No meio de episódios manifestamente tristes, até teve a sua piada...
Imagens captadas por José Gonçalez
ad valorem reflecte a convicção de que as pessoas têm valor e de que têm valores. Mesmo os mais burgessos. Logo, possuímos os ingredientes necessários para ultrapassar obstáculos e para vencer contrariedades.
No meio de episódios manifestamente tristes, até teve a sua piada...
Imagens captadas por José Gonçalez
Já não me recordo onde li que um bom advogado é aquele que consegue demonstrar que a lei diz exactamente o oposto do
que lá está escrito. Que me perdoem os advogados mas tais "méritos" têm que ser partilhados com mais pessoas. O que não faltam por aí são crânios que se permitem interpretar da forma mais conveniente o teor de um texto escrito. A recente polémica em torno das declarações de José Saramago é disso a prova evidente.
Reconheço que (1) os textos nem sempre são claros; (2) um texto (ou uma frase) desinserido do respectivo contexto pode conduzir a uma interpretação distorcida; (3) ser necessária uma interpretação sistemática quando partes da prosa estão em contradição com a filosofia subjacente ao todo… mas, tenham dó, há limites para tudo.
Quando um texto diz que David cobiçou Bateseba, mulher de Urias, que copulou com ela e que de tal acto veio a nascer um filho, não pode dizer que "não foi bem assim", que não houve adultério. Do mesmo modo, quando David urdiu uma forma de matar Urias, não pode dizer-se que não tenha havido assassínio, ainda que este não tenha sido o autor material do crime. Todavia, quando se diz que Amnom, filho de David e irmão de Absalão, copulou com a irmã de Absalão, Tamar, virgem até aquele momento, já não se pode dizer com precisão que tenha havido incesto, dado que Tamar, apesar de irmã de Absalão e este irmão de Amnom, podia não ser irmã de Amnom. Agora que aquela família era uma grande rebaldaria, com práticas poligâmicas com fartura, isso, com base no texto escrito, já ninguém o pode negar. Assim como quando Absalão decidiu limpar o sebo ao irmão Amnom, ninguém pode dizer que não houve fratricídio, da mesma forma que voltou a haver assassinatos entre irmãos quando Salomão mandou matar Adonias, irmão "completo" de Absalão e a 50% do próprio Salomão.
Ora bem, todo o parágrafo precedente se refere a textos bíblicos, mas precisamente ao Antigo Testamento. Isto faz da Bíblia, no dizer de Saramago, um "manual de maus costumes"? Embora as práticas ali enumeradas não sejam, de todo, as mais recomendáveis, a verdade é que em lado nenhum se pode inferir que a doutrina bíblica aprovasse tais procedimentos. Na verdade, segundo a Bíblia, o povo de Israel sofreu castigos por causa destes e de outros comportamentos igualmente bizarros. Agora, é também preciso ter presente que Saramago também não disse apenas aquela frase que provocou toda esta celeuma. Disse também que a Bíblia "tem coisas admiráveis" e que "muita coisa vale a pena ler". Se Saramago é acusado de descontextualizar os textos bíblicos sugerindo interpretações erróneas, então é igualmente verdade que aqueles que o acusam também descontextualizaram as declarações de Saramago, omitindo as passagens em que este fez menções elogiosas ao texto sagrado.
Valia a pena toda esta confusão por causa de alguém cujas afirmações se enquadram numa estratégia de promover a sua mais recente obra literária, Caim? Eu acho que não.
Publicado na edição do Brados do Alentejo de 29 de Outubro de 2009
Descobri uma coisa fantástica e que agora
partilho convosco: se escrevermos em MAIÚSCULAS o corrector ortográfico não assinala os erros. No discurso escrito as maiúsculas são equivalentes à forma enfática na linguagem falada. E como se dá ênfase ao discurso oral? FALANDO ALTO ou S-O-L-E-T-R-A-N-D-O o discurso. Nestas condições as pessoas que ouvem fixam-se mais na forma que no conteúdo da mensagem; dão mais atenção ao mensageiro que fala convictamente – mesmo que esteja a dizer patacoadas – que a qualquer outro orador.
Descobri também que o discurso escrito é pouco (ou nada mesmo) eficaz. Dou um exemplo: nesta última campanha eleitoral o texto do panfleto dirigido aos eleitores de Evoramonte saiu com o conteúdo que era destinado aos eleitores de Santa Vitória do Ameixial. Só soube de uma pessoa que tivesse dado por isso. Esclarecedor, não acham?
Feita a introdução vamos ao que interessa. Apesar de me ter recusado a usar esta coluna para falar da política local desde que anunciei a minha candidatura à Câmara Municipal, hoje vou abrir uma excepção, sob pena de as pessoas pensarem que estou a fugir ao assunto. Portanto, vamos a isto sem rodeios: perdi claramente estas eleições. Ser eleito vereador não mitiga o desaire eleitoral já que o objectivo era, no mínimo, fazer eleger dois representantes da lista em que estava integrado.
As dinâmicas de voto útil lesaram duplamente as candidaturas do PSD, da CDU, do CDS e do BE. Houve voto útil no MiETZ para destronar o executivo socialista; assim como houve voto útil no PS para procurar impedir o retrocesso da eleição de Luís Mourinha. Em termos práticos, o eleitorado bipolarizou-se. Nada, afinal, que eu não tivesse antevisto na minha intervenção final do último debate entre candidatos. O que nunca pensei é que tivesse esta expressão. Os votos CONTRA E PELAS MÁS RAZÕES ganharam estas eleições em Estremoz.
Enfim, apesar de todas as vicissitudes acabei eleito. Irei assumir a responsabilidade de representar aqueles que votaram a FAVOR de alguma coisa e ainda os demais que não se sentem representados neste executivo. Vou ficar entaipado entre os principais obreiros do atraso de Estremoz. Não estou a dizer que a Câmara Municipal deva ser vista como um local mal frequentado, até porque tem eleitos que me merecem respeito. Porém, devo confessar que há lá pessoas que não constituem a melhor companhia quando se pretende desenvolver um trabalho sério e responsável. Ossos do ofício.
Costuma dizer-se – e eu digo-o com muita frequência – que em democracia todos têm o que merecem. Tive, portanto, o que mereci. Porém esta máxima, para o bem e para o mal, aplica-se igualmente aos eleitores: cada terra tem também os políticos que merece. Quem ganhou tem agora um autocarro de promessas para cumprir e duvido muito que seja capaz de o fazer. Será isso uma DESGRÁCIA? Pouco importa, os queixumes a posteriori são como sopas depois de almoço. AGUENTEM-SE À BRONCA!
Publicado na edição do Brados do Alentejo de 15 de Outubro de 2009
pelo Partido Social Democrata. Nasci, cresci, estudei e trabalho em Estremoz. Conheço praticamente todos os recantos do nosso concelho. Na minha infância dizia-se que Estremoz era “a menina bonita do Alentejo”, mensagem que apenas reforçava o meu orgulho de ser estremocense.
Já vai sendo uma tentação. Voltei a rapinar fotos do blogue do José Gonçalez. Pareceu-me no entanto que o fazia por uma boa causa.
frisar especificamente esse aspecto (deveras importante para fomentar o nosso desenvolvimento), quero dizer que vou dedicar particular atenção ao investimento que já se realiza no nosso concelho, promovido pelos nossos concidadãos. Esse investimento também terá que merecer uma atitude de carinho por parte do Município que, ao invés de obstaculizar as iniciativas que vão sendo geradas na sociedade civil, deve, pelo contrário, assumir uma atitude cooperante e de parceria no apoio àqueles que, contra ventos e marés, persistem em realizar projectos de investimento neste concelho. Quero ainda destacar que tenho conhecimento de algumas iniciativas que, no seu conjunto, envolvem investimentos de milhões de euros, promovidas por pessoas de grande valor e que, além do mais, são pessoas da terra. Portanto, esta minha primeira nota teria que ir forçosamente para eles, porque “Acreditar em Estremoz” (que é o nosso lema de campanha) é também – até diria “sobretudo” - acreditar no valor dos nossos conterrâneos.
Fui alertado para um detalhe, quando me perguntaram se faltava algum texto nesta mensagem. Disseram-me inclusivamente que dava a sensação que "entrava logo a matar"... Não foi isso, a mensagem está é, de facto, descontextualizada, dado que o Jornal Ecos me perguntava:
O eleitorado flutuante constitui o sal da democracia. Constituído por aquelas pessoas que ora votam num partido ora votam noutro, esta é a franja do eleitorado que decide sempre as eleições e que manda às urtigas muitas sondagens e ainda mais opiniões avulsas.
nele se pretenda instalar. Uma das vias para conseguir tal desiderato passa por estimular a criatividade, a inovação e o empreendedorismo. Com a publicação da Portaria n.º 985/2009, os serviços municipais de apoio ao empreendedorismo, para além da inexcedível importância no fomento da actividade económica, passam também a ser uma fonte de geração de receitas para o erário municipal.Tive uma educação tradicional, conforme aquilo que era normal para a época. Em Estremoz,
por altura da minha infância, a tourada fazia parte do percurso de endoculturação de qualquer criança. Não me lembro de ninguém da minha geração que não gostasse de assistir a uma corrida de touros. Aliás, só para medir este fenómeno cultural, integrando-o na sua própria época, o meu primeiro ídolo não foi nem jogador de futebol nem uma estrela de Rock, foi o Quim-Zé, um cavaleiro tauromáquico eborense.
Nos resquícios da minha memória ressoam ainda os brados com que os aficionados brindavam as suas lides: "Olé Quim-Zé".
Com o passar do tempo, mercê de outras vivências, de outras influências, de fenómenos de aculturação e até de desculturação, outros interesses se sobrepuseram à tauromaquia na minha hierarquia de preferências. Hoje sou um aficionado bem menos entusiasta relativamente àquilo que era no passado. Já não sou capaz de gastar dinheiro e tempo para ir assistir a uma corrida fora de Estremoz ou de alterar a minha agenda para assistir a uma transmissão televisiva da festa brava. Mas não, não renego a minha cultura e, por conseguinte, pelo menos em Estremoz, costumo assistir às touradas.
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foi o Jornal Ecos a dar o pontapé de saída metendo todos os candidatos (que apanhou), nada mais nada menos, na Cadeia...
ser candidato pelo PSD é um acto voluntário. Ninguém é obrigado.