domingo, 24 de janeiro de 2010

Comentário no blogue “A nossa terrinha”


Como contraponto a algumas das afirmações proferidas neste blogue – tanto no post original como na "actualização" e nos comentários subsequentes – gostaria de exprimir a minha opinião.

Antes de mais quero apresentar-me como cidadão estremocense (daqueles que nasceram, cresceram e passam pelo menos 300 dias por ano nesta terra).

Creio ser relativamente pacífica a ideia de que o nosso Rossio deveria ter uma utilização diferente daquela que tem hoje. Até aí estamos todos de acordo. Deixamos, todavia, de estar de acordo quando, ao invés de se procurar dar um contributo cívico de forma positiva e esclarecida, há pessoas que preferem proferir afirmações que eu consideraria, no mínimo, jocosas (com muito mais de trocistas do que propriamente de divertidas ou engraçadas).

Começando pelo princípio eu diria que há apenas duas vias (complementares entre si) para se promover a retirada de viaturas do Rossio, libertando-o para a sua vocação histórica de espaço de convívio entre as pessoas e, não menos importante, para as feiras e mercados que ali se realizam há séculos. A primeira tem a ver com a circulação viária e com a existência de parques de estacionamento alternativos. A segunda prende-se com a disponibilidade de transportes públicos.

Analisemos cada uma destas vertentes separadamente. No que concerne ao estacionamento importa em primeiro lugar referir que este terá de ser de grande dimensão. Não basta dizer que "Estremoz é uma cidadezinha com menos de oito mil habitantes", é preciso ter consciência que esta pequena cidade regista afluxos de visitantes muito significativos. Nos Sábados de manhã – dia do tradicional mercado semanal – o número de forasteiros transcende claramente o número de residentes, ficando todas essas pessoas concentradas no espaço a que desde sempre chamamos a nossa "sala de visitas", o Rossio. Logo, a primeira incógnita que está por determinar é quantificar os efeitos da eventual privação do acesso ao Rossio dos nossos visitantes, já que estes antes de partirem das suas origens sabem de antemão que, melhor ou pior, conseguem parar no Rossio.

Face ao que precede a solução mais óbvia seria fazer aquilo que se tem feito um pouco por todo o lado, ou seja, "enterrar" os carros em parques subterrâneos. Ora aí está, então porque não o fazemos? Não o fazemos porque Estremoz também é conhecida pela alvura dos seus mármores. O nosso subsolo é uma imensa jazida de mármore que, para além de tornar incomportáveis os custos de tal solução, iria implicar a abertura de uma imensa pedreira durante um período de tempo consideravelmente longo. Portanto, não creio que esta hipótese passe pela cabeça de alguém minimamente esclarecido.


A talhe de foice, aproveito para fazer uma referência a um estudo prévio desenvolvido pela equipa do Arquitecto Nuno Portas na década de 80 do século passado – que integrava, entre outros, Miguel Aragão e Luís Sá Pereira – o qual sugeria a criação de um anfiteatro a céu aberto no centro do Rossio, cujas bancadas seriam esculpidas no imenso banco de mármore ali existente. Defendia-se também a recriação (em diagonal da praça) do histórico ribeiro de cujas margens Nuno Álvares Pereira teria exortado os seus "alentejões" a juntarem-se a ele na Batalha dos Atoleiros. Mas lá está, tanto este estudo como aquele que veio a ser protagonizado pela equipa do Arquitecto João Luís Carrilho da Graça – o qual, sem qualquer nexo histórico ou mínima fundamentação, sugeria a criação de uma mata no Rossio – eram omissos na avaliação dos impactos ao nível do estacionamento e circulação viária. Em boa verdade, nenhuma destas equipas foi capaz de assegurar que a identidade histórica, cultural e económica do nosso Rossio se iria manter, preferindo as referências aos pontos de rotura e às novas realidades que daí emergem.

Apesar de todas estas contrariedades eu incluo-me entre aqueles que considera existir uma solução que poderá ir de encontro ao propósito de reservar uma das maiores praças do país para as pessoas. Mais: acredito nesta possibilidade sem colocar em causa a denominada civilização do automóvel, indo inclusivamente ao encontro das necessidades específicas dos automobilistas e articulando estas com as necessidades dos peões (que os primeiros também são). Por detrás do Convento dos Congregados existe um espaço que reúne o melhor de dois mundos: (1) é muito próximo do Rossio; e (2) é uma área que foi objecto de aterro (ou seja, os afloramentos marmóreos estão a cerca de 4 metros da actual superfície. No espaço do actual mercado abastecedor é tecnicamente possível, com custos aceitáveis, conceber uma área de estacionamento com dois pisos abaixo do nível do solo e mais dois (ou mesmo, três) pisos acima deste em silos. A volumetria do Convento dos Congregados comporta, sem chocar, uma edificação de grandes dimensões, deixando aos arquitectos a imensa responsabilidade de a compatibilizar com o enquadramento da envolvente.

Temos, todavia e ainda assim, um problema: é aí que a Câmara Municipal está a projectar edificar o novo edifício da biblioteca e arquivo histórico municipal. Não travar esse projecto será um erro colossal, já que é conflituante com a única alternativa verdadeiramente aceitável de resolver o problema do Rossio. Demais a mais, para a biblioteca o que não faltam são soluções alternativas, as quais até poderiam passar pelo restauro de imóveis de qualidade no próprio Rossio, como sejam a Casa Inglesa ou o Hotel Alentejano.

De uma coisa precisamos estar cientes: sem capacidade para receber os nossos visitantes, Estremoz perde as características que a tornam atractiva para aqueles e, desta forma, perde a sua identidade histórica, cultural e económica.

No que concerne aos transportes públicos a questão coloca-se do lado da viabilidade económica e financeira dos mesmos. Sendo uma cidade pequena, são também mais pequenas as economias de escalas potenciáveis. Ainda assim, sou de opinião que tal hipótese ainda não foi devidamente avaliada. Uma pequena frota de minibuses, preferencialmente ecológicos, poderia ser suficiente para suprir as necessidades de deslocação urbana dos residentes e daí colher o contributo necessário para descongestionar tanto o Rossio como também outras áreas críticas da cidade. Por paradoxal que possa parecer aos forasteiros, nós também temos "hora de ponta" em Estremoz.

Agora que já exprimi o meu julgamento sobre o tema central do post, não posso deixar de me manifestar igualmente sobre a atitude de algumas pessoas que se pronunciaram antes de mim, bem como sobre alguns erros nele existentes.

Começando pelos erros e excluindo aqueles que já foram devidamente assinalados pelo autor do Kruzes Kanhoto – blogue do qual me confesso admirador e através do qual cheguei aqui – devo dizer que o projecto constante na "actualização" não é aquele que foi o vencedor do concurso de ideias. Trata-se, afinal, daquele que ficou em segundo lugar e que, em minha modesta opinião, até é mais agradável que o vencedor.

No que concerne às atitudes devo dizer que não aprecio particularmente aqueles que se acham donos da verdade e que pretendem tratar os seus semelhantes como se de seres inferiores se tratassem. Ao longo de todo o post nota-se uma certa condescendência relativamente aos estremocenses, os quais se depreende não possuírem a necessária cultura para valorizarem o que têm. Muito obrigado pela preocupação, mas dispensamos tal atitude.

Depois vêm alguns comentadores:

"Todo esse espaço no coração da cidade seria algo completamente diferente noutro país (desenvolvido). Quando penso que o absurdo do que já presenciei neste país é inultrapassável, descubro que me enganei." Portanto, Vossa Excelência pertence ao grupo de pessoas que merece viver num país desenvolvido. Parabéns! Nem sabe como ficamos felizes por isso.

"Eh eh eh, grande post! Vocês são as melhores! Conseguirem fazer-nos rir com uma coisa tão triste..." Há outras coisas que são igualmente tristes…

"Pergunto: será que um espaço nobre como o Rossio de Estremoz não poderia ter um uso também ele nobre e que se constituísse numa mais-valia para a cidade?" Podia e deve tê-lo. Porém, é importante não esquecer também as mais-valias de que já dispomos e que estão na origem da atracção de visitantes a Estremoz…

"Não é a possibilidade de estacionamento que salva o comércio (basta ir ali ao lado a Espanha para perceber isso) ou que traz as pessoas ao centro. Os dias do mercado semanal são a prova disso: não se pode estacionar na placa central mas milhares de pessoas afluem ao centro." Era mesmo bom ter-se informado antes de ter feito esta afirmação.

"Mas Carlos, Espanha é primeiro mundo." A Lusa noticiou que, e cito, "Uma mulher morre em Espanha em cada cinco dias, em média, vítima de violência doméstica". Bonito primeiro mundo o seu.

Finalmente, excluindo a do estremocense Kruzes Kanhoto e sem qualquer desrespeito para com as demais, registei mais uma opinião esclarecida:

"O caso de estremoz conheço-o bastante bem. A minha opinião é um misto da tua com a do Kruzes Kanhoto. Concordo com a reabilitação da praça central por uma questão de beleza, mas terá de se construir um estacionamento daquele tamanho noutro sítio qualquer .(não sei se isso está contemplado no projecto). Não é a gente de Estremoz que ali estaciona, são as gentes das várias aldeias/montes vizinhas. Esses é muito natural que usem o carro para ir a Estremoz, na minha opinião. E sim, nos dias de mercado confirmo que a praça está aberta ao estacionamento, é onde todos estacionam para vir ao mercado."

Obrigado pela vossa atenção.
António J. B. Ramalho

sábado, 23 de janeiro de 2010

Crónica do tempo que passa



Se esta coluna fosse traduzida para uma língua estrangeira um francês diria certamente que o título correspondia uma "verdade de La Palice", um inglês mais fleumático diria tratar-se de um truísmo, enquanto um espanhol não perdoaria "tonterías de portuguesitos, todas las crónicas son del tiempo que pasa". Provavelmente, nenhum estrangeiro perceberia que estou a fazer uma alusão ao poema de Manuel Alegre intitulado "Trova do tempo que passa".
Aliás, a escolha de Portimão para o anúncio da intenção de candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República está carregada de simbolismo e não é menos evidente que o título deste artigo. Alegre quer ser o Manuel Teixeira Gomes do séc. XXI, ou seja, Presidente Poeta (se bem que o segundo se notabilizou mais pela sua prosa salpicada de erotismo…).
Para mim o que está em causa não é se Alegre vai dar, ou não, um bom Presidente da República. Se poderá vir a ser melhor que Cavaco Silva ou, se já fosse presidente, se teria deixado impune o episódio Charrua ("há sempre alguém que resiste"), se condenaria publicamente a vigilância policial exercida sobre os sindicatos ("há sempre alguém que diz não") ou se, pelo contrário, velaria "a noite mais triste, em tempo de servidão" passivamente, num clima de pretensa cordialidade institucional.
Para mim, e para mais ½ dúzia que concordam comigo, o que está em causa é o modelo constitucional vigente estar errado. Remete os presidentes para papéis pouco mais que simbólicos, ao mesmo tempo que permite, nos casos de maioria absoluta na Assembleia da República, o poder absoluto de um primeiro-ministro que subjuga quase tudo e quase todos impunemente. Se não houver maiorias parlamentares, é o oposto, aqui d'el Rei porque o país fica ingovernável. Em suma não há meio-termo, é 8 ou 80.
O facto de ter considerado simbólico o papel dos presidentes não significa, necessariamente, que o Presidente não tem poder. Tem poder e, do meu ponto de vista e em algumas situações, até tem demasiado. Um mau presidente (seja ele quem for) é um cancro para a democracia. Tem a capacidade de empatar (nada mais perturba quem trabalha que a presença de quem nada faz), tem o poder de minar a acção do Governo quando lhe é permitido dizer sem ter a responsabilidade de fazer (não queremos cá quem muito saiba mas sim quem faça melhor).
É tempo de os presidentes passarem a ser os líderes do Governo. É tempo de o actual papel cometido aos presidentes passar para um Senado. É tempo da Assembleia da República legislar de forma independente do Governo. É tempo de equilíbrio de poderes. É tempo de Presidencialismo.

Notas:

Publicado na edição de 21Jan2010 do Jornal Brados do Alentejo.
Escrevi outros artigos sobre esta temática, nomeadamente Bloco Central, A queda das máscaras, Democracia perversa e Estabilidade governativa só para citar alguns.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Reunião CME 20Jan2010



Estas são as minhas notas da reunião de Câmara de hoje.
Quem quiser consultar a documentação disponibilizada aos vereadores poderá fazê-lo aqui.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Acta n.º 27/2009 da CME


Já está disponível para download no sítio http://advalorem.antonioramalho.net a acta (oficial, aprovada) da reunião da Câmara Municipal de Estremoz realizada no dia 16 de Dezembro de 2009.
Para acesso directo ao download clique aqui.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Euribor a 3 meses bate recordes


Ao contrário do que muitos analistas previram as taxas de juro não recomeçaram a subir no início do novo ano. Aliás, conforme se pode constatar na imagem junta, as taxas não só continuaram a cair como até desceram de forma acentuada desde o último dia útil de 2009 (30 de Dezembro).
Isto só pode significar que os bancos continuam com liquidez abundante, situação que contrasta claramente com as dificuldades hoje existentes para se aceder ao crédito bancário. Depois do descalabro do mundo da finança que caracterizou a segunda metade do ano passado, os ajustes estão sendo feitos aos solavancos, sendo inclusivamente admissível que este excesso de liquidez no sistema bancário seja precisamente resultante da disciplina autoimposta na concessão de novos créditos.
Enfim, seja lá porque razão for, uma coisa é certa: a média mensal da Euribor a 3 meses já está abaixo dos 0,7% facto que poderá gerar - pela primeira vez (e talvez única nas nossas vidas) - que a taxa de juro efectiva dos empréstimos à habitação (indexados a esta) fique abaixo de 1% (mesmo considerando um spread de 25 pontos base (0,25%)).
Sexta-Feira passada, dia 15 de Janeiro, poderá tornar-se um dia histórico para os endividados deste país - que somos quase todos - já que foi o dia em que média mensal da Euribor3 ficou aquém dos 0,7%. A manter-se esta tendência até ao final do mês, aqueles que tiveram o bom-senso de alterar o indexante para esta taxa de referência (ao invés de se manterem na Euribor6, como é mais comum) colherão os benefícios de tal opção a partir de Março de 2010, nos contratos cuja revisão da taxa ocorra durante o próximo mês de Fevereiro.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Professor sofre...


Sem comentários

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A origem das expressões populares


Não sou o autor nem faço ideia quem seja. Recebi por e-mail e decidi compartilhar aqui.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O PSD está muito doente - Portugal - DN

Parafraseando Gabriel Alves eis um "remate rasteiro a meia altura por cima da barra"...

O PSD está muito doente - Portugal - DN

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Contradições

Vamos lá a um "suponhamos". Suponhamos que um pai ou uma mãe contraria o instinto natural de um filho, ainda criança, de comer em excesso doces ou outras guloseimas que, a prazo, sejam consideradas potencialmente perigosas para a sua saúde. Suponhamos agora que o outro progenitor – o pai ou a mãe, agora para o caso não interessa – não liga pevide às "esquisitices" do cônjuge e que, por regra, lhe faz todas as vontadinhas. Parece evidente que aos olhos da criança, pelo menos neste capítulo, o ascendente que dá resposta pronta aos seus anseios goza da sua preferência, enquanto o outro passa por "mau da fita". Certo?


Ok. Imagine agora uma localidade brasileira chamada Angra dos Reis. Imagine também o corredor da Prefeitura (Câmara Municipal lá do sítio) cheio de promotores imobiliários a quererem construir no morro sobranceiro à Praia do Bananal. Finalmente, imagine que o Prefeito (o Presidente da Câmara lá do sítio) é, como se diz por cá, um gajo porreiro. Conforme disse e volto a sublinhar agora, aquilo que afirmei atrás é só imaginação, na medida em que não faço a mais pequena ideia se a construção existente no morro onde ocorreu o deslizamento de terras era clandestina (resultado da permissividade do município) ou se era licenciada (resultante, portanto, do facilitismo autárquico). O que sei – aliás, agora que o cheiro a morte está impregnado no local, já todos sabem – é que aquelas construções jamais podiam existir naquele local.


Bom, onde é que esta conversa nos leva? Leva-nos à conclusão que a democracia também tem aspectos perversos. São frequentes os casos em que os "porreiros" ganham as eleições aos que se rebelam contra o porreirismo malévolo. Devem então os eleitores ser tratados como aquelas crianças que só querem comer o que lhes faz mal? Jamais! A minha experiência pessoal ensinou-me que, assim o queiram, todos podem aprender. Para alguns pode levar mais tempo, mas que lá que aprendem, isso aprendem. Digo mais: quando não aprendem a bem, aprendem a mal, com o tempo e com os desenganos da vida. Portanto, a minha fé na Democracia é inabalável. (Neste momento, em Angra dos Reis, já todos devem ter aprendido que o porreirismo tem consequências).

Por cá andamos mais uma vez às voltas com as contradições de alguns políticos. Todos se dizem democratas mas, na hora da verdade, chega-se à conclusão que há quem não vá à bola com petições, plebiscitos ou referendos. O curioso é que alguns dos opositores eram, até há bem pouco tempo, defensores da democracia directa exercida através de assembleias populares (daquelas de voto de braço no ar). Porque será que não querem referendos (a forma mais legitimada de democracia directa)? Será porque o voto secreto nos referendos inibe a coacção pessoal exercida nos plenários? Olha-me estes democratas!



Publicado na edição do Brados do Alentejo de 07Jan2010


Nota: Publiquei dois posts cujos conteúdos estão intimamente relacionados com os de hoje. Foram eles: Democracia Perversa e Democracia representativa.



As imagens foram colhidas nos locais para os quais apontam as respectivas hiperligações.

Reunião CME 06Jan2010


Estas são as minhas notas da reunião de Câmara de ontem.

Quem quiser consultar a documentação disponibilizada aos vereadores poderá fazê-lo aqui.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Frases... (VII)


Falar bem e proceder mal não é outra coisa senão condenar-se cada um pela própria voz.




Iacopo Passavanti

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Entrevista Arq.to Bouça

As afirmações do Sr. António Bouça vão de encontro à ideia intuitiva que a generalidade dos estremocenses tem do Sr. Presidente da Câmara. Vou mesmo mais longe e digo mais: não tenho grandes dúvidas que o sucesso eleitoral do MiETZ ficou a dever-se, em grande parte, à imagem projectada pelo seu candidato de ser uma pessoa que… DESENRASCA! De facto, não obstante em Estremoz haja um grupo considerável de cidadãos que tem consciência que o "municipal porreirismo" prejudica, seriamente, todos quantos dele não beneficiam, a verdade é que também não faltam pessoas que vêem em Luís Mourinha o "aliado", o "amigo", que no Município irá zelar pelos seus interesses, se necessário for em detrimento de um abstracto interesse colectivo ininteligível para alguns, nomeadamente na cultura do "pato bravo".


Todavia, uma coisa são "ideias intuitivas" outra coisa, bem diferente, são factos provados e comprovados. Se bem que as primeiras podem contribuir para a formação de uma opinião são os segundos que verdadeiramente contam. Neste sentido, o PSD irá diligenciar junto de instâncias exteriores ao Município a investigação das alegações constantes na entrevista em referência. Entendemos que tanto Luís Mourinha como António Bouça têm direito à defesa do seu bom nome e que não podem ser condenados com base em meras alegações, um porque alegadamente fez, o outro porque alegadamente acusou injustificadamente.

Por outro lado, as ideias intuitivas podem ter – e geralmente têm – um reverso e também António Bouça não se livra da imagem de alguém insensível aos interesses dos cidadãos e dos investidores, das suas angústias ou dos seus problemas. É preciso ter noção que a lei e os regulamentos não visam atacar ninguém mas tão-somente defender os interesses de todos. Logo, não podem ser encarados de forma dogmática e muito menos serem usados como álibi para justificar verdadeiras crueldades de quem perdeu a noção que o Município deve servir, fundamentalmente e antes de mais, os munícipes. Faltando a cultura de serviço público, é muito perigoso manter técnicos com tal perfil no exercício de cargos dirigentes do Município.

Como costuma dizer-se: no meio é que está a virtude.



Publicado na edição de 31Dez2009, na secção "Mesa Redonda", do Jornal Ecos.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Edital da CME - Alteração de data de reunião


A reunião da Câmara Municipal de Estremoz, em princípio agendada para dia 30 de Dezembro, foi recalendarizada para o dia 6 de Janeiro de 2010.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Assembleia Municipal - OT20091229


Ordem de trabalhos da sessão da Assembleia Municipal de Estremoz que ocorrerá no próximo dia 29 de Dezembro.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Frases... (VI)




"A mais pérfida maneira de prejudicar uma causa é defendê-la intencionalmente com más razões"



Friedrich Nietzsche
As imagens foram colhidas nos locais para os quais apontam as respectivas hiperligações

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Conto de Natal, por Picalima


Conto de Natal, por Picalima

Saturnália

A Saturnália representava para os romanos um período de celebrações em honra de Saturno – Deus da Agricultura – período esse coincidente com o solstício de Inverno. Depois da dormência vegetativa do Outono as sementes começavam a germinar e recuperava-se a esperança de melhores dias com o início do novo ano. Perante a expectativa da recuperação da abundância de alimentos, esses eram, geralmente, momentos de paz – as campanhas militares chegavam a ser interrompidas – em que se trocavam oferendas adornadas com cores garridas; de descanso – os escravos chegavam a ser dispensados do exercício das suas actividades –; e de banquetes bem regados, os quais – sem controlo de alcoolemia – acabavam não raras vezes em orgias.

Este antecedente pagão do Natal era, tal como este, caracterizado por uma renovação de votos de melhores dias. A grande diferença introduzida pelo Cristianismo nestas celebrações foi, digamos assim, o controlo dos excessos e a introspecção espiritual. O Natal é igualmente celebrado com alegria mas… de forma bem mais comedida.

Esta introdução justifica-se porque este Natal de 2009 parece assemelhar-se em alguns aspectos à Saturnália Romana. Vejam só: num momento de desemprego, de crise generalizada, de ausência de expectativas promissoras em relação a 2010, qual é então a prendinha no sapatinho que o Governo e os Socialistas reservaram para alguns portugueses? Exactamente, esse mesmo, o casamento gay. O Presidente da República diz que há coisas que o preocupam mais – ideia, aliás, que parece ser partilhada pela maioria das pessoas – e qual foi a reacção dos proponentes? Essa mesma: vá de fazer birrinha. 'Tadinhos!

Eu sou daqueles que nada tenho a opor a que os homossexuais deste país juntem os trapinhos e partilhem cama, pucarinho e o que mais queiram. Admito inclusivamente que aqueles que fazem vida em comum devem ver reconhecidos alguns direitos que actualmente lhe são negados, nomeadamente nas vertentes fiscal e sucessória. Porém, desculpem lá, não se me afigura necessário que ao contrato conjugal celebrado entre gays chamem… casamento. Mas pronto, se isso é problema, levem lá a bicicleta e deixem cá a campainha para a gente fazer música, chamem-lhe lá casamento e acabemos com a birra. O que não aceito mesmo é que se usem as chamadas "causas fracturantes" apenas para desviar as atenções daquilo que verdadeiramente importa. Isso não!!

Acho isso tão ridículo como aquela parada do orgulho gay em que tal orgulho é evidenciado através de mariquices exibidas em público. Imaginem só que agora a população heterossexual decidia também fazer uma marcha de orgulho, em que eles e elas exibiam as partes pudendas, exibições eventualmente complementadas com outras demonstrações cabais e definitivas das respectivas masculinidades e feminilidades? Havia de ser bonito… É por isto que este Natal apresenta indícios de Saturnália.

Enfim, Natal ou Saturnália, o que interessa é que todos passem umas Boas Festas!



As imagens foram colhidas nos locais para os quais apontam as respectivas hiperligações.

Boas Festas


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Ilustrações da próxima crónica ad valorem... (IV)







As imagens foram colhidas nos locais para os quais apontam as respectivas hiperligações.

Acta n.º 26/2009 da CME


A acta da reunião em referência já está disponível. Para consulta ou transferência clique aqui.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Acta n.º 25/2009 da CME


Acta n.º 25/2009 da Reunião de Câmara de 18 de Novembro de 2009. Para consulta ou download aceda ao website http://advalorem.antonioramalho.net ou clique aqui.

Acta n.º 24/2009 da CME



Quem pretender consultar ou transferir a acta em referência poderá fazê-lo aqui.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Frases... (V)




"É uma pena que todas as pessoas que sabem como é que se governa o país estejam ocupadas a conduzir táxis ou a cortar cabelo"
As imagens foram colhidas nos locais para os quais apontam as respectivas hiperligações.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Reunião da Câmara Municipal de Estremoz 16Dez2009


Assuntos tratados:

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Samuelson

Este sujeito da foto ao lado - tirada em 1950, quando tinha 35 anos - chamava-se Paul Anthony Samuelson e foi um dos economistas mais marcantes do século XX. Morreu no dia 13 deste mês (eu ia dizer "ontem" mas reparei agora que já passa da meia-noite).
O seu manual de Economia - impresso pela primeira vez em 1948 - foi o texto base dos estudantes de Economia de praticamente todo o mundo. Eu estudei pela 4.ª edição em português - dois volumosos calhamaços editados pela Gulbenkian - que correspondia à 9.ª edição em língua inglesa de 1973. Quase 20 anos mais tarde comprei a 14.ª edição, a qual contava já com a co-autoria de William Nordhaus, e fiquei surpreendido pela "cura de emagrecimento" a que o manual tinha sido submetido: era pouco mais de metade - e agora, naturalmente, num único volume - da versão anterior minha conhecida.
Um pormenor curioso: a edição publicada pela Gulbenkian referia, a título de nota biográfica, que Samuelson era licenciado em Letras (!?!), coisa que se por um lado me pareceu estranha para alguém que dominava de forma superior a Matemática, por outro sugeria-me que, afinal, até as pessoas geniais podiam evidenciar dúvidas no momento de escolher o curso superior. Mais tarde vim a saber que tal referência biográfica mais não era que um erro de tradução.
Ontem - recordo que são agora 01:00 da matina - li aquilo que me parece ser outro erro de tradução: desta vez diziam que a genialidade matemática de Samuelson lhe advinha da sua formação de base em Física (!?!)... Mas então o homem não podia ser bom a Matemática sendo de Economia? Isto é que anda aqui uma conversa! O homem apenas trabalhou no M.I.T.’s Radiation Laboratory, porém, nessa altura, já ele tinha escrito "The Foundations of Economic Analysis" obra que foi determinante para a obtenção do Prémio Nobel da Economia 1/4 de século mais tarde.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Desemprego e atitude - Opinião - DN

Desemprego e atitude - Opinião - DN

O palhaço - JN

O palhaço - JN

domingo, 13 de dezembro de 2009

Cartoons do Picalima



As anteriores entradas "Olha só a gracinha" e "Mais uma graçola do Picalima" têm agora os ficheiros originais do autor ao invés das imagens digitalizadas do jornal.
A imagem que agora apresento é, como é óbvio, do sujeito que nela se apresenta. Um artista.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Mais uma graçola do Picalima...


[Reedição agora com uma imagem melhorada gentilmente cedida pelo autor (Obrigado!)]


Santos da Casa... não fazem milagres... Bom isso era antes do Picalima começar a demonstrar o contrário...

Frases... (IV)



"Se você pegar no mais ardente dos revolucionários, e der poder absoluto a ele, dentro de um ano ele será pior do que o próprio czar"






Mikhail Bakunine, a quem me referi na minha crónica "Breve História do Comunismo"




As imagens foram colhidas nos locais para os quais apontam as respectivas hiperligações.

Não fui eu quem disse...



Nem nada direi... por ora... a seu tempo... logo se verá

Boletim Mensal do IGCP - Dezembro 2009




Notas explicativas ao Boletim Mensal do IGCP

1. Evolução da Dívida Directa do Estado
Em 30 de Novembro de 2009, o saldo da dívida directa do Estado cifrou-se em EUR 130.235 milhões, aumentando 0,4% face ao final do mês anterior. A variação da dívida deveu-se, fundamentalmente, a um leilão da OT 3,6% Out 2014, com um valor nominal de EUR 1.067 milhões, e a uma emissão líquida positiva de ECP no montante de EUR 703 milhões. O saldo de BT diminuiu EUR 673 milhões, em resultado da amortização do BT 20Nov2009, que atingira um saldo de EUR 3.167 milhões, e da realização de dois leilões nos montantes de EUR 781 milhões (na linha a 9 meses BT 23Jul2010) e de EUR 1.713 milhões (na nova linha a 1 ano BT 19Nov2010). Os saldos de Cedic e de CA também contribuíram para uma redução do saldo da dívida, ao diminuírem EUR 378 milhões e EUR 65 milhões, respectivamente, assim como o saldo de outros instrumentos não transaccionáveis em moeda euro, que se reduziu em EUR 261 milhões. Foi ainda realizada uma emissão ao abrigo do programa EMTN no valor de USD 100 milhões. As flutuações cambiais observadas no período contribuíram para uma diminuição do stock da dívida de EUR 48 milhões.
2. Cálculo do rácio de Dívida Pública
O Boletim Mensal do IGCP apenas divulga o valor da dívida directa do Estado. A dívida directa do Estado corresponde às situações passivas de que o (sub-sector) Estado é responsável em virtude do recurso a empréstimos. De acordo com o Regulamento (CE) n.º 3605/93 do Conselho, de 22 de Novembro, alterado pelo Regulamento (CE) n.º 475/2000 do Conselho, de 28 de Fevereiro, a dívida pública corresponde à totalidade das responsabilidades brutas consolidadas do sector das Administrações Públicas, ao valor nominal. No final de 2008, a dívida directa do Estado ascendeu a EUR 118.462,7 milhões (71,3% do PIB), enquanto que a dívida das Administrações Públicas, calculada de acordo com as regras acima definidas, atingiu EUR 110.376,6 milhões (66,3% do PIB), segundo o Reporte ao Eurostat de 28 de Setembro de 2009.
As imagens foram colhidas nos locais para os quais apontam as respectivas hiperligações.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Avós do Facebook

Este é também um sinal dos tempos. São cada vez mais as avós – atenção: estou a excluir, deliberadamente, os avôs – que aderem às novas tecnologias de informação e comunicação e, em particular, às agora denominadas "redes sociais". As "avós do Facebook" são, a cada dia que passa, cada vez mais. Passam horas a fio ao computador, resistindo-lhe menos que à tentação de um bolo com creme. Não se pense, necessariamente, que são pessoas de há muito familiarizadas com a informática. Se bem que este factor seja, inequivocamente, facilitador, a verdade é que a ausência de tal background não constitui um verdadeiro impedimento. A motivação supera muitas contrariedades e esta não parece faltar às avós do Facebook. O que é então que as anima, que as impulsiona a aderirem à informática, às redes sociais e a estilos de vida e de convivência até aí completamente estranhos para elas?

Vou tentar responder as estas questões alertando, todavia, para o facto de este não ser um trabalho científico mas tão-somente uma croniqueta quinzenal de um jornal de província. Já agora devo também confessar que se penso saber a resposta, tal sapiência foi adquirida de uma forma involuntária numa primeira fase, e depois, na fase subsequente, fazendo bom uso de um apurado "ouvidinho bisbilhoteiro".

Entre chá e torradas duas avós relatavam – de forma suficientemente audível – a uma terceira – como as primeiras avó, mas que em matéria de informática ainda nem sequer debutante era – as suas proezas na Net. Falavam de forma tão empolgada que a terceira avó parecia estar a ficar contagiada e com aparente vontade de aderir. Uma relatava o número de cabeças de gado que possuía na sua Farmville, do trabalho que tinha com a apanha dos frutos e com os cuidados da horta. A segunda das primeiras avós colocava maior ênfase nos contactos que estabelecia com os filhos – subentendia-se que migrados noutras localidades – e com os netos. Em coro falavam ambas dos contactos estabelecidos com amigos e conhecidos, das fotografias e vídeos que viam, das recordações a que tinham acesso… até que uma rematou com a derradeira resposta: "Olha, é uma companhia!".

E é mesmo: uma companhia. Depois de uma vida de trabalho a dobrar – no emprego e em casa – onde tudo era feito em contra-relógio, a pouco e pouco as coisas começam a serenar. Os filhos saem de casa, a reforma acaba por chegar e, com ela, vem também o tempo livre que lhes faltou durante a maior parte da vida. Elas merecem.

As imagens foram colhidas nos locais para os quais apontam as respectivas hiperligações.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Ilustrações da próxima crónica Ad Valorem III





As imagens foram colhidas nos locais para os quais apontam as respectivas hiperligações.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Olha só a gracinha... II - Assim vai a educação


Acabei de receber esta graçola por e-mail. Não resisti. A epígrafe era: "Assim vai a educação..."

sábado, 5 de dezembro de 2009

A mocidade dos cotas... VII - I don't wanna dance... Eddie Grant - 1982

Há certas músicas que têm o dom de nos transportar para outros momentos das nossas vidas.


Há 27 anos esta música esteve 3 semanas consecutivas no primeiro lugar das vendas em todo o mundo, mantendo-se ainda mais 12 semanas entre os lugares cimeiros do top. Era impossível ficar-lhe indiferente.


Felizes aqueles a quem esta música traz boas recordações.


Aos que ainda não eram nascidos, ainda vão a tempo da apreciar.






I don't wanna dance
Dance with you baby no more
I'll never do something to hurt you, though
Oh but the feeling is bad
The feeling is bad

I love your personality
But I don't want our love on show
Sometimes I think it's insanity
Girl the way you go


With all of the guys on the corner
Oh baby, you're the latest trick
Oh, you seem to have their number
Look they're dancing still

I don't wanna dance
Dance with you baby no more
I'll never do something to hurt you, though
Oh but the feeling is bad
The feeling is bad

Bis

Solo

I don't wanna dance
Dance with you baby no more
I'll never do something to hurt you, though
Oh but the feeling is bad
The feeling is bad

Baby now the party's over
For us, so I'll be on my way
Now that the things which moved me
Are standing still

I know it's only superstition
Baby, but I won't look back
Even though I feel your music
Baby that is thatI don't wanna dance

Dance with you baby no more
I'll never do something to hurt you, though
Oh but the feeling is bad
The feeling is bad

Don't wanna dance
Don't wanna dance
Don't wanna dance
Don't wanna dance
Don't wanna dance
Don't wanna dance
Don't wanna dance

Don't wanna dance
Don't wanna dance
Don't wanna dance
Don't wanna dance
Don't wanna dance
Don't wanna dance
Don't wanna dance

I don't wanna dance
Dance with you baby no more
I'll never do something to hurt you, though
Oh but the feeling is bad
The feeling is bad

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Política - Face Oculta dominou primeiro debate quinzenal de José Sócrates - RTP Noticias, Vídeo

Porque será que o Senhor Primeiro-Ministro nunca responde aquilo que lhe perguntam? Porque será que prefere sempre passar ao ataque acusando os seus opositores de algo que não tem exactamente a ver com a pergunta concreta que lhe foi formulada?
Será por isto que algumas pessoas consideram que José Sócrates é o melhor... sei lá quê?
Que orgulho sinto em me integrar no grupo, infelizmente, minoritário que considera que não.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A mocidade dos cotas VI - Sandie Shaw

Eu tinha 5 anos quando vi isto...

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Para descontrair... (III) - Andre Rieu - Strauss-Walzer Medley 2005

sábado, 28 de novembro de 2009

Olha só a gracinha...



Agora com imagem melhorada cedida pela autor.







sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Para descontrair... (II)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Para descontrair...

Receba os nossos artigos por e-mail

Related Posts with Thumbnails

Número total de visualizações de página

CQ Counter, eXTReMe Tracking and SiteMeter

eXTReMe Tracker
Site Meter