensam que as eleições directas no PSD constituem um tema que só a este partido (e aos seus militantes) diz respeito. Permitam-me que discorde desta perspectiva. Escolher o líder do PSD poderá significar também, se bem que sem qualquer garantia, escolher o próximo primeiro-ministro de Portugal. Não importa se alguns dos nossos concidadãos se revêem, ou não, no PSD, nos seus dirigentes ou no seu líder eleito em particular. O que importa, isso sim, é ter consciência que se o PSD chegar ao poder – hipótese que está longe de ser remota – a forma como vierem a ser conduzidos os destinos do país irá afectar a todos, incluindo aqueles nunca votaram nesta força política.
Feita a introdução clarifico desde já a minha opção enquanto militante do PSD: vou votar em Pedro Passos Coelho! Não tenho que estar de acordo com ele em tudo (e não estou), assim como não me sinto compelido a discordar de tudo quanto dizem os seus principais adversários nesta corrida eleitoral interna do PSD. Centrei-me no essencial e procurei descortinar em qual dos candidatos existia um maior denominador comum em relação à minha própria ideia sobre o rumo que este país deve seguir. Noutro ângulo, olhei também para o lado humano de cada um dos candidatos, para a consistência das suas ideias, para a coerência demonstrada ao longo do tempo e, finalmente, para a valia e autenticidade das atitudes evidenciadas no exercício da Política. Feito o exercício, fiquei sem dúvidas.
Ao contrário de outros candidatos – que, no essencial, representam uma linha de continuidade em relação à actual direcção do PSD –, Passos Coelho apresenta uma visão substancialmente diferente, a qual assenta na devolução de Portugal aos portugueses, na responsabilização da sociedade civil e dos representantes desta no exercício de funções no Estado. Reparem bem: como é possível que tendo Portugal beneficiado de ajudas muitos milhares de milhões de euros da União Europeia ao longo dos últimos 15 anos continuemos, em termos relativos, tão pobres e tão distantes da média comunitária? Pior que isso, como se explica que outros países, chegados à UE depois de nós, à partida mais pobres e que beneficiaram de menores ajudas, já apresentem níveis de rendimento superiores? Como se explica que tendo Portugal um nível de asfixia fiscal dos mais elevados da Europa, ainda tenham de ser os cidadãos cumpridores a pagar a factura do desequilíbrio das contas públicas?
Passos Coelho tem-se rebelado contra isso e promete um Estado regulador que combata mordomias e benesses completamente injustificadas. Antes de me aumentarem os impostos, alguém vai perder os "prémios" que nunca mereceu em empresas do Estado. Antes de me aumentarem os impostos, as concessões de estradas com lucro garantido vão terminar. Antes de me aumentarem os impostos, as negociatas no seio do Estado vão acabar.
Passos Coelho não promete facilidades nem cede à tentação de dar respostas agradáveis. É-me mais fácil acreditar em pessoas assim.
Publicado na edição de 18Mar2010 do Jornal Brados do Alentejo.
As imagens foram colhidas nos sítios para que apontam as respectivas hiperligações.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Bullying

Ao ler um artigo da autoria de Emídio Guerreiro, publicado hoje no Diário de Coimbra, intitulado "Coisas de Criança", suscitou-me a seguinte reacção que publiquei na página do autor.

"Caro Emídio, o meu amigo pôs o dedo na ferida quando escreveu isto (e agoro cito-o):



"Juntam-se hoje, no mesmo espaço, crianças com 10 anos e jovens com 17, 18 anos (2º e 3º ciclo, respectivamente)."



Não sei se vai concordar comigo, mas a minha experiência de 29 anos de ensino diz-me que as escolas 2,3 deveriam ser erradicadas do nosso sistema de ensino. É desprezível o fenómeno do bullying em escolas escundárias, 3 (com 3.º ciclo). Há uma regulação natural que é feita pelos próprios alunos e eu testemunho-o praticamente todos os dias. Os mais velhos do secundário (com 17, 18 e 19 anos) protegem os mais novos (de 12, 13 anos) das arbitrariedades dos alunos "desajustados" que agridem os mais novos. Não raras vezes, são eles, os agressores, que acabam levando um ou dois sopapos e a coisa acaba sempre por aí.



De facto, é preciso compreender o fenómeno do bullying que se explica em poucas palavras: quem agride os mais novos fá-lo por duas ordens de razões:



1.ª porque pode! e porque pode fazê-lo com impunidade;



2.ª porque a transição da puberdade para a adolescência é caracterizada por uma fase TRANSITÓRIA de agressividade que decorre de alterações hormonais e de outros fenómenos psicossomáticos.



De nada adianta culpar pais e professores por um fenómeno natural que se for devidamente enquadrado não chega a constituir um problema. O problema só existe, é real e exige preocupação pela falta do tal enquadramento.



Explico: não raras vezes, os agressores são crianças APARENTEMENTE normais, que exercem a violência sobre os mais novos em contextos de grupo ou de relativo isolamento. É por isso que o fenómeno escapa a muita gente: aos professores; aos auxiliares de acção educativa e mesmo aos PAIS, os quais, quando vêm a saber, quase sempre ficam incrédulos, primeiro, e surpreendidos e revoltados, depois. Mas lá está, escapa a adultos mas não escapa aos colegas do secundário. São eles quem quase sempre resolvem o problema antes mesmo dele chegar a existir.



Acabar com escolas 2,3 é acabar com mais de 90% dos casos de bullying."

A imagem publicada foi obtida no sítio para o qual aponta a respectiva hiperligação.

terça-feira, 16 de março de 2010

Segunda intervenção de PPC no XXXII Congresso do PSD

segunda-feira, 15 de março de 2010

Fernando Costa: o discurso que "incendiou" o Congresso do PSD

Para quem gosta de discursos onde não há margem para segundas leituras, aqui vai um...

sexta-feira, 12 de março de 2010

Orçamento Municipal 2010


Perguntou-nos o Ecos:
"Justifica-se um orçamento de 30 milhões de euros para o concelho de Estremoz?"
Há quem faça do orçamento uma ferramenta de Gestão. Em contrapartida, há quem olhe para o orçamento como o mero cumprimento de uma formalidade legal sem qualquer significado em termos práticos. Há quem procure estimar com rigor, objectividade e prudência as receitas para depois saber até onde pode ir na realização de despesas sem comprometer o futuro. Em contrapartida, há também quem crie "margens" ou "almofadas orçamentais" nas despesas para depois inventar receitas que – claramente e, por vezes, de forma despudoradamente assumida – se sabe à partida que nunca irão existir.
Em Estremoz a realidade tem estado alinhada com o segundo critério antes enunciado. A CDU – ao tempo capitaneada pelo actual Presidente da Câmara – passou a vida a empolar orçamentos mas a verdade é que as receitas nunca aumentaram por isso. O que aumentou, sim, foram os compromissos assumidos para o futuro e a degradação da situação financeira do Município, quer nos prazos de pagamento a fornecedores quer no endividamento municipal. Veio o PS para o poder e… mais do mesmo. Até parece que aprenderam pela mesma cartilha.
Este ano, depois de termos realizado despesas na ordem dos 12 milhões de euros em 2009, temos um orçamento de 30 milhões. Um aumento de 150%. Não é piada, mas esta situação é equivalente a dizer que um miúdo que hoje mede 1 metro de altura irá medir 2,5 m no final do ano. Para ilustrar o ridículo desta situação, dou-vos um exemplo:
Elvas apresentou este ano um orçamento de 23 milhões; em Estremoz foram aprovados os já referidos 30 milhões. Em 2009, Elvas apresentou um orçamento de 22 milhões, mas depois realizou uma despesa do mesmo valor; em Estremoz trabalhou-se com um orçamento de 28 milhões mas a receita e a despesa ficaram-se pelos 12 milhões. Elvas prevê vender terrenos por 40 mil euros, nós vamos vender uma pastagem nos Arcos por 4,5 milhões. Elvas tem passado vários anos consecutivos sem pedir empréstimos; em Estremoz pedem-se novos empréstimos todos os anos.
Há um destes dois orçamentos que é uma fantasia. Qual pensam que é? Não era preferível trabalhar com um orçamento realista que impusesse a concentração de esforços naquilo que é prioritário? Para este representante do PSD a resposta é inequívoca: seria muito mais vantajoso realizar investimentos na ordem dos 6 milhões de euros por ano num orçamento comedido, que realizar investimentos de apenas 2 milhões no orçamento de 30.
Daqui a um ano, veremos quem é que, afinal, tem razão.
Publicado na rubrica "Mesa Redonda", na edição de 12Mar2010 do Jornal Ecos.
A imagem foi colhida no sítio para o qual aponta a respectiva hiperligação

segunda-feira, 8 de março de 2010

Isabel Allende conta histórias de paixão

Numa mais que provável alusão - se bem que indirecta - ao Dia Mundial da Mulher, remeteram-me este vídeo que suscita alguma reflexão.
Dele faço a minha homenagem às Mulheres...

sábado, 6 de março de 2010

Dos Alpes para uma estação ferroviária perto de si

Neste caso The sound of music foi exibida na Estação Central de Antuérpia (Bélgica)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Tão amigos que nós éramos…


Quem não sentiu ainda o travo de uma amizade traída? Dado que a deslealdade não parece compatível com a amizade, muitos são aqueles que concluem, depois, que a pessoa tida por amiga, afinal, não o era verdadeiramente. Não é?
Todavia, esta pode ser uma conclusão precipitada. As relações humanas são complexas e o conceito de amizade não é entendido do mesmo modo por todos. Não só o antigo amigo pode nem sequer achar que foi desleal; como podem não existir razões objectivas para duvidar de todo um passado de amizade até ao momento da… alegada traição.
Há quem diga que "os amigos são para as ocasiões", expressão que, quando devidamente interpretada, denuncia a existência de interesse no cultivo das amizades. Outros, quando não os mesmos, já dizem "amigos amigos, negócios à parte", expressão que recomenda prudência quando se misturam relações pessoais com interesses de outra natureza. Nesta linha, houve quem recomendasse uma clara separação de águas: "guarde os amigos para a amizade; para o trabalho prefira os competentes e capazes".
Por vezes, confundem-se alianças tácticas na prossecução de interesses comuns com aquilo que habitualmente se considera a verdadeira amizade, a qual assenta muito mais em afinidades pessoais. São as amizades maçónicas, fundadas na mera troca de interesses. Dá-se agora para se receber depois, em suma, investe-se. O problema reside no facto de que quanto maior for o favor, maiores são os "encargos futuros" que oprimem os destinatários e, neste sentido, menor gratidão receberá em troca, já que estes, percebendo a lógica do sistema, acabam por sentir-se desobrigados de retribuir se também eles não acreditarem vir a colher os benefícios de tal retribuição.
Os "companheiros de luta", ou seja, aqueles que trilham connosco determinados percursos das nossas vidas, a quem confidenciamos anseios e com quem partilhamos angústias, poderão ser, afinal, aliados e não necessariamente amigos. Não confundir: perante adversários e objectivos comuns as pessoas tendem a unir-se. Porém, esquecemo-nos muitas vezes que eles poderão não estar exactamente na mesma situação que nós... nesse caso, a relação de proximidade pode criar condições propícias para que ambicionem aquilo que nós já temos ou então aquilo que também nós ambicionamos e estamos mais próximos de conseguir. Sempre que haja lugar à aplicação do princípio da exclusão, ou seja, sempre que o objecto do desejo não seja susceptível de satisfazer de igual modo – e em simultâneo – duas ou mais pessoas, cuidado, muito cuidado, a traição pode estar iminente.
Pergunta final: deverá Aguiar Branco sentir-se traído por Paulo Rangel? Resposta: não sei nem me interessa. A minha amizade política vai para alguém que José Sócrates teme e que, por isso mesmo, finge deliberadamente ignorar: Pedro Passos Coelho.

Publicado na edição de 04Mar2010 do Jornal Brados do Alentejo
As imagens foram colhidas nos sítios para os quais apontas as respectivas hiperligações.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Pedro Passos Coelho VS Paulo Rangel

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Euribor Fevereiro 2010

Os indexantes para os contratos de financiamento cuja renovação ocorra durante o mês de Março são os seguintes:
  • Euribor a 3 meses: 0,662%;
  • Euribor a 6 meses: 0,965%.
Para saber qual a taxa de juro a aplicar basta adicionar o spread.
Os efeitos de (mais esta) redução da taxa de juro só irão evidenciar-se a partir do mês de Abril.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Mais um cartoon de Picalima

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Relações de Poder


A maioria das pessoas procura evitar situações de confronto com as chefias de uma forma quase intuitiva. Intuitiva sim, se bem que não inocente. Estar bem com os chefes proporciona um certo conforto, já que o seu oposto – a hostilidade da hierarquia – se traduz sempre em ameaça. Porém, alguns pretendem mais que meramente fugir ao desconforto. Pretendem sentir segurança, ou seja, procuram deliberadamente agradar para serem vistos como aliados. Mesmo que não apreciem todos os atributos dos superiores, preferem engolir em seco e disponibilizam-se para cooperar. Finalmente, há ainda aqueles que vêem na relação com os seus superiores o caminho mais óbvio para a sua própria ascensão. Estes vão mais longe: bajulam, esforçam-se para exibirem os seus talentos (se os tiverem) e, se necessário for, prontificam-se para cumplicidades pouco louváveis.
Do lado da hierarquia também há um pouco de tudo. Há os que ganharam a sua posição graças aos seus próprios méritos, por vezes remando contra a mediocridade e, invariavelmente, sofrendo os revezes decorrentes de ressentimentos e invejas dos que não evidenciam idênticas aptidões. Por regra, estes tendem a desprezar a mediocridade disfarçada de faz-de-conta; a apreciar o talento e qualidades genuínas dos seus subordinados; e preferem a competência crítica à bajulação hipócrita. Noutro patamar, existem chefes que combinam dois tipos de atributos: competência técnica (o que não implica, necessariamente, genialidade); e inteligência emocional (que lhes permitiu subirem na hierarquia sem fazerem muitas ondas e, fundamentalmente, sem hostilizarem as respectivas chefias). Normalmente desempenham de forma minimamente capaz os respectivos cargos mas revelam uma séria limitação: sentem-se inseguros quando alguém ousa brilhar mais do que eles, tendendo a atacar os subordinados que evidenciam talento ou instinto de liderança que os possa ofuscar. Finalmente, existem aquelas chefias que nunca o deveriam ser. Enquanto subordinados integraram o grupo dos bajuladores, dos sem escrúpulos ou dos que realizaram trabalhos sujos por conta de anteriores chefes. Normalmente não se destacam pelos seus atributos técnicos, mesmo que os tenham, mas sim por se revelarem sobredotados a montar ardis, a desenvolverem teias de cumplicidades e a executarem golpadas. Para eles, os fins sempre justificam os meios, por mais odiosos que sejam.

Em Portugal já tivemos estes três tipos de lideranças. A um nível superior tivemos alguém que, em duplo paradoxo, ascendeu à liderança por sucessão dinástica mas que, tal como a pescada, antes de ser Rei já o era e muito teve de fazer para preservar tal condição: D. João II. A um nível intermédio podemos enumerar Cavaco Silva. Desempenhou razoavelmente o seu cargo de Primeiro-Ministro, mas correu com todos quantos ousaram discordar ou fazer-lhe sombra: Miguel Cadilhe, Álvaro Barreto, Santana Lopes e Teresa Patrício Gouveia. Como líder que nunca o deveria ter sido temos… Sócrates.

Notas:

As imagens foram colhidas nos sítios para os quais apontam as respectivas hiperligações;
Publicado na edição de 19Fev2010 do Jornal Brados do Alentejo.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Uma atençãozinha do Sr. Presidente

Perguntou-nos o Ecos:
"A Câmara Municipal de Estremoz contratou mais dois assessores jurídicos.
Concorda?"

Não. É óbvio que não concordo. Foi por não concordar que votei contra esta decisão na Reunião de Câmara, assim como denunciei outra similar ocorrida recentemente no Município de Estremoz.
O Sr. Presidente da Câmara está a corresponder às expectativas nele depositadas e a comportar-se como arauto do "municipal porreirismo". Com o dinheiro de todos nós vai distribuindo favores pelas amizades e cumplicidades, sem qualquer fundamento técnico ou económico. Foi assim com as avenças jurídicas – completamente injustificáveis atendendo a que a autarquia já dispõe de juristas, assim como dispõe ainda de acesso, gratuito, aos pareceres da CCDR –, foi assim com os contratos de seguro e estará certamente a ser assim – é-nos absolutamente legítima esta presunção – com muitas outras situações das quais dificilmente saberemos por serem decisões tomadas no âmbito da competência, exclusiva, do Sr. Presidente da Câmara.
No actual contexto, há só uma situação que pode justificar a contratação externa de advogados por parte da autarquia: a representação do Município em processos judiciais em que seja interveniente. Todavia, esta situação só poderia justificar uma avença jurídica permanente se o número de processos fosse elevado, o que não é manifestamente o caso. Ora se nem uma avença se justifica, muito menos se conseguem justificar duas.
"Encostado às cordas", já sem defesa plausível, o Sr. Presidente teve uma tirada notável que se traduz mais ou menos da seguinte forma: toda a vida assim foi; é assim em todo o lado! Lapidar. Assumem-se despudoradamente os actos vergonhosos, justificando-os com a impunidade da falta de vergonha de outros. Enfim, lá que é verdade, infelizmente, é… porém, não é essa verdade que vai transformar uma pouca-vergonha num acto louvável. Tenho pena, mas não tenho outra forma de dizer isto.
O problema do municipal porreirismo é que ele nunca chega para todos os que contam beneficiar com ele. Muitos continuam na fila à espera que chegue a sua vez… muitos haverá que no fim irão concluir que se iludiram com as promessas que lhe foram feitas. Para o cidadão comum, que cumpre com as suas obrigações, é bom que vá tendo consciência que está no fim da fila. Pode reclamar os seus direitos, mas ainda assim, caso seja atendido, haverá quem lhe faça sentir que lhe fizeram um favor… porque, afinal, toda a gente o sabe, o nosso presidente é, como se costuma dizer, um gajo porreiro.

Publicado na rubrica "Mesa Redonda", na edição de 12Fev2010 do Jornal Ecos.
A imagem foi colhida no sítio para o qual aponta a respectiva hiperligação.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O pior que nos envergonha (II)

Cada dia que passa me convenço mais que há por aí uma certa imprensa que está, já estava, sempre esteve, desejosa de ser controlada por Sócrates.
Por muito menos, vi ser crucificado um primeiro-ministro que não fez - nem teve tempo para isso - uma 1/5 parte do que este já fez e todos os dias era apodado de "trapalhão".

Então, isto (a que temos vindo a assistir) não é uma trapalhada?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Acta n.º 2/2010 da Reunião CME de 20Jan2010 - Documentação das Reuniões de 2009

Já está disponível a acta (oficial, aprovada) n.º 2/2010 da Reunião CME de 20Jan2010.
Os interessados poderão consultar e transferir este documento aqui.

Entretanto, já que se encontra também disponível a documentação distribuída aos vereadores nas 4 reuniões, deste mandato, realizadas em 2009.
Para consulta e transferência, siga esta hiperligação.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Auto-estima colectiva


Esta história ocorreu nesse mundo virtual a que vulgarmente se dá o nome de blogosfera, no qual apenas parte dos intervenientes têm rosto e são identificáveis, enquanto os demais permanecem a coberto do anonimato (umas vezes apenas conveniente, outras tantas indispensável para que a verdadeira natureza das pessoas se evidencie).
Há dias insurgi-me contra umas pessoas que se consideram… (bom vamos lá ver qual há-de ser o adjectivo mais adequado…) especiais num mundo em que os seus semelhantes são… (e agora como hei-de dizer isto…) menos cultos, menos informados e talvez… talvez não, decididamente, tugas. Para quem não sabe o que é ser tuga informo que é o diminutivo de portuga, que é aquele português que envergonha os seus pares por ser tosco, grosso, preguiçoso, oportunista, fingido, pato-bravo, analfabruto, que gosta de futebol, que não sabe os nomes dos arquitectos, pintores, escultores e poetas mais eruditos e que percebe mais de minis e de caracóis do que vodka e de caviar.
Insurgi-me, esclareço, mais por estarem a ser condescendentes com os estremocenses – do género, "benza-os Deus, nem sabem valorizar o que têm…" – do que propriamente pelas razões de fundo que os levou a criticarem o estacionamento no nosso Rossio Marquês de Pombal. Como é óbvio, o meu comentário suscitou reacções variadas, deslocando o debate do tema original – o estacionamento no Rossio – o qual, a partir de determinada altura, ficou reduzido a mero pretexto para serem tecidas considerações de outra natureza e que eu classificaria de lapidares… sobre as diferenças culturais e de atitude que caracterizam, grosso modo, a sociedade portuguesa.
De um lado estavam os que defendiam a tese do (e agora cito uma expressão ali utilizada) "lá fora é que é"; do outro estavam aqueles que, sem deixarem de reconhecer que em Portugal há do melhor que nos orgulha e do pior que nos envergonha, defendiam abordagens diferentes para os mesmos problemas, as quais, invariavelmente, incorporavam uma auto-aceitação das características dos portugueses. Embora eu não tivesse voltado a pronunciar-me naquele blogue, é evidente que me perfilo do lado deste segundo grupo.
Aliás, sem a auto-aceitação (a que antes me referi) não há espaço nem condições para poder emergir a auto-estima, mazela que afecta de forma relevante os portugueses em relação ao Eu colectivo que é Portugal. Este fenómeno é tão grave que, conforme evidencia um estudo de 2009 do Reputation Institute, chegámos ponto de Portugal ter melhor reputação junto dos estrangeiros que junto dos portugueses.
Isto não significa que não devamos reconhecer os nossos erros nem procurar encontrar soluções para os resolver. Significa somente que não é atacando as pessoas, sem tentar compreendê-las, que se atraem adeptos para os nossos pontos de vista. Afinal, é com os portugueses que vamos ter de fazer deste país um lugar melhor para se viver.
Notas:

  1. As imagens foram colhidas nos sítios para as quais apontam as respectivas hiperligações;

  2. Publicado na edição de 04Fev2010 do Jornal Brados do Alentejo;

  3. Artigos relacionados:

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

CME Reunião de 03Fev2010

Estas são as minhas notas (prévias) da reunião de Câmara de hoje.
Quem quiser consultar a documentação disponibilizada aos vereadores poderá fazê-lo aqui.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

SEMIRAMIS

Faz hoje 4 anos que o SEMIRAMIS recebeu o último post. Rendi homenagem à (alegadamente) falecida autora no ano passado. Este ano volto a fazê-lo...

Joana do Semiramis… ATÉ SEMPRE!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Euribor Janeiro 2010

Os indexantes para os contratos de financiamento cuja renovação ocorre durante o mês de Fevereiro são os seguintes:
  • Euribor a 3 meses: 0,680%
  • Euribor a 6 meses: 0,977%
Para saber a taxa de juro a aplicar  basta adicionar o spread.
Os efeitos da redução da taxa de juro só irão evidenciar-se a partir do mês de Março.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Mercado Municipal?


Devo confessar que fiquei surpreendido com questão formulada pela Redacção deste jornal. Melhor dizendo, não percebi sequer o seu alcance. "Concorda com a suspensão das obras do Mercado Municipal?" É claro que concordo, caso contrário não teria votado favoravelmente a interrupção dos trabalhos a pedido do empreiteiro.
Salvo melhor informação, a suspensão das obras justificou-se exclusivamente pelo facto das condições climatéricas actuais serem adversas. Ao que penso saber, a aplicação de estuque em paredes ensopadas de humidade é desaconselhada. Tal justificação é, para mim, suficiente. Ponto final.
Arrumada que está a questão aproveito a oportunidade para me pronunciar sobre outros temas conexos ao inicial. Para começar refiro que tenho fundadas dúvidas que a obra em referência venha algum dia a ser mercado municipal. Primeiro, porque os comerciantes que actualmente exercem a sua actividade no Rossio me transmitiram que, da parte deles, não há qualquer entusiasmo em virem a ocupar o novo espaço. Alegam que não foram ouvidos pelo anterior executivo municipal e que nem sequer notaram qualquer disponibilidade para o diálogo numa decisão que os deveria envolver. Depois, porque do que me foi dado ver no local da obra não me pareceu que esta reúna condições para o exercício das actividades a que supostamente se destina. Já alguém viu uma praça de peixe sem superfícies laváveis? Eu não!
Independentemente da obra em referência vir a ter, ou não, a utilização inicialmente prevista, um aspecto que reputo de muito importante é que não se desperdice o dinheiro de todos nós. Já ali se "enterraram" várias centenas de milhares de euros – seguramente mais de ½ milhão – e, por conseguinte, seja a utilização final de praça do peixe, de lugar de frutas ou de serviços municipais, o importante agora é garantir o adequado aproveitamento do investimento já realizado. Por outro lado, defenderei nova suspensão da obra se tal vier a ser necessário, nomeadamente para assegurar que esta não está concluída antes de ver aprovada a sua candidatura a fundos comunitários (condição indispensável para o seu financiamento).
Não sei se correspondi à expectativa da redacção do jornal, mas esta posição é a única que posso assumir nesta altura.

Publicado na rubrica "Mesa Redonda", na edição de 29Jan2010 do Jornal Ecos.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Acta n.º 1/2010 da CME (06Jan2010)


Já está disponível para download no sítio http://advalorem.antonioramalho.net a acta (oficial, aprovada) da reunião da Câmara Municipal de Estremoz realizada no dia 06 de Janeiro de 2010.
Para acesso directo ao artigo, clique nesta hiperligação.


domingo, 24 de janeiro de 2010

Comentário no blogue “A nossa terrinha”


Como contraponto a algumas das afirmações proferidas neste blogue – tanto no post original como na "actualização" e nos comentários subsequentes – gostaria de exprimir a minha opinião.

Antes de mais quero apresentar-me como cidadão estremocense (daqueles que nasceram, cresceram e passam pelo menos 300 dias por ano nesta terra).

Creio ser relativamente pacífica a ideia de que o nosso Rossio deveria ter uma utilização diferente daquela que tem hoje. Até aí estamos todos de acordo. Deixamos, todavia, de estar de acordo quando, ao invés de se procurar dar um contributo cívico de forma positiva e esclarecida, há pessoas que preferem proferir afirmações que eu consideraria, no mínimo, jocosas (com muito mais de trocistas do que propriamente de divertidas ou engraçadas).

Começando pelo princípio eu diria que há apenas duas vias (complementares entre si) para se promover a retirada de viaturas do Rossio, libertando-o para a sua vocação histórica de espaço de convívio entre as pessoas e, não menos importante, para as feiras e mercados que ali se realizam há séculos. A primeira tem a ver com a circulação viária e com a existência de parques de estacionamento alternativos. A segunda prende-se com a disponibilidade de transportes públicos.

Analisemos cada uma destas vertentes separadamente. No que concerne ao estacionamento importa em primeiro lugar referir que este terá de ser de grande dimensão. Não basta dizer que "Estremoz é uma cidadezinha com menos de oito mil habitantes", é preciso ter consciência que esta pequena cidade regista afluxos de visitantes muito significativos. Nos Sábados de manhã – dia do tradicional mercado semanal – o número de forasteiros transcende claramente o número de residentes, ficando todas essas pessoas concentradas no espaço a que desde sempre chamamos a nossa "sala de visitas", o Rossio. Logo, a primeira incógnita que está por determinar é quantificar os efeitos da eventual privação do acesso ao Rossio dos nossos visitantes, já que estes antes de partirem das suas origens sabem de antemão que, melhor ou pior, conseguem parar no Rossio.

Face ao que precede a solução mais óbvia seria fazer aquilo que se tem feito um pouco por todo o lado, ou seja, "enterrar" os carros em parques subterrâneos. Ora aí está, então porque não o fazemos? Não o fazemos porque Estremoz também é conhecida pela alvura dos seus mármores. O nosso subsolo é uma imensa jazida de mármore que, para além de tornar incomportáveis os custos de tal solução, iria implicar a abertura de uma imensa pedreira durante um período de tempo consideravelmente longo. Portanto, não creio que esta hipótese passe pela cabeça de alguém minimamente esclarecido.


A talhe de foice, aproveito para fazer uma referência a um estudo prévio desenvolvido pela equipa do Arquitecto Nuno Portas na década de 80 do século passado – que integrava, entre outros, Miguel Aragão e Luís Sá Pereira – o qual sugeria a criação de um anfiteatro a céu aberto no centro do Rossio, cujas bancadas seriam esculpidas no imenso banco de mármore ali existente. Defendia-se também a recriação (em diagonal da praça) do histórico ribeiro de cujas margens Nuno Álvares Pereira teria exortado os seus "alentejões" a juntarem-se a ele na Batalha dos Atoleiros. Mas lá está, tanto este estudo como aquele que veio a ser protagonizado pela equipa do Arquitecto João Luís Carrilho da Graça – o qual, sem qualquer nexo histórico ou mínima fundamentação, sugeria a criação de uma mata no Rossio – eram omissos na avaliação dos impactos ao nível do estacionamento e circulação viária. Em boa verdade, nenhuma destas equipas foi capaz de assegurar que a identidade histórica, cultural e económica do nosso Rossio se iria manter, preferindo as referências aos pontos de rotura e às novas realidades que daí emergem.

Apesar de todas estas contrariedades eu incluo-me entre aqueles que considera existir uma solução que poderá ir de encontro ao propósito de reservar uma das maiores praças do país para as pessoas. Mais: acredito nesta possibilidade sem colocar em causa a denominada civilização do automóvel, indo inclusivamente ao encontro das necessidades específicas dos automobilistas e articulando estas com as necessidades dos peões (que os primeiros também são). Por detrás do Convento dos Congregados existe um espaço que reúne o melhor de dois mundos: (1) é muito próximo do Rossio; e (2) é uma área que foi objecto de aterro (ou seja, os afloramentos marmóreos estão a cerca de 4 metros da actual superfície. No espaço do actual mercado abastecedor é tecnicamente possível, com custos aceitáveis, conceber uma área de estacionamento com dois pisos abaixo do nível do solo e mais dois (ou mesmo, três) pisos acima deste em silos. A volumetria do Convento dos Congregados comporta, sem chocar, uma edificação de grandes dimensões, deixando aos arquitectos a imensa responsabilidade de a compatibilizar com o enquadramento da envolvente.

Temos, todavia e ainda assim, um problema: é aí que a Câmara Municipal está a projectar edificar o novo edifício da biblioteca e arquivo histórico municipal. Não travar esse projecto será um erro colossal, já que é conflituante com a única alternativa verdadeiramente aceitável de resolver o problema do Rossio. Demais a mais, para a biblioteca o que não faltam são soluções alternativas, as quais até poderiam passar pelo restauro de imóveis de qualidade no próprio Rossio, como sejam a Casa Inglesa ou o Hotel Alentejano.

De uma coisa precisamos estar cientes: sem capacidade para receber os nossos visitantes, Estremoz perde as características que a tornam atractiva para aqueles e, desta forma, perde a sua identidade histórica, cultural e económica.

No que concerne aos transportes públicos a questão coloca-se do lado da viabilidade económica e financeira dos mesmos. Sendo uma cidade pequena, são também mais pequenas as economias de escalas potenciáveis. Ainda assim, sou de opinião que tal hipótese ainda não foi devidamente avaliada. Uma pequena frota de minibuses, preferencialmente ecológicos, poderia ser suficiente para suprir as necessidades de deslocação urbana dos residentes e daí colher o contributo necessário para descongestionar tanto o Rossio como também outras áreas críticas da cidade. Por paradoxal que possa parecer aos forasteiros, nós também temos "hora de ponta" em Estremoz.

Agora que já exprimi o meu julgamento sobre o tema central do post, não posso deixar de me manifestar igualmente sobre a atitude de algumas pessoas que se pronunciaram antes de mim, bem como sobre alguns erros nele existentes.

Começando pelos erros e excluindo aqueles que já foram devidamente assinalados pelo autor do Kruzes Kanhoto – blogue do qual me confesso admirador e através do qual cheguei aqui – devo dizer que o projecto constante na "actualização" não é aquele que foi o vencedor do concurso de ideias. Trata-se, afinal, daquele que ficou em segundo lugar e que, em minha modesta opinião, até é mais agradável que o vencedor.

No que concerne às atitudes devo dizer que não aprecio particularmente aqueles que se acham donos da verdade e que pretendem tratar os seus semelhantes como se de seres inferiores se tratassem. Ao longo de todo o post nota-se uma certa condescendência relativamente aos estremocenses, os quais se depreende não possuírem a necessária cultura para valorizarem o que têm. Muito obrigado pela preocupação, mas dispensamos tal atitude.

Depois vêm alguns comentadores:

"Todo esse espaço no coração da cidade seria algo completamente diferente noutro país (desenvolvido). Quando penso que o absurdo do que já presenciei neste país é inultrapassável, descubro que me enganei." Portanto, Vossa Excelência pertence ao grupo de pessoas que merece viver num país desenvolvido. Parabéns! Nem sabe como ficamos felizes por isso.

"Eh eh eh, grande post! Vocês são as melhores! Conseguirem fazer-nos rir com uma coisa tão triste..." Há outras coisas que são igualmente tristes…

"Pergunto: será que um espaço nobre como o Rossio de Estremoz não poderia ter um uso também ele nobre e que se constituísse numa mais-valia para a cidade?" Podia e deve tê-lo. Porém, é importante não esquecer também as mais-valias de que já dispomos e que estão na origem da atracção de visitantes a Estremoz…

"Não é a possibilidade de estacionamento que salva o comércio (basta ir ali ao lado a Espanha para perceber isso) ou que traz as pessoas ao centro. Os dias do mercado semanal são a prova disso: não se pode estacionar na placa central mas milhares de pessoas afluem ao centro." Era mesmo bom ter-se informado antes de ter feito esta afirmação.

"Mas Carlos, Espanha é primeiro mundo." A Lusa noticiou que, e cito, "Uma mulher morre em Espanha em cada cinco dias, em média, vítima de violência doméstica". Bonito primeiro mundo o seu.

Finalmente, excluindo a do estremocense Kruzes Kanhoto e sem qualquer desrespeito para com as demais, registei mais uma opinião esclarecida:

"O caso de estremoz conheço-o bastante bem. A minha opinião é um misto da tua com a do Kruzes Kanhoto. Concordo com a reabilitação da praça central por uma questão de beleza, mas terá de se construir um estacionamento daquele tamanho noutro sítio qualquer .(não sei se isso está contemplado no projecto). Não é a gente de Estremoz que ali estaciona, são as gentes das várias aldeias/montes vizinhas. Esses é muito natural que usem o carro para ir a Estremoz, na minha opinião. E sim, nos dias de mercado confirmo que a praça está aberta ao estacionamento, é onde todos estacionam para vir ao mercado."

Obrigado pela vossa atenção.
António J. B. Ramalho

sábado, 23 de janeiro de 2010

Crónica do tempo que passa



Se esta coluna fosse traduzida para uma língua estrangeira um francês diria certamente que o título correspondia uma "verdade de La Palice", um inglês mais fleumático diria tratar-se de um truísmo, enquanto um espanhol não perdoaria "tonterías de portuguesitos, todas las crónicas son del tiempo que pasa". Provavelmente, nenhum estrangeiro perceberia que estou a fazer uma alusão ao poema de Manuel Alegre intitulado "Trova do tempo que passa".
Aliás, a escolha de Portimão para o anúncio da intenção de candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República está carregada de simbolismo e não é menos evidente que o título deste artigo. Alegre quer ser o Manuel Teixeira Gomes do séc. XXI, ou seja, Presidente Poeta (se bem que o segundo se notabilizou mais pela sua prosa salpicada de erotismo…).
Para mim o que está em causa não é se Alegre vai dar, ou não, um bom Presidente da República. Se poderá vir a ser melhor que Cavaco Silva ou, se já fosse presidente, se teria deixado impune o episódio Charrua ("há sempre alguém que resiste"), se condenaria publicamente a vigilância policial exercida sobre os sindicatos ("há sempre alguém que diz não") ou se, pelo contrário, velaria "a noite mais triste, em tempo de servidão" passivamente, num clima de pretensa cordialidade institucional.
Para mim, e para mais ½ dúzia que concordam comigo, o que está em causa é o modelo constitucional vigente estar errado. Remete os presidentes para papéis pouco mais que simbólicos, ao mesmo tempo que permite, nos casos de maioria absoluta na Assembleia da República, o poder absoluto de um primeiro-ministro que subjuga quase tudo e quase todos impunemente. Se não houver maiorias parlamentares, é o oposto, aqui d'el Rei porque o país fica ingovernável. Em suma não há meio-termo, é 8 ou 80.
O facto de ter considerado simbólico o papel dos presidentes não significa, necessariamente, que o Presidente não tem poder. Tem poder e, do meu ponto de vista e em algumas situações, até tem demasiado. Um mau presidente (seja ele quem for) é um cancro para a democracia. Tem a capacidade de empatar (nada mais perturba quem trabalha que a presença de quem nada faz), tem o poder de minar a acção do Governo quando lhe é permitido dizer sem ter a responsabilidade de fazer (não queremos cá quem muito saiba mas sim quem faça melhor).
É tempo de os presidentes passarem a ser os líderes do Governo. É tempo de o actual papel cometido aos presidentes passar para um Senado. É tempo da Assembleia da República legislar de forma independente do Governo. É tempo de equilíbrio de poderes. É tempo de Presidencialismo.

Notas:

Publicado na edição de 21Jan2010 do Jornal Brados do Alentejo.
Escrevi outros artigos sobre esta temática, nomeadamente Bloco Central, A queda das máscaras, Democracia perversa e Estabilidade governativa só para citar alguns.

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