
Lista de candidatos à Freguesia de S. Lourenço de Mamporcão.
ad valorem reflecte a convicção de que as pessoas têm valor e de que têm valores. Mesmo os mais burgessos. Logo, possuímos os ingredientes necessários para ultrapassar obstáculos e para vencer contrariedades.


Com o voto contra de um dos elementos do órgão directivo da Entidade Reguladora para a Comunicação Social
(ERC), aprovou esta entidade uma directiva "sobre a participação de candidatos a eleições em debates, entrevistas, comentários e outros espaços de opinião nos órgãos de comunicação social", preconizando a suspensão de tal colaboração com a imprensa "desde a data de apresentação formal da lista da respectiva candidatura no Tribunal Constitucional até ao dia seguinte ao da realização do acto eleitoral".
Se o voto contra antes aludido demonstra, desde logo, que tal matéria não foi consensual dentro da própria ERC, também as reacções sucessivas quer do Sindicato dos Jornalistas quer da Confederação Portuguesa dos Meios de Comunicação Social vêm demonstrar que, afinal, os argumentos usados não colhem assim tantas simpatias.
Primeiro, porque o fez num momento a todos os títulos inadequado, ou seja, numa altura em que as candidaturas às legislativas e às autárquicas já estão em marcha e depois de ter deixado passar as eleições europeias sem se ter pronunciado sobre o assunto que, ao que parece, tanto aflige, agora, alguns dos seus dirigentes. Segundo, porque a ERC se está imiscuir na esfera de competência da CNE (Comissão Nacional de Eleições) com a agravante de o fazer já depois desta última ter produzido um comunicado intitulado "Tratamento jornalístico não discriminatório", onde é feita uma clara separação entre a vertente noticiosa e os espaços de opinião. Terceiro, porque a ERC está interferir no domínio editorial da imprensa, o qual, em democracia, é um espaço de liberdade por excelência. Quarto, porque a ERC também não tem legitimidade para interferir nas relações contratuais entre as empresas de comunicação social e os seus colaboradores permanentes. Quinto, porque não vale a pena: as directivas da ERC não sendo vinculativas são ineficazes já que ninguém está obrigado a cumpri-las.
Face ao que precede a conclusão é só uma: por muito pertinentes que sejam as questões de fundo que levanta, esta directiva falha o pretenso objectivo de incentivar boas práticas no sector da comunicação social porquanto enferma de um vício de análise: o pluralismo de opinião deve ser incentivado em permanência e não apenas em períodos eleitorais.
Publicado na edição de 28Ago2009, na secção "Mesa Redonda", do Jornal Ecos.

Sinceramente, não sei como devo reagir. Devo rir-me ou devo indignar-me? Afinal, há espaço para ambas as reacções.Comecemos pela primeira. Só mesmo por graça alguém pode admitir que os casais vão desatar a fazer filhos só para apanharem 200 euros. Se isto é um incentivo… vou ali já venho. Só o enxoval do bebé custa bem mais que isso. Se houver neste país algum casal que se sinta tentado a ter mais um filho por causa de 200 euros, então é porque deve ter residência permanente na Avenida do Brasil, em Lisboa, numa instituição fundada por Júlio de Matos.
Agora que nenhum dos 100 mil casais que por ano têm filhos vai desperdiçar a oportunidade de amealhar tal "ajuda" também é verdade. Tão verdade como o facto de tal número de nascimentos anuais não irá sofrer qualquer alteração por causa desta idiotice agora chamada de incentivo. Conclusão: o custo desta palermice demagógica é de 20 milhões de euros por ano; o seu impacto em relação ao suposto objectivo será ZERO. Nem mais uma criança nascerá por isso. 
Se queremos efectivamente estimular a natalidade então temos de tomar medidas activas para isso, que sairão muito mais dispendiosas (muito mais mesmo) mas cujos resultados serão bastante mais visíveis. Tais medidas são de natureza fiscal, têm um nome (tributação pelo quociente familiar) e duram durante todo o período em que os filhos coabitam com os pais (mesmo que já tenham 30 anos). Actualmente, o nosso sistema fiscal assenta no denominado "quociente conjugal", ou seja, o rendimento familiar é dividido por dois e depois faz-se um abatimento por cada filho. Porém, como toda a gente sabe, o nascimento de um bebé traduz-se num autêntico rombo no orçamento familiar e é justamente por isso que há cada vez menos nascimentos. Se a tributação do rendimento tivesse por base o número total de elementos que integram o agregado familiar, então haveria condições para as pessoas terem mais filhos. Como está, não.
Só cretinos acreditam na bondade desta proposta, demagógica e eleitoralista, de Sócrates.
Publicado na edição de 14Ago2009, na secção "Mesa Redonda", do Jornal Ecos.
No início desta semana celebrou-se o 40.º aniversário da chegada
do homem à Lua. Os americanos e a generalidade do mundo ocidental rejubilaram de alegria porque, desta forma, pensaram ter conseguido assegurar importantíssimas reservas de tout-venant (tuvenã) para as estradas e caminhos desse mundo fora. Afinal, bem vistas as coisas, mesmo naquela época em que as contas se faziam com o lápis atrás da orelha, já se sabia que era mais barato continuar explorar as pedreiras da Terra… Mas isso que importava? O importante foi que os astronautas americanos ganharam a corrida aos cosmonautas russos depois de, durante boa parte do tempo, terem estado em desvantagem. Hoje é ponto assente que se a corrida à Lua foi usada como manobra de propaganda em tempos da guerra fria, não é menos verdade que, sem tal fútil justificação, a exploração científica do espaço não teria acontecido ou, no mínimo, teria acontecido com muito menos recursos e de uma forma assinaladamente mais lenta.
Pois é, a Lua tem este poder, este encanto, este fascínio. A ela se associam algumas realidades – como a evolução das marés – e ainda mais mitos, que incluem lobisomens, loucos lunáticos, assassinos em série e amantes apaixonados. Mas, enfim, realidade ou mito, que importa? O que conta verdadeiramente é que o feitiço da lua faz, de facto, as coisas acontecerem, mesmo que tais coisas não sejam exactamente as que se anunciaram, nem que as justificações dadas para estas correspondam às verdadeiras motivações que as originaram.
Por cá, temos o nosso presidente do concelho, perdão, do conselho (de ministros) de novo embalado com o feitiço da lua. Novas promessas aí estão para os próximos quatro anos sem que – utilizando a linguagem do cronista do Correio da Manhã, António Ribeiro Ferreira – "neste sítio pobre, deprimido, manhoso, cheio de larápios e cada vez mais mal frequentado" ainda tenham sido cumpridas as anteriores, as de há quatro anos atrás. Cá para mim acho um tanto confrangedor que se queira fazer as pessoas passarem por parvas novamente, voltando a prometer um "el dorado" de realizações fantásticas que ficam, invariavelmente, por realizar. Mas enfim, é a vida, se Sócrates e os socretinos não tiverem o que merecem nas próximas eleições, então é porque o povo português não merece mesmo mais.
Paralelamente, relativamente ao processo autárquico em curso, por esse país fora voltam a ouvir-se novas promessas, que agora é que é, que até aqui tivemos de semear e que agora, no próximo mandato, é vai ser colher à fartazana. Só vos digo, caiam nessa caiam… Porque cargas de água é que aqueles que vos prometeram lua cheia (e vos mostraram o lado oculto da mesma) é que agora vão fazer aquilo que não fizeram? Até mesmo o feitiço da lua tem limites!
Boas férias!



Após a ocupação alemã da Jugoslávia, o diretor de uma Rádio alemã sediada em Belgrado, o jovem tenente Karl-Heinz Reintgen começou a transmiti-la de novo, com grande agrado de Rommel.
Tornou-se a canção oficial da estação, que a transmitia diariamente às 21.55, antes do fim da emissão.
Lili Marlene era ouvida também pelos Aliados.
Depressa se tornou a canção preferida dos soldados de ambos os lados.
Marlene Dietrich cantou “The Girl under the Lantern” em muitos espectáculos, na Rádio e “em três longos anos, na África do Norte, Sicília, Itália, no Alasca, Groenlândia, Islândia e Inglaterra”,
como ela gostava de dizer mais tarde.
Diz-se que a canção foi traduzida em 48 línguas, incluindo o francês, o russo, o italiano e o hebreu.
. Afinal trata-se de uma estremocense que consegue um lugar de destaque e, ainda por cima, filha de dois colegas e amigos.
Com a chegada do calor a minha disposição para escrever diminui na razão inversa da minha apetência pela leitura. Assim, desta vez – afinal,
não sei se aquilo que vou fazer hoje será moda que pegue – vou preferir contar histórias escritas por outros.
Os dois sapos
«Dois sapos viviam na mesma lagoa. Quando ela secou com o calor do Verão, saíram em busca de outro lar. No caminho, passaram por um poço profundo e cheio de água. Ao vê-lo, um dos sapos disse para o outro: "Vamos descer e fazer a nossa casa neste poço; teremos aqui abrigo e alimento". O outro, mais prudente respondeu: "Mas, e se faltar a água, como sairemos de um lugar tão fundo?" (Moral da história:) Não faça nada sem pensar nas consequências!»
Fábulas de Esopo, Séc. VI AC
O Rei, o peregrino e o cirurgião
«Em épocas remotas, um rei passeava acompanhado de alguns nobres quando um peregrino muçulmano gritou: "Um bom conselho em troca de 100 dinares". O rei parou e disse: "Que conselho é esse por 100 dinares?". "Senhor", respondeu o peregrino, "entregue-me a quantia e eu direi imediatamente". O rei atendeu, esperando ouvir algo extraordinário. O muçulmano disse-lhe: "Este é o meu conselho: Não comece a fazer nada antes de pensar em como isso vai terminar".
Os nobres e os demais presentes acharam graça, achando que o peregrino tinha feito bem em pedir o seu pagamento adiantado. Mas o rei disse: "Não há motivo para rir do conselho do peregrino. Ninguém ignora o facto de que devemos pensar bem antes de fazer alguma coisa. O problema é que nem sempre o fazemos e, por vezes, sofremos as consequências. Sabem que mais? Gostei do conselho do muçulmano".
O rei decidido a não se esquecer jamais do conselho, mandou gravá-lo em letras douradas nas paredes do seu palácio e também na sua salva de prata. Algum tempo depois um nobre conspirador subornou o cirurgião da corte propondo-lhe honrarias se usasse um bisturi envenenado quando fizesse a sangria ao rei. Quando trouxeram a salva de prata para recolher o sangue do rei, o cirurgião leu a mensagem que nela estava gravada: "Não comece a fazer nada antes de pensar em como isso vai terminar". Foi então que o cirurgião percebeu que se o conspirador se tornasse rei ser-lhe-ia tão fácil mandar matá-lo como cumprir a sua parte da promessa. Reflectindo sobre o assunto percebeu que a primeira hipótese era mesmo a mais provável já que ele, alinhando na tramóia, ficaria na posse de um segredo incómodo para o novo senhor. O rei, vendo o cirurgião tremer, quis saber a razão de tal nervosismo, nada habitual nele. Foi então que o médico da corte confessou a verdade no momento. Preso o conspirador, o rei mandou chamar aqueles que tinham troçado do conselho do peregrino e disse: "Ainda se riem do conselho do peregrino?"»
A Caravana dos Sonhos, de Idries Shah, 1968.

Exmo. Senhor Director do Jornal Ecos
Na entrevista publicada nas páginas centrais da última edição do jornal que V. Exa. dirige fui visado, de uma forma torpe e ignóbil, pelo entrevistado.
Em circunstâncias normais, seria de esperar – de acordo com os cânones de um jornalismo sério e imparcial – que à vítima de ataque fosse solicitada uma reacção em relação às acusações que lhe foram dirigidas. Tal não aconteceu, apesar de V. Exa. saber que eu considerei aquela entrevista um ataque especificamente focado em atingir o meu bom nome, no momento em que o questionei sobre as razões da mesma não estar assinada e, nesse contexto, sobre quem tinha sido então o "profissional" que tinha dirigido aquele "trabalho".
Tendo V. Exa., primeiro, ficado de averiguar tal autoria e, depois, me comunicado que tal "autoria" era da responsabilidade "da redacção", ficou evidente que – não tendo sido nenhum dos habituais colaboradores nem o director a fazê-la –a entrevista tinha propósitos bem definidos e de que o jornal que dirige deu cobertura a tais propósitos.
Quanto às afirmações do entrevistado em relação à minha pessoa apenas tenho a comunicar que elas serão objecto de tratamento no foro judicial. Aqui, e publicamente, é assunto encerrado.
Nos termos da lei, solicito que esta minha nota seja publicada no mesmo local e com o mesmo destaque da peça jornalística que lhe deu origem. Do mesmo modo, espero igualmente que V. Exa. não viole o n.º 6 do art.º 26.º da Lei de Imprensa. 
Curiosamente, ou talvez sem rigorosamente nada de curioso, o Sr. Director acabou por me responder por meias palavras sob a epígrafe "Físico-Química". Falou de reacções alcalinas ou básicas (Química), escusando-se a falar de Física (a menos que estivesse a considerar a queda abrupta do seu prestígio pessoal e dos "profissionais" anónimos que o acompanham).
Disse o senhor que "mais importante do que saber quem faz as perguntas numa entrevista, é saber interpretar as respostas…", acrescentando que a função do jornal é "tentar apurar a verdade dos factos" e que aos "jornalistas e às redacções compete-lhes apenas perguntar…"
O Sr. Director esqueceu-se que para apurar a verdade devia, no mínimo, ouvir ambas as partes, para permitir ao público leitor
"interpretar as respostas". Mas não, só interessava acusar uma das partes… com intenções e autores óbvios. Ficou tudo esclarecido.
O que me indigna no meio disto tudo é o meu advogado dizer-me que não tenho "matéria" para processar quem ficou à porta da quinta a segurar o saco; que só posso acusar a pessoa que leu o guião. Nestas como noutras coisas, "quem se lixa é o mexilhão"…
Notícia de última hora… de um dia destes… de uma semana que já passou… dá conta que
o senhor Presidente da Câmara de Vila Viçosa foi vítima de uma descarga de bílis, que lhe provocou imenso azedume e alguma rabugice. Lá como cá, como em todo o lado, há sempre pessoas que reagem assim quando as coisas não lhes correm de feição. O PSD de Estremoz formula votos no sentido do rápido restabelecimento do referido senhor.
Publicado na edição de 03Jul2009, na secção "Mesa Redonda", do Jornal Ecos.
Por acaso os Paper Lace até eram britânicos, coisa que nem me passava pela cabeça quando os ouvi pela primeira vez em 1974 a falarem de Chicago.
A história contada é de ficção mas inspirada no famoso massacre de S. Valentim executado pelos capangas de Alphonse Capone.
Para mim, a atracção por esta música começou logo na sirene...
Para quem quiser recordar e acompanhar a música, a letra está logo a seguir ao vídeo.
Se quiserem ver um outro vídeo mais documentado e com a letra em legenda, sigam então este atalho: http://www.youtube.com/watch?v=kwwaGXcZ6Wo
Daddy was a cop
On the East Side of Chicago
Back in the USA
Back in the bad old days
In the heat of a summer night
In the land of the dollar bill
When the town of Chicago died
And they talk about it still
When a man named Al Capone
Tried to make that town his own
And he called his gang to war
Against the forces of the law
I heard my momma cry
I heard her pray the night Chicago died
Brother, what a night it really was
Brother, what a fight it really was
Glory be
I heard my momma cry
I heard her pray the night Chicago died
Brother, what a night the people saw
Brother, what a fight the people saw
Yes, indeed
And the sound of the battle rang
Through the streets of the old East Side
'Til the last of the hoodlum gang
Had surrendered up or died
There was shouting in the street
And the sound of running feet
And I asked someone who said
"'Bout a hundred cops are dead"
I heard my momma cry
I heard her pray the night Chicago died
Brother, what a night it really was
Brother, what a fight it really was
Glory be
I heard my momma cry
I heard her pray the night Chicago died
Brother, what a night the people saw
Brother, what a fight the people saw
Yes, indeed
Then there was no sound at all
But the clock upon the wall
Then the door burst open wide
And my daddy stepped inside
And he kissed my momma's face
And he brushed her tears away
The night Chicago died
Na-na na, na-na-na, na-na-na-na-na
The night Chicago died
Brother what a night the people saw
Brother what a fight the people saw
Yes indeedThe night Chicago died
Na-na na, na-na-na, na-na-na-na-na
The night Chicago died
Brother what a night it really was
Brother what a fight it really was
Glory beThe night Chicago died
Na-na na, na-na-na, na-na-na-na-na
The night Chicago died
Brother what a night the people saw
Brother what a fight the people saw
Yes indeed
Sabiam que houve um sujeito – Victor Lustig de seu nome – que em 1925 conseguiu vender a
Torre Eiffel? A história conta-se em… algumas palavras. O nosso herói convidou os mais ricos sucateiros de Paris para uma reunião sigilosa no Hotel Crillon que, à época, era só o mais distinto e luxuoso da capital francesa. O propósito da reunião apenas seria revelado no decurso da mesma, já que o encarregado de missão do governo francês catalogou o encontro de matéria classificada de interesse nacional. Prestes a explodirem de curiosidade os convidados ficaram siderados com o que ouviram: "o Governo vai ter de desmontar a Torre Eiffel!". "Porquê?", perguntaram alguns… e seguiu-se a explicação: a torre tinha sido projectada como estrutura temporária – para a Exposição Universal de Paris de 1889 (que também assinalava os 100 anos da Revolução Francesa) – e agora o município estava a revelar-se incapaz de suportar os custos de manutenção. Como é evidente, os sucateiros a partir daquele momento ficaram com uma determinada zona do cérebro completamente bloqueada: sete mil toneladas de aço divididas por 15 mil peças a x o quilo… Concluindo: os sucateiros ficaram de licitar e o trapaceiro de escolher a melhor vítima para a sua jogada. O eleito foi aquele que se mostrou mais sensível às queixas do "alto funcionário" que andava a negociar milhões e tinha um salário de miséria, "pondo-se a jeito" para ser "subornado". Resultado, o pato perdeu duas coisas: o suborno (uns trocados de milhares); e mais uns quantos milhões de sinal pela adjudicação do negócio.
Resta interpretar esta história e justificar o seu propósito. Por muito que tentemos contrariar esta tendência, o nosso primeiro instinto vai no sentido de confiar nas aparências. Para vencer a resistência dos mais desconfiados há um truque adicional: ser ousado. Como a História demonstrou, houve pelo menos um dos sucateiros que achou que ninguém se lembraria de vender a Torre Eiffel se não fosse mesmo verdade... era assunto demasiado sério para brincar. Pois foi… caiu na mesma.
Paradoxalmente, o charlatão não pode abusar, saltitando de
sucesso em sucesso, se não for comedido, deixa que as suas artimanhas pareçam aquilo que são: fraudulentas. Em 1934, Victor Lustig acabou preso em Alcatraz, onde fez companhia a Alphonse Capone, "amigo" que também já havia burlado, ousadamente (quem iria lembrar-se de burlar um assassino impiedoso como Capone?).
Por cá temos um primeiro-ministro que nos prometeu 150 mil empregos, não subir os impostos, manter as SCUT sem portagens e que agora faz voz de falsete nas entrevistas para dar ares de virgem imaculada. Agora já nos fala de Keynes, dos benefícios do desmesurado investimento público e diz-nos que é graças a ele que vamos, finalmente, atingir o Nirvana.
Oh Victor, perdão, José, não achas que estás a abusar?
Publicado na edição do Brados do Alentejo de 25 de Junho de 2009
Todos os que me conhecem e estão a par das notícias da terra sabem exactamente do que estou a falar. Enfim, os actos ficam para quem os pratica.
Pela parte que me toca, a reacção não irá ser ácida. Será serena, sem grandes alaridos. Mas sou uma pessoa determinada. Por isso, quando agir – e vou agir certamente – quero estar certo daquilo que suspeito... só me falta falar com uma pessoa. Espero que tal pessoa me responda à pergunta que lhe vou fazer. Quando o fizer, se o fizer, fica desde logo tudo esclarecido. Se não o fizer, por não o querer fazer, vai ficar tudo esclarecido na mesma.
Os resultados eleitorais do passado fim-de-semana suscitam-me três comentários. 
Primeiro: as sondagens. Errar em cerca de 10 pontos percentuais no resultado final é algo de desolador e nada abonatório. As instituições que realizam sondagens, enquanto centros de matemática aplicada, têm uma imagem e um prestígio a defender. Não o fizeram nestas eleições, tal como já não o tinham feito em eleições anteriores. Se a inferência estatística é uma técnica consolidada que, invariavelmente, conduz a resultados precisos, tais erros só podem ser explicados por partirem de amostras que não são representativas do universo que se pretende estudar. O erro, como está bem de ver, não advém da Matemática, como prova o facto de as sondagens feitas "à boca das urnas" não terem errado. O que não pode continuar a aceitar-se é que as empresas de sondagens limitem as suas consultas a telefonemas para a rede fixa. Ficou por demais demonstrado que as pessoas que estão em casa, às horas dos telefonemas, não representam fidedignamente o universo eleitoral.
Segundo: os resultados nos meios rurais. O concelho de Estremoz constitui um bom exemplo de como, qualquer que seja o ângulo de análise, a pressão social exercida sobre os habitantes das comunidades rurais é deveras mais opressiva que aquela que igualmente existe nos meios urbanos. Na política, nos meios pequenos, as pessoas têm maior dificuldade em exercitar o voto consciente, preferindo, inúmeras vezes, a tranquilidade do voto conveniente ou o sossego da abstenção. Teme-se pelos empregos, teme-se pelo evoluir dos pequenos negócios, chega a temer-se a mera desconformidade com aquilo que se pensa ser a onda dominante. Se juntarmos a isto o olhar "controleiro" dos caciques locais, onde se insinuam ameaças veladas, então o desvio entre aquilo que se intimamente se sente e a opinião que se expressa pode atingir dimensões consideráveis.
Terceiro: a Esperança. Creio que a Esperança foi, afinal, a única vencedora destas eleições. Uma vez mais ficou provado que, em Democracia, a opinião das pessoas conta verdadeiramente. Sócrates, o homem que, qual imperador romano, não recebe lições de ninguém e se diverte a atirar certos grupos sociais às feras, sentiu na pele que os seus tiques salazarentos já não rendem como renderam no início do seu mandato. O eleitorado fartou-se de tanta arrogância, da bazófia e da governação de faz-de-conta. E fez muitíssimo bem. Afinal, tal permitiu às pessoas perceberem novamente que têm força para correr com as figuras políticas que consideram detestáveis. Sócrates diz que não vai mudar nada e que ainda ficará mais determinado. OK. Espero pois que o eleitorado, agora que já sabe a força que tem, também fique determinado em lhe dar o pontapé na massa da albarda que ele merece.
Nota final: repararam na voz embirrante de Lurdes Rodrigues? "Deixem-me passar…". Deixamos sim… para a rua.
Publicado na edição do Brados do Alentejo de 12 de Junho de 2009